"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

10 anos é muito tempo #37









THE LIBERTINES
Up The Bracket
[Rough Trade, 2002]




Num fácil exercício de memória, ainda me lembro de a aceitação global dos americanos The Strokes só ter ocorrido, ironicamente, quando os discos da banda começavam a perder o fulgor inicial. O mesmo terá acontecido com os White Stripes, cujo disco do breakthrough, tal como o de estreia dos nova-iorquinos, foi de entusiasmo inicial quase exclusivo no Reino Unido. Quase, porque há sempre espalhados por esse mundo, uns quantos que ouvem a música antes darem a sua reprovação baseada naquele preconceito para com o hype de origem britânica. Daqui se conclui que, em inícios do século presente, os súbditos de Sua Majestade estavam sequiosos da adrenalina deste rock revigorado, e foi neste clima que lançaram para a linha da frente The Libertines, um grupo de amigos londrinos que há anos andava a espalhar as suas trovas rock pelos pubs dessa Inglaterra profunda. Orgulhosos das suas origens, estes intrépidos "bifes" demarcavam-se dos concorrentes ianques pelas suas referências, assentes na tradição musical da casa. Por conseguinte, os Libertines rapidamente se tornaram um símbolo da englishness, filtrando quatro décadas de rock britânico, tal como antes havia sido refinado por bandas como The Smiths, The Jam, ou The Clash.

Não sendo propriamente uma banda de consensos, bem longe disso, é natural que os fiéis de tais vacas sagradas não revejam tais referências no caos libertário dos Libertines. E terão algumas razões para isso, até porque a inspiração mais vincada da banda é bem mais obscura. Falo concretamente dos The Only Ones, outros londrinos cuja música denotava a mesma despreocupação pela perfeição, com o líder Peter Perrett a entoar igualmente tiras do quotidiano com a mesma preguiça vocal de Carl Barât e Pete Doherty, a dupla de vocalistas/guitarristas dos Libertines. Nas palavras do próprio Doherty, Perrett era para si uma espécie de ícone. Infelizmente não o foi apenas na música, mas também em alguns maus hábitos e desventuras que já estão mais que documentados e discutidos e que pouco ou nada têm a ver com a música. No entanto, e voltando às três bandas citadas, são indisfarçáveis os ecos de qualquer delas no meio da sujidade de Up The Bracket, o disco de estreia que catapultou os Libertines para os estatuto de adorados da crítica e (parte) do público britânicos. Logo no inaugural "Vertigo", é indisfarçável a mesma guitarra gingona da qual Johnny Marr muitas vezes fazia uso. Quanto ao balanço misturado com o impulso punky de Paul Weller e seus pares, estão bem patentes no excelente "Boys In The Band", tema que ironiza sobre os clichés do universo rock, à semelhança do que acontece no visceral "The Boy Looked At Johnny". A abrasão dos Clash dos primórdios, portanto antes da deriva para sons de outras paragens, está bem presente nos enérgicos "Time For Heroes" e "I Get Along". Além disso, a produção de Up The Bracket ficou a cargo do ex-Clash Mick Jones que, com experiência e muita paciência, soube domar a indisciplina dos quatro rapazes apenas até ao ponto de não eliminar a subversão, tarefa antes tentada mas não conseguida pelo ex-Suede Bernard Butler.

À parte a capacidade para filtrar referências, elogie-se nos Libertines o talento enquanto compositores da dupla Barât/Doherty, ambos a personificação da libertinagem do verdadeiro espírito rock, embora não reconhecida por todos pois, como já referido, esta é daquelas bandas capazes de gerar amores e ódios em igual medida. Factores para a dúvida em relação à genuidade dos Libertines talvez sejam a aversão ao hype e a uma certa arrogância de alguns, algo que já antes tinha ocorrido com os Oasis. Já que se fala da banda dos irmãos Gallagher, deixem-me lançar-vos a provocação de afirmar que Up The Bracket é o mais importante disco rock de matriz britânica desde Definitely Maybe (o magnífico debute dos Oasis), e talvez o último desde então, se excluirmos a estreia dos Arctic Monkeys. Um par de anos volvidos, e já em desagregação, os Libertines ainda lançaram um digno sucessor, um álbum que funcionou como uma espécie de lamber das feridas para os dois frontmen alegadamente desavindos depois de muitos anos de amizade. E depois implodiram, ainda em plena forma. Querem atitude mais rock que esta?!

Time For Heroes by The Libertines on Grooveshark

Up The Bracket by The Libertines on Grooveshark

I Get Along by The Libertines on Grooveshark

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Singles Bar #37




















THE LIBERTINES
What A Waster [Rough Trade, 2002]

"What a waster, what a fucking waster
You pissed it all up the wall
Round the corner where they chased her
(...)
When she wakes up in the morning
She writes down all her dreams
Reads like the book of revelations
Or the Beano or the unabridged Ulysses
(...)
What a divvy, what a fucking div
Talking like a moron, walking like a spiv
I was laying in bed paying my rent
Knocking on the door for something"


Menosprezados por uma larga falange, sobretudo com o avolumar de "notícias" relativas aos hábitos pouco recomendáveis de Pete Doherty na imprensa sensacionalista, o que é certo é que os Libertines acabam por ser uma das mais influentes bandas britânicas da década prestes a findar. Beneficiando da recuperação do bom e velho rock'n'roll operada pelos Strokes do outro lado do Atlântico, o quarteto londrino mostrou aos jovens músicos concidadãos que a palavra de ordem era rockar. Dos que colheram a mensagem, os Arctic Monkeys são apenas o caso mais visível.
Já com alguns anos de experiência em pequenos palcos, deram-se a conhecer a um público mais vasto com "What A Waster", primeiro single que acaba por representar, quer lírica, quer musicalmente, aquilo que seria a curta e tumultuosa carreira da banda: enquanto a letra fala de vidas marcadas pelos narcóticos (em calão inglês, o vocábulo waster define aquele que consome drogas em quantidades apreciáveis), o suporte instrumental revela a filiação em três nomes que, de forma peculiar, definiram o sentir inglês - The Jam, The Clash e The Smiths. Tal como os seus mestres, os Libertines tinham alguma apetência para a crueza realista e uma visão algo romatizada de uma Inglaterra extinta. Na última das estrofes acima transcritas, cantada pelo mais contido Carl Bârat, somos levados a pensar que as palavras tenham como destinatário o seu camarada de armas.
Registado em estúdio por Bernard Butler, o single deverá ser o registo da banda com uma produção mais limpa. Posteriormente, o ex-guitarrista dos Suede chegou a iniciar as sessões de gravação do primeiro álbum. Incompatibilizado com a conduta pouco disciplinada da banda, acabaria por dar o lugar ao ex-Clash Mick Jones, o qual acabaria por ser o arquitecto da rudeza anárquica que define o "som Libertines".