"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ao vivo #40















Foto: Álvaro C. Pereira / Blitz

Festival Paredes de Coura 2009, 29 Jul-01 Ago

Férias grandes dignas desse nome já não passam sem a habitual peregrinação a Paredes de Coura (PdC), pequena vila minhota onde anualmente tem lugar o único festival nacional em que a música é protagonista. Na corrente edição, e apesar de algumas cedências a modas passageiras, o cartaz faz-nos crer ter havido uma tomada de consciência por parte da organização do papel que PdC representa no universo festivaleiro portuga. Nas linhas que se seguem tecem-se breves considerações sobre o melhor, o pior, e o assim-assim deste PdC '09. No final, o top five dos concertos.

Dia 29

Para abrir em beleza o "dia de aquecimento" o colectivo coimbrão Sean Riley & The Slowriders prova que, em território nacional, não tem concorrência à altura no domínio das sonoridades americana (Raindogs?! Quem?!). Além disso, o vocalista tem uma pronúncia da língua inglesa que não envregonha.
Vindos dos states, os Strange Boys são quatro rapazolas filiados na actual fornada de bandas garage rock. Uma aