"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

No Novo Ano...


... a administração do blogue deseja que todos os seus visitantes, e amigos em geral, tenham doze meses plenos de realizações. Pela parte que me toca, já ficava satisfeito se esta rapaziada visitasse finalmente o nosso país para um concerto. Em nome próprio, entenda-se...


The Walkmen "In The New Year"
[Gigantic Music, 2008]

"I know that it’s true
It’s gonna be a good year
Out of the darkness
And into the fire
I’ll tell you I love you
And my hearts in the strangest place
That’s how it started
And that’s how it ends"

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Going blank again #47


... e ao cair do pano desta saga pelos meandros do "novo" shoegazing, finalmente a primeira banda tuga, já reclamada por um ilustre confrade. São nortenhos e, apesar de alguma inexperiência, dominam a matéria prima que permite aspirar a altos voos.

MALCONTENT

Origem: Porto (PT)
Período de actividade: 2006-
Influências: The Jesus and Mary Chain, BRMC, Curve, Sonic Youth, Joy Division, Nine Inch Nails
A ouvir: It's All In Your Mind 7" (?, ?)

MySpace

Assistir à queda na Imbicta





















Ainda 2008 não terminou e, no que respeita a concertos cá pelo burgo, o novo ano promete começar da melhor forma: em mais um evento
Clubbing, a Casa da Música do Porto irá receber o intratável Mark E. Smith, devidamente acompanhado da ciclicamente renovada formação dos seus The Fall. Na bagagem trazem o superlativo Imperial Wax Solvent, 27.º álbum de originais da mais prolífica banda nascida na Inglaterra post-punk.
Faça chuva ou faça sol, engripado ou constipado, aos amigos tripeiros deixo desde já a promessa: a 17 de Janeiro contem comigo para (finalmente!) conhecer a CdM por dentro.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Singles Bar #28
















BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB

Whatever Happened To My Rock'n'Roll (Punk Song)
[Virgin, 2001]

I fell in love with the sweet sensation
I gave my heart to a simple chord
I gave my soul to a new religion
Whatever happened to you?
Whatever happened to our rock'n'roll?
Whatever happened to my rock'n'roll?

Ano da graça de 2001. O velho rock'n'roll está moribundo. O "fenómeno" nu-metal domina o airplay radiofónico. Na MTV, hordas de boy bands decoradas com piercings e tatuagens são o prato do dia. Operando a partir de São Francisco, Califórnia, um trio de jovens mostra-se inconformado com este estado de coisas. Reclamam para o rock'n'roll o elemento transgressor entretanto perdido. Desalinhados, respondem pelo nome de Black Rebel Motrorcycle Club (B.R.M.C.), numa alusão ao gangue de motards do jovem Marlon Brando na película The Wild One.
A rebelião dos B.R.M.C. materializa-se sob a forma de "Whatever Happened To My Rock'n'Roll (Punk Song)", misto de raiva incontida e crença no poder do r'n'r . Nas guitarras, trazem o fuzz herdado de uma rigorosa dieta de Jesus and Mary Chain e de Spacemen 3, ambos nomes paradigmáticos da devoção à "causa". No videoclip promocional, revisitam-se imagens da etapa final da década de 1960, período fértil em revoluções movidas à guitarra.
À data, no dealbar de um novo século, juntamente com os Strokes e os White Stripes, os B.R.M.C. reaproximaram o público ( e os jornais e revistas) do rock'n'roll, fazendo crer num futuro radioso. Ainda que não se tenham cumprido as expectativas mais optimistas, para a posteridade fica a recordação de um breve espaço de tempo em que as seis cordas ditaram - novamente - regras.


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O Pai Natal está a chegar


Com votos de um Feliz Natal a todos os sócios e simpatizantes, o
April Skies propõe-vos o mais recente single de um colectivo de mórmons reincidente em temas alusivos à quadra. No vídeo, algo perturbador mas de visionamento obrigatório, os protagonistas são aqueles que, no fundo, dão algum sentido ao Natal.


Low "Santa's Coming Over"
[Sub Pop, 2008]

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

2008: The year that was...


É opinião quase unânime que 2008 foi ano de fraca produção musical. Eu não penso assim. Ainda que infértil em "discos revolucionários" - as chamadas obras-primas -, o ano que agora finda prima por um nível qualitativo médio nivelado por cima, como poucos na presente década. Para tal, fruto de uma estranha conjugação dos astros, muito terá valido o contributo de uma série de "consagrados" que escolheram o ano de 2008 para regressar à melhor forma. Neste particular, além dos nomes constantes da lista dos "trinta mais", gostaria de deixar um menção honrosa a outros veteranos com trabalhos de valor neste ano: Stephen Malkmus, Wire, Stereolab, Bob Mould, Tricky, The Breeders, e Free Kitten. No que concerne a espectáculos ao vivo, cá pelo rectângulo, foi ano de quantidade e qualidade, o que veio dificultar significativamente as escolhas. Que esta tendência tenha continuidade, é o desejo desta casa.
Sem mais delongas, passemos à crème de la crème da colheita de 2008:


30 ÁLBUNS














01. SPIRITUALIZED Songs In A&E

02. DEERHUNTER Microcastle / Weird Era Cont.
03. THE HOLD STEADY Stay Positive
04. DESOLATION WILDERNESS White Light Strobing
05. TITUS ANDRONICUS The Airing Of Grievances
06. VIVIAN GIRLS Vivian Girls
07. FRIGHTENED RABBIT The Midnight Organ Fight
08. BON IVER For Emma, Forever Ago
09. WHY? Alopecia
10. CRYSTAL STILTS Alight Of Night
11. NO AGE Nouns
12. THE WALKMEN You & Me
13. THE FALL Imperial Wax Solvent
14. ROBERT FORSTER The Evangelist
15. SILVER JEWS Lookout Mountain, Lookout Sea
16. WHITE DENIM Workout Holiday
17. PETE & THE PIRATES Little Death
18. FLEET FOXES Fleet Foxes
19. FENNESZ Black Sea
20. TIMES NEW VIKING Rip It Off
21. FUCK BUTTONS Street Horrrsing
22. XIU XIU Women As Lovers
23. BRITISH SEA POWER Do You Like Rock Music?
24. THE BLACK ANGELS Directions To See A Ghost
25. MY MORNING JACKET Evil Urges
26. CLINIC Do It!
27. BLACK MOUNTAIN In The Future
28. THE WAR ON DRUGS Wagonwheel Blues
29. WYE OAK If Children
30. THEE OH SEES The Master's Bedroom Is Worth Spending A Night In


30 CANÇÕES (por ordem alfabética)

- ATLAS SOUND "River Card"
- BLACK MOUNTAIN "Angels"
- THE BREEDERS "Bang On"
- BRITISH SEA POWER "Down On The Ground"
- CRYSTAL STILTS "Shattered Shine"
- DEERHUNTER "Nothing Ever Happened"
- DESOLATION WILDERNESS "Come Over In Your Silver Car"
- DUFFY "Mercy"
- ELBOW "Grounds For Divorce"
- THE FALL "50 Year Old Man"
- FLEET FOXES "White Winter Hymnal"
- FOALS "Cassius"
- FRIGHTENED RABBIT "Fast Blood"
- GLASVEGAS "Geraldine"
- THE HOLD STEADY "Constructive Summer"
- THE JOY FORMIDABLE "Austere"
- MYSTERY JETS "Young Love"
- NO AGE "Teen Creeps"
- PARTS & LABOR "Nowheres Nigh"
- SILVER JEWS "Suffering Jukebox"
- SPIRITUALIZED "Soul On Fire"
- STEREOLAB "Three Women"
- THESE NEW PURITANS "Elvis"
- TITUS ANDRONICUS "Upon Viewing Brueghel's 'Landscape With The Fall Of Icarus'"
- VIVIAN GIRLS "Tell The World"
- THE WALKMEN "On The Water"
- WHITE DENIM "Let's Talk Abou It"
- WHY? "The Hollows"
- WOLF PARADE "Call It A Ritual"
- XIU XIU "F.T.W."


5 EPs / MINI-ÁLBUNS














01. THE CLIENTELE That Night, A Forest Grew

02. CRYSTAL ANTLERS Crystal Antlers
03. LET'S WRESTLE In Loving Memory Of...
04. CRYSTAL STILTS Crystal Stilts
05. BLACK FRANCIS Svn Fngrs


15 CONCERTOS










01. MERCURY REV @ Aula Magna da UL, 29 Nov.

02. PRIMAL SCREAM @ Paredes de Coura, 01 Ago.
03. SIX ORGANS OF ADMITTANCE @ Caixa Económica Operária, 07 Nov.
04. NO AGE @ ZdB, 23 Out.
05. BONNIE 'PRINCE' BILLY @ ZdB, 12 Jul.
06. SUNSET RUBDOWN @ ZdB, 08 Jun.
07. LIGHTNING BOLT @ Pq. Estacionamento do Lg. Camões, 23 Nov.
08. SIPIRITUALIZED @ Optimus Alive!, 10 Jul.
09. SCOUT NIBLETT @ ZdB, 30 Mai.
10. THE LEMONHEADS @ Santiago Alquimista, 24 Out.
11. POP DELL' ARTE @ ZdB, 26 Jun.
12. AWESOME COLOR @ Lounge, 04 Jun.
13. SPOON @ Aula Magna da UL, 23 Fev.
14. CARIBOU @ Santiago Alquimista, 12 Mar.
15. THE GUTTER TWINS @ Santiago Alquimista, 08 Set.


10 REEDIÇÕES / COMPILAÇÕES














01. DENNIS WILSON Pacific Ocean Blue

02. THE REPLACEMENTS Let It Be
03. THE LEMONHEADS It's A Shame About Ray
04. THE JESUS AND MARY CHAIN The Power Of Negative Thinking: B Sides And Rarities
05. SEBADOH Bubble & Scrape
06. LIZ PHAIR Exile In Guyville
07. VÁRIOS ARTISTAS Rough Trade Shops - Counter Culture '07
08. MISSION OF BURMA Signals, Calls And Marches
09. THE SPECIALS The Best Of
10. ADORABLE Footnotes - Best Of 92-94

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Going blank again #46
















APOLLO HEIGHTS


Origem: Nova Iorque (US)
Período de actividade: 2002-
Influências: A.R.Kane, My Bloody Valentine, Cocteau Twins, Massive Attack, Love, TV on the Radio
A ouvir: White Music For Black People (Manimal Vinyl, 2007)

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Discos pe(r)didos #21

















RIDE

Today Forever EP

[Creation, 1991]

Numa demonstração inequívoca de produtividade, no espaço de dois anos (1990-92), os Ride lançaram dois álbuns e quatro EPs, todos eles de alto nível qualitativo. Lançado entre os dois longa-duração (Nowhere de '90, e Going Blank Again de '92), Today Forever será, porventura, o conjunto de temas mais perfeito do quarteto de Oxford, nesse período justamente apontado como a grande esperança do rock britânico.
Sem abdicar dos muros de distorção característicos de todo o contingente shoegaze, Today Forever apresentam-nos uns Ride cada vez mais apostados na criação de canções bem estruturadas, algo que os distinguiu dos seus pares. Logo em "Unfamiliar", o tema inaugural, esses progressos são bem evidentes: uma combinação hábil de feedback, baixo musculado, guitarra circular reminiscente do lado psicadélico de uns The Cure, e a voz harmoniosa de Mark Gardener. Já em "Sennen", que daria nome de banda, é Andy Bell a assumir maioritariamente as funções de vocalista. Desta feita, a calma inicial é progressivamente sabotada pelas intromissões pirotécnicas das guitarras. Cantado a duas vozes, "Beneath" é pura adrenalina de miúdos acabados de entrar na casa dos vintes, mas já conhecedores de todos os truques dos grandes temas rock. Para o fecho em lume brando, "Today" é, simultaneamente, melancolia e inocência juvenis. Um encerramento com chave de ouro, capaz de nos levar a estados de transe nos seus (quase) seis minutos e meio.


"Today"

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Quercus alba















São um duo de Baltimore e respondem pelo nome de
Wye Oak, designação proveniente da árvore honorária do estado de Maryland, conhecida como o maior carvalho branco dos Estados Unidos.
Se em termos emocionais os dois Wye Oak demonstram apego às origens, já no plano estritamente musical o caso muda de figura, já que as referências provêm maioritariamente do Reino Unido: jangle pop, vocalizações boy/girl, uma pitada de folk, um cheirinho de shoegaze. Resumindo, indie pop no sentido mais clássico do termo.
Concebido com muita sacarina e alguma distorção, o álbum debute If Children merecia outro tratamento nos balanços de fim de ano já conhecidos.

Wye Oak no MySpace

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Good cover versions #15









BRITISH SEA POWER "Tugboat" (Rough Trade, 2003)
[Original: Galaxie 500 (1988)]

Nas comemorações do 25.º aniversário da editora Rough Trade, um conjunto de artistas do então (em 2003) catálogo corrente do selo criado por Geoff Travis revisitava uma série de "clássicos" desse quarto século de história. Embora tivesse por título Stop Me If You Think You've Heard This One Before..., a compilação não inclui qualquer tema da autoria de Morrissey & Marr entre as escolhas.
Em compensação, Stop Me... conta com dois temas originais dos Galaxie 500 entre as dezasseis versões, o que, não obstante a carreira fugaz, diz bem da influência do mítico trio de Boston: "Tell Me" pelos The Tyde, e "Tugboat" pelo British Sea Power (BSP).
Banda que tem seguido um trajecto exemplar ao longo desta década, caso raro entre as "novas" bandas britânicas, os BSP assumiram o peso da responsabilidade ao pegar num tema responsável por uma das mais saudosas descobertas musicais na vida deste escriba, vai para duas décadas. No original um hino de alienação, tão ingénuo que soaria tolo noutras mãos que não as dos Galaxie 500, "Tugboat" evolui nesta versão para um longo devaneio de contornos épicos. Para além do alto nível qualitativo, também a melancolia permanece intocável...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Going blank again #45
















AUTODRONE


Origem: Nova Iorque (US)
Período de actividade: 2002-
Influências: Lush, Ride, The Sundays, Belly, Helium
A ouvir: Strike A Match (Clairecords, 2007)

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Natal é...

... prendas para aqueles que nos são queridos. E haverá alguém que nos seja mais querido que nós próprios?
Já que é assim, por volta do próximo dia 25, o Pai Natal vestirá a farda dos CTT e deslocar-se-á ao meu local de trabalho, carregando no saco o "pacote" que a imagem reproduz. A caixinha, limitada e numerada, comporta doze rodelas de vinilo de 7", entre elas o abortado quarto single Still Ill, hoje uma autêntica raridade. Mas claro a jóia da coroa é o disquinho com o n.º 7, cujo lado A contém um dos melhores pedaços de música da história da Humanidade:


The Smiths "How Soon Is Now?"
[Rough Trade, 1985]

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A big, big love

Chegaram ao catálogo da 4AD pela mão dos conterrâneos Throwing Muses e, em pouco tempo, suplantaram em popularidade os "padrinhos". A juntar ao facto de não corresponderem à "estética 4AD", o bilhete de identidade norte-americano encontrou muitas resistências por parte dos puristas da editora então comandada por Ivo Watts-Russell. Porém, o tempo, esse justiceiro, faria dos Pixies a banda mais relevante da já longa história do etiqueta londrina (... e não me esqueci dos geniais Cocteau Twins), a qual, por ironia do destino, é hoje uma mera distribuidora de artistas ianques...
No espaço de uma carreira meteórica, os quatro fabulosos de Boston deixaram para a posteridade algumas dezenas de gemas pop em que a cacofonia e a melodia convivem saudavelmente. Ao fim de meses de indefinações, de entradas e saídas, de subidas e descidas, a lista que se segue ordena em definitivo, e do fim para o princípio, aqueles que são os dez temas pixianos que gozam de maior estima junto deste escriba:

10. "HOLIDAY SONG" [1987]
09. "SUBBACULTCHA" [1991]
08. "DEBASER" [1989]
07. "MOTORWAY TO ROSWELL" [1991]
06. "WHERE IS MY MIND?" [1988]
05. "INTO THE WHITE" [1989]
04. "MONKEY GONE TO HEAVEN" [1989]
03. "WAVE OF MUTILATION" [1989]
02. "VELOURIA" [1990]

... e, o lugar do topo, que suponho muitos de vós já terão adivinhado, pertence a um dos raros momentos em que a baixista ultra-cool assumiu o comando das operações. Ela aí está, captada em palco na capital do Reino Unido no ano da sua edição original:


01. "GIGANTIC"
[1988]

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

These animal men

Apesar da nomenclatura afrancesada, os Je Suis Animal vêm de Oslo, capital da Noruega, e já cá andam desde 2004 a fazer lembrar que os eighties não se fizeram apenas de pop digital descartável, roupas de cores garridas, e penteados de gosto duvidoso. Contam no currículo com dois longa-duração, sendo que o último dos quais - Self-Taught Magic From A Book - acaba de ser lançado fora de portas (leia-se Reino Unido). Ouvi-lo é viajar no espaço e no tempo, até às Ilhas Britânicas de finais daquela década, e revisitar bandas marcantes do período áureo do indie pop como os Shop Assistants ou os McCarthy. Tudo, é claro, feito com a candura muito peculiar das bandas escandinavas.

Je Suis Animal no MySpace

sábado, 6 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Going blank again #44




















BLUE LIGHT CURTAIN


Origem: Seattle, Washington (US)
Período de actividade: 2004-
Influências: Slowdive, Cranes, Galaxie 500, Low
A ouvir: Blue Light Curtain EP (CD Baby, 2006)

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Singles Bar #27


















THE STONE ROSES

She Bangs The Drums
[Silvertone, 1989]

Costuma dizer-se, com algum exagero, que qualquer um dos onze temas do álbum de estreia homónimo dos Stone Roses daria um óptimo single. Com mais realismo, e por razões óbvias, excluiria dois, talvez três...
Perante esta conjuntura, torna-se difícil aos devotos da banda de Manchester eleger aquele que é O tema preferido. Tanto por ser a minha porta de entrada no universo da banda, como também por ser o tema mais irresistível que conheço quando me encontro nas imediações de uma pista de dança, a minha escolha recai sobre "She Bangs The Drums". É que já lá vão quase vinte anos desde que o ouvi pela primeira vez e o efeito perdura...
De então para cá, foram tantas as vezes que escutei "She Bangs The Drums" (até o título é sublime!), que cheguei até a desenvolver uma teoria sobre um pequeno pormenor. No meu entender, os primeiros segundos da canção funcionam como a apresentação dos quatro Roses, conhecidos pela sua postura algo arrogante (eu prefiro chamar-lhe auto-confiante): primeiro a secção rítmica, com o baixo musculado de Mani e os pratos de choque de Reni; junta-se-lhes a guitarra floreada de John Squire; por fim, a voz aveludada de Ian Brown, o tal que - diziam - não sabia cantar. Depois... bem, depois e até final, os quatro juntos arrastam-nos numa torrente de ritmo sem retorno.
E agora, sem mais divagações, propunha que vissem, e sobretudo que ouvissem, o porquê da existência de adjectivos como intemporal:


Uma pequena alegria
















Foto: Autumn de Wilde


Depois do fraquinho First Impressions Of Earth, e da tournée correspondente, os Strokes parecem ter entrado num longo período de silêncio. Neste hiato, os membros da banda nova-iorquina vão aproveitando para concretizar os seus projectos pessoais. Primeiro foi Albert Hammond Jr., que conta já com dois álbuns a solo no currículo. Agora é a vez do baterista Fabrizio Moretti apresentar os "seus" Little Joy.
Curiosamente, a génese do projecto remonta ao Verão de 2006, quando os Strokes pisaram pela primeira e única vez palcos portugueses. Foi por ocasião do festival Lisboa Soundz, que contava igualmente com os brasileiros Los Hermanos. Nos bastidores do festival, Moretti travou conhecimento com Rodrigo Amarante, elemento destes últimos, e deixou a promessa de gravarem qualquer coisa juntos.
Posteriormente, o brasileiro rumou a Los Angeles, onde se reuniu com o novo amigo americano. Para a concretização do projecto, ao duo inicial juntou-se a multi-instrumentalista Binki Shapiro. Das sessões de estúdio resultou Little Joy, um pequeno disco que, sem querer mudar o mundo, é seguramente o melhor trabalho com assinatura de um stroke nos últimos cinco anos. E a receita é muito simples: onze canções ligeiras e positivistas que, em período de temperaturas baixas, nos fazem já suspirar pela época estival.

Little Joy no MySpace

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

One hit wonders? Provavelmente...

Foto: Steve Gullick

Há nos Glasvegas duas características que me fazem olhá-los com alguma desconfiança: a primeira é o visual, demasiado estudado para o meu gosto; a outra é o nome que escolheram, trocadilho digno de qualquer banda de bares perdida no Portugal profundo . Quanto ao que realmente interessa - a música, obviamente -, a estreia homónima do quarteto de Glasgow é uma amálgama bem urdida (e bem produzida) das sonoridades que caracterizam a produção musical escocesa do último quarto de século, onde nem sequer falta a abordagem às temáticas sócio-políticas habituais nas bandas britânicas não-inglesas. Daí resultam canções de um dramatismo épico, com refrões que se colam aos tímpanos com demasiada facilidade.
Com a aprovação de Alan McGee, antigo patrão da Creation Records e figura influente no panorama indie britânico, e com uma campanha de promoção eficaz, foi com mais ou menos susrpresa que Glasvegas escalou aos lugares cimeiros do top de vendas do Reino Unido. Sem querer ser o arauto da desgraça, no futuro, ainda quero ver como os Glasvegas aguentam a pressão do sucesso tão prematuro...

Ainda que por aqui falte em originalidade o que sobra em bom-gosto, digam lá quem são os acólitos das sonoridades indie mais ortodoxas que conseguem resistir a esta pronúncia tão característica do povo das highlands:



"Geraldine" [Columbia, 2008]

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ao vivo #32

Mercury Rev @ Aula Magna da UL, 29/11/2008

Responsáveis pelo concerto da minha vida há meia dúzia de anos, os Mercury Rev voltaram no passado sábado a entrar para o quadro de honra da minha extensa gigografia, desta vez por motivos bem diferentes. Se o histórico espectáculo do Paradise Garage se caracterizou pelo realce dado à beleza das canções, apresentadas na sua versão mais despida, o show da corrente digressão é uma super-produção que dá primazia ao lado cénico inerente a essas mesma canções, prenhes de misticismo e espiritualidade.
Por conseguinte, a banda surge em palco envolta num imenso manto de fumo, ao som de "Lorelei" dos Cocteau Twins. Ao fundo, onde antes tinham sido projectadas imagens alusivas a filmes, a discos, e a livros da preferência da banda, surgem agora, em contínuo, imagens de motivos naturais, científicos e cosmológicos. Com este enquadramento, e adornados por um jogo de luzes sumptuoso, os temas sucedem-se ininterruptamente, entrando na maioria das vezes em devaneios instrumentais que realçam as capacidades técnicas do quinteto de músicos. Jonathan Donahue, no seu estilo hiper teatralizado, é o mestre de cerimónias. Perante este cenário, por momentos, esquecemos o niilismo que caracterizava os Mercury Rev dos primórdios.
Embora estivessem a promover um novo e belo disco que uma boa parte dos media ignorou (vá-se lá saber porquê!), os Mercury Rev têm plena consciência da relevância do clássico Deserter's Songs (um dos melhores e mais importantes discos das últimas duas décadas, para que conste), o qual é brindado com a parte de leão do alinhamento que rondou a hora e meia de duração, com encore incluído.
No final, deveras emocionado, sai renovada a minha fé no lado mais grandioso da música popular, algo abalada desde que uma trupe de quebequianos desatou a compor hinos apropriados para consumo em cerimónias religiosas de seitas evangélicas.
Como nota negativa, não poderia deixar de destacar as deficientes condições da sala, que nos fazem questionar o habitual preço elevado dos bilhetes dos concertos que lá se realizam: desconfortável, com uma acústica que deixa muito a desejar e, de forma indirecta, algo inibidora das emoções de um público, na generalidade, demasiado contido.

Alinhamento:

"Snowflake In A Hotworld"
"Holes"
"Black Forest (Lorelei)"
"The Funny Bird"
"You're My Queen"
"People Are So Unpredictable"
"Diamonds"
"Tonite It Shows"
"Tides of the Moon"
"Dream of A Young Girl As A Flower"
"Opus 40"
"Once In A Lifetime" (versão quase irreconhecível do tema dos Talking Heads)

"Godess On A Hiway"
"The Dark Is Rising"
"Senses On Fire"

sábado, 29 de novembro de 2008

Hoje...

... a escuridão irá abater-se sobre a Aula Magna.

Mercury Rev "The Dark Is Rising" [V2, 2001]

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Going blank again #43

















BLACK NITE CRASH

Origem: Seattle, Washington (US)
Período de actividade: 2004-
Influências: Ride, The Jesus and Mary Chain, BRMC, Kitchens of Distinction, The Church
A ouvir: Array (Custom Made Music, 2008)

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ao vivo #31



















Sonic Boom/Spectrum @ Museu Nacional de Arte Contemporânea, 26/11/2008


Com um pequeno desvio relativamente à hora inicialmente prevista, Peter Kember, o homem que, ainda adolescente, adoptou o pseudónimo de Sonic Boom como metade criativa dos superlativos Spacemen 3, aproxima-se da mesa onde estão dispostas a ferramentas de "trabalho": teclados diminutos, samplers, e uma série de maquinaria vária da qual desconheço o nome. Contrariando o meu prognóstico inicial, a sala está apinhada. Após as saudações da praxe, e algo timidamente, Kember dirigi-se ao público para anunciar que o primeiro tema é dedicado a Mary Hansen. O tema em questão é um instrumental de progressões em espiral que podia fazer parte do compêndio dos Stereolab, a banda de que a homenageada fez parte até ao súbito falecimento em 2002. As 3/4 peças que se seguem são longos mantras com intromissões de ruído metálico. Quando já estamos irremediavelmente enredados na teia e prestes a subir à troposfera, os lamentos esporádicos provindos da voz - ecoada, como seria de esperar - trazem-nos de volta ao solo. Depois de uma curta pausa para satisfazer as necessidades de nicotina (soube-se depois), Kember pega na guitarra e ataca uma versão descarnada de "Transparent Radiation", numa longa viagem até 1987, ano da edição de The Perfect Prescription, um dos clássicos da banda que lhe deu fama. Na sequência do momento mais "convencional" da noite, novo regresso às máquinas para um final solene ao som de "Then I Just Drifted Away". Novamente tímidos, os agradecimentos e as despedidas surgem abafados pela merecida ovação.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Good cover versions #14









JENNY LEWIS with THE WATSON TWINS "Handle With Care" (Team Love, 2006)
[Original: The Traveling Wilburys (1988)]

Projecto criado por iniciativa de Jeff Lynne há 20 anos, os Traveling Wilburys foram, até à data, o mais valioso de todos os super-grupos do universo pop/rock. Com um plantel que incluía, além do líder dos ELO, Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison, e George Harrison, deixaram para a posteridade dois álbuns que ambicionavam ser algo mais do que um meio para rentabilizar a fama dos seus autores. A apresentação ao mundo deu-se através de "Handle With Care", um tema verdadeiramente catchy no qual, em ambiente de saudável camaradagem, se cantava a sobrevivência a uma nova era, após a falência dos ideais da daisy age.
Em Rabbit Fur Coat, o primeiro disco a solo de Jenny Lewis (com a participação das gémeas Chandra e Leigh Watson), a frontwoman dos Rilo Kiley recria este momento que marcou o final da década de 1980. Embora sem se afastar em demasia da matriz do original, a versão de Lewis reforça o travo country, ao mesmo tempo que faz de "Handle With Care" uma canção mais solarenga e ligeira. Nesta tarefa, a menina bonita contou com a precioso contributo de três marmanjos nas vozes: Ben Gibbard (Death Cab For Cutie), M. Ward, e Conor Oberst (Bright Eyes).

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O homem da câmara tenebrosa

Foto: Steve Gullick

Estranhamente, não abunda informação na web sobre os Tenebrous Liar (TL). E digo estranhamente porque este é o projecto musical do notável Steve Gullick, cuja lente segue os caminhos ínvios do rock'n'roll há quase duas décadas.
Tal como as imagens de Gullick, que fazem do seu autor o mais interessante fotógrafo rock da actualidade, a música dos TL é feita de sombras e pontos difusos. Se a estreia homónima no ano passado revelava nítidas afinidades com a irmandade Grinderman/The Bad Seeds, o novo The Last Stand, recentemente editado, é uma espécie de inventário do melhor que o underground norte-americano gerou nos últimos 20 anos: dos Dinosaur Jr. aos Nirvana, dos Jesus Lizard aos Shellac.
Uma descoberta acidental que se está a revelar extremamente proveitosa.

Tenebrous Liar no MySpace

Ao vivo #30, ou o 'outro' drum'n'bass

Foto: Florian Reischauer

Lightning Bolt + Stellar Om Source @ Parque de Estacionamento do Largo do Camões, 23/11/2008

A fim de evitar equívocos, esclareço que a imagem acima foi captada há perto de duas semanas, aquando da passagem dos Lightning Bolt (LB) por Berlim. O momento de comunhão entre público e músicos, que é já parte da lenda do duo de Providence (Rhode Island), teve lugar na capital alemã, mas podia ter ocorrido ontem à noite, em pleno coração de Lisboa.
Um concerto que se reveste destas características únicas, merecia um cenário também ele sui generis, cinco pisos abaixo da superfície. Sobre a validade desta opção nada posso dizer, já que não tenho termo de comparação. Já sobre o concerto em si, posso afirmar veementemente que os LB corresponderam em pleno às expectativas criadas: uma descarga decibélica de proporções mastodônticas feita de distorção e dissonância, de energia em estado bruto e muita transpiração. Os restantes privilegiados que partilharam deste verdadeiro teste aos sentidos não me deixam mentir.

Antes da dupla mais esperada por estas bandas nos últimos tempos, coube à holandesa Christelle Gualdi servir de aquecimento a um público cada vez mais impaciente. Sob o alter ego Stellar Om Source, a menina debita uma massa de sons sintetizados onde é possível entrever alguns tiques hendrixianos e outras tendências de finais de sessentas. Para além dos atributos físicos da manipuladora das máquinas, nada mais detectei que seja digno de registo...

sábado, 22 de novembro de 2008

Going blank again #42
















THE INSECT GUIDE

Origem: Leeds (UK)
Período de actividade: 2005-
Influências: Lush, Curve, Spacemen 3 (da fase terminal), Slowdive, Spectrum, The Velvet Underground
A ouvir: 6ft In Love (Dead Penny, 2007)

MySpace

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Em escuta #34


















CRYSTAL ANTLERS
Crystal Antlers EP [Touch and Go, 2008]

Admito ter sido algo precipitado quando, há alguns posts atrás, questionava as apostas da Touch and Go Records nos últimos tempos. Na altura, desconhecia que a editora de Chicago contasse nas suas fileiras com os Crystal Antlers, dos quais acaba de reeditar o EP de estreia, originalmente lançado em edição de autor na primeira metade deste ano.
A este colectivo californiano não tem faltado quem lhes teça comparações, tanto aos Comets on Fire, como aos Les Savy Fav. Basta ouvir "Until The Sun Dies (Part 2)", o tema de abertura de EP, e percebem-se os porquês: os Crystal Antlers encerram em si o poder caleidoscópico dos primeiros e a energia desmedida dos últimos. No entanto, e como em quase todas as comparações, ainda que justificadas, o paralelismo não deixa de ser redutor, pois à psicadelia e ao impulso punk, cada um dos cinco Antlers adiciona outros ingredientes bem doseados ao estranho cocktail, tais como o garage rock, o lo-fi, e até um órgão omnipresente com laivos de progressivo. Mas, se esta profusão de referências é, per se, uma mais-valia, o grande trunfo dos Crystal Antlers reside na versatilidade da voz de Jonny Bell, capaz de ir da fúria possuída à calma harmoniosa num ápice.
Ao fim dos escassos 25 minutos de duração de EP, sentimo-nos extenuados, quase devastados. Agora, imaginem qual será o efeito do primeiro longa-duração, com edição marcada para o ano que vem.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Primeiro avistamento do Mar Negro

