"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 21 de novembro de 2010

Em escuta #53












SURF CITY _ Kudos [Arch Hill, 2010]

Com a lendária Flying Nun numa espécie de stand-by, tornam-se difíceis a descoberta e divulgação de novas bandas surgidas na Nova Zelândia. Há raras excepções, como o caso destes Surf City, revelados há 2/3 por um EP homónimo que, nas sonoridades, fazia jus ao nome (inspirado num velhinho tema dos Mary Chain) da banda. Para a estreia em formato longo há uma mudança de azimutes, agora apontados para as memórias da melhor música daquele país das antípodas, bem expressas na evocação de um som indie chocalhado e vagamente psicadélico, tal como antes professado por The Clean e The Chills dos primórdios. Depois do frenesim inicial, Kudos intensifica o mergulho psych na segunda metade. As duas partes são delimitadas pelo inesperado devaneio à la Animal Collective de "Yakuza Park", número que, felizmente, não conhece repetição. [8]


WEEKEND _ Sports [Slumberland, 2010]

Disco associado à Slumberland Records sugere, habitualmente, inocência twee e melodias solarengas. Na facção tensa, a editora de Washington, D.C. já nos tinha oferecido o cinzentismo dos Crystal Stilts, mas nada que nos preparasse para a negritude opressiva destes Weekend, trio californiano com um pé na pulsão post-punk e outro no shoegaze mais austero. Parentes dos A Place to Bury Strangers, menos rítmicos e mais monolíticos, citam amiúde o minimalismo e as vozes imersas dos Joy Division, a batida marcial dos Killing Joke, e as camadas de distorção e delay dos My Bloody Valentine. Mais do que a mera soma das partes, Sports é um mergulho num fascinante, e muito peculiar, mundo de sombras. [8,5]


THE BLACK ANGELS _ Phosphene Dream [Blue Horizon, 2010]

Para os Black Angels o mundo parou em 1967. O colectivo texano habita um universo psicadélico (e psicótico), expresso nas magníficas capas que têm dado à estampa, no qual integra a rebelião contra as forças opressoras. Para eles, os conflitos armados do presente são reencarnação da geração que viveu o Vietname. Para além de uma nova editora, neste terceiro álbum reservam pequenas operações de cosmética, tais como o menor protagonismo dado à drone machine e o vincar do pretensiosismo messiânico que o vocalista Alex Maas herdou de um tal Jim Morrison. Denota-se também um certo apelo por um primitivismo que remete para uma América profunda. Sem ser um mau disco, Phosphene Dream padece da falta de novidades. Recomenda-se sobretudo a iniciados e desaconselha-se aos restantes. [6]


THE INTELLIGENCE _ Males [In the Red, 2010]

Com renovado interesse por parte das novas gerações, o garage-rock tem procurado manter vivo o espírito primordial do rock'n'roll, algo que implica fisicalidade e muita transpiração. São constantes os relatos de concertos ultra-enérgicos proporcionados por bandas cultoras do género. Em disco, porém, escasseiam as ideias que fujam da norma instituída. As excepções surgem a espaços, como é o caso destes The Intelligence, projecto pessoal de Lars Finberg que, antes daqui chegar, já contava com uma mão cheia de álbuns sob a mesma designação. O que diferencia Fingberg de muitos dos seus pares é a capacidade para urdir canções orelhudas sem abdicar dos riffs insidiosos e da atitude transgressora. As letras são inteligentes, profusamente irónicas, e tão subversivas quanto manda a cartilha. Longo de apenas 25 minutos, Males é um compêndio de breves estilhaços pop-punk que sacode o corpo sem misericórdia. [7,5]


WARPAINT _ The Fool [Rough Trade, 2010]

Quatro jovens angelinas, bonitas e sonhadoras, relativamente talentosas, são estas as Warpaint, motivo de crescente buzz junto de imprensa e público. Se no EP de baptismo a receita de harmonias vocais e guitarras delicadas proporcionava um breve momento de retemperadora pacificação, na prova de fogo de The Fool, a extensão do disco arrasta-nos para um relativo torpor a meio da audição. Como fruto abastardado da união dos Cocteau Twins e dos The Sundays, os nove temas que o compõem primam por uma contenção quase infantil que carece do gene dramático dos progenitores, algo que parece espreitar a cada recanto mas que rapidamente se dilui nas melodias em círculo. [6,5]

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Em escuta #30


















THE BLACK ANGELS
Directions To See A Ghost
[Light In The Attic, 2008]

Quando se deu a conhecer, há coisa de dois anos, este combo texano foi, desde logo, motivo de júbilo por estas bandas. Traziam na bagagem Passover, álbum de estreia pungente e negro, com vista para o psicadelismo de finais de sessentas.
Ao primeiro contacto, sobressai no novo Directions To See A Ghost uma clara perda do poder de fogo do seu antecessor, sendo, neste particular, "You On The Run" a excepção. Não será por acaso que foi escolhido para tema de abertura. Dessa primeira audição fica também uma ligeira sensação de repetição, com os onze temas a soarem muito semelhantes entre si. Sensação essa que se desvanece à medida que, em escutas sucessivas, nos vamos deixando embrenhar na teia urdida pelas Black Angels, quais Jefferson Airplane sujeitos a uma dieta de Spacemen 3. A partir daqui, digo-vos, o efeito de Directions... é hipnótico.
Num disco compacto e homogéneo (não confundir com monótono), há ainda assim temas que sobressaem. É o caso de "Deer-Ree-Shee", grande surpresa ao introduzir a sitar (com solo e tudo!) no universo dos anjos negros. O final deste tema funde-se com o início de "Never/Ever", oito minutos e meio de tirar o fôlego: cântico tribal de início, a dar lugar ao duelo da guitarra com a drone machine, com uma bateria marcial a pautar o ritmo. Entre os pontos altos, destaquemos ainda o já citado tema inaugural. No extremo oposto, como momento relativamente falhado, está "Snake In The Grass", o tema de encerramento que, nos seus mais de dezasseis minutos de duração, estica demasiado a fórmula.
A voz de Alex Maas, no passado acusatória e inflamada, com recados mais ou menos óbvios ao ocupante da Casa Branca e obreiro da 2.ª Guerra do Golfo, surge agora "afogada" na instrumentação densa. Desta feita, as letras, mais difusas, abordam temas negros da construção da Nação Americana como os massacres dos nativos.
Não provocando o efeito surpresa do antecessor, entenda-se Directions... como uma variação sobre o mesmo tema, garantindo aos Black Angels a passagem com distinção na prova de fogo do segundo disco. Num terceiro fôlego, em que já não contarão com a drone machine de Jennifer Raines, que entretanto abandonou o barco, é legítimo que se lhes exijam outras direcções...

quinta-feira, 27 de março de 2008

ANJOS E FANTASMAS

Há coisa de dois anos caí de amores pelo primeiro longa duração desta trupe texana que dá pelo nome de The Black Angels (TBA). Negro, intenso, pesado, Passover era todo ele assombrado pelos fantasmas da Segunda Guerra do Golfo. Filiado nas estéticas neo-psicadélicas, ostentava orgulhosamente a herança de algumas luminárias da contra-cultura de há quatro décadas: 13th Floor Elevators ou The Velvet Underground, para citar apenas algumas. Como poucos dos discos lançados na década em curso, continua a exercer sobre mim o mesmo fascínio da primeira vez que o ouvi.
Como tal, neste momento, e até 19 de Maio, encontro-me já em contagem decrescente para a chegada do sucessor de Passover. A coisa dá pelo nome de Directions To See A Ghost e tem, mais uma vez, selo da Light in the Attic. A julgar por "You On The Run", a amostra disponível aqui, podemos afirmar que os TBA continuam no seu habitat natural.

sábado, 20 de janeiro de 2007

SIGAM O ANJO NEGRO

THE BLACK ANGELS
Passover (Light In The Attic, 2006)


"Illness, insanity, and death are the black angels that kept watch over my cradle and accompained me all my life."
A citação acima pertence ao pintor norueguês Edvard Munch. Além de ter sido responsável pelo nome de baptismo da banda texana The Black Angels, vem impressa no layout do seu álbum de estreia, uma das coisas mais intensas e surpreendentes que ouvi nos últimos meses. E faz todo o sentido...se ouvirem o álbum vão perceber porquê...