De Christian Fennesz é conhecida uma certa apetência para parcerias com músicos dos mais diversos quadrantes, sobretudo nas franjas da música popular. Talvez por isso, o austríaco que gosta de assinar apenas com o apelido é alvo de um culto transversal aos diferentes públicos.
No tempo que sobra das inúmeras colaborações, Fennesz também grava discos a solo, nos quais surge evidenciada uma marca pessoal: texturas de guitarra em perfeita simbiose com as electrónicas minimalistas, desenhando paisagens sonoras, ora negras, ora idílicas. Apesar de, por vezes, os resultados apontarem para territórios próximos da música concreta, eu prefiro olhar para Fennesz como um explorador das imensas possibilidades abertas por Kevin Shields no passado, antes de este se entregar à preguiça.
Por ser um acontecimento (infelizmente) raro, torna-se imperioso apontar na agenda a edição do novo disco de Fennesz, mais de quatro anos depois do magistral Venice. Black Sea chega ao mercado a 8 de Dezembro próximo. Até lá, "Saffron Revolution" é aperitivo de bom agoiro.


terça-feira, 18 de novembro de 2008

Post-punk em revis(i)ta

Limitado pelo espartilho da canção punk, Howard Devoto abandonou os Buzzcocks ainda em 1977, poucos meses após ter sido um dos membros fundadores. Com o propósito de explorar uma capacidade criativa que não conhecia barreiras estilísticas, reuniu um lote de músicos aventureiros, entre eles o baixista Barry Adamson e o genial guitarrista John McGeoch. Nasciam assim os Magazine, uma das bandas mais inovadoras do período que habitualmente designamos por post-punk.
Escassos quatro anos de vida renderam outros tantos álbuns, nos quais o nível qualitativo foi uma constante apesar das permanentes mudanças no line up. Nos últimos anos, o legado dos Magazine surge mais vivo que nunca, com gente como Morrissey, os Radiohead, ou os Mansun, a confessarem uma profunda admiração pela obra de Devoto e seus pares.
No momento em que surgem dois discos dos Magazine no mercado (a reedição de Play, gravado ao vivo em Melbourne, na Austrália, em 1980; e a compilação da totalidade dos temas tocados nas diversas passagens pelo programa de John Peel na BBC), os sobreviventes da formação clássica da banda anunciam o reagrupamento para um punhado de concertos no Reino Unido, em Fevereiro de 2009. Na guitarra, no lugar de John McGeoch, desaparecido em 2004, surge Noko, membro dos Apollo 440 e antigo companheiro de Howard Devoto nos Luxuria.
Resta agora esperar que, como em tantos outros casos recentes, a reunião extravase as fronteiras do Reino Unido e rume a outras paragens do Velho Continente...

Magazine no MySpace

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Singles Bar #26


















BELLY

Feed The Tree [4AD, 1993]

"This old man I've talked about

Broke his own heart,
Poured it in the ground.
Big red tree grew up and out,
Throw up its leaves,
Spins round and round.
I know all this and more.
So take your hat off
When you're talking to me
And be there when I feed the tree.
(...)
This old man I used to be
Spins around, around, around the tree.
Silver baby come to me.
I'll only hurt you in my dreams.
I know all this and...
I know all this and...
I know all this and more."

Cansada de ser relegada para segundo plano nos projectos em que se envolveu, em 1992, Tanya Donelly deita tudo para trás das costas e forma os Belly, banda onde foi figura de proa e catalisador de toda a sensibilidade pop de uma das mais belas mulheres da história da dita música independente.
Do álbum de estreia - Star- qualquer tema serviria de exemplo dos propósitos de Donelly. No entanto, Feed The Tree, por ser o single de maior projecção, tem a honra de ilustrar a irresistível proposta dos Belly. À distância de um clique no botão do play no vídeo mais abaixo, está uma canção luminosa, de guitarras em cascatas sonoras, mas que não enjeitam a melodia. Contudo, o brilho mais intenso provém da voz que, embora em tonalidades pueris, não consegue esconder alguma perversão.
Como consequência directa de um intenso airplay nas rádios, "Feed The Tree" catapultou os Belly para um nível de projecção inimaginável, ao ponto de chegarem a ser capa da revista Rolling Stone, normalmente associada ao establishment da indústria musical. Algo a que as antigas companheiras de Tanya, Kristin Hersh e Kim Deal, podiam apenas aspirar em sonhos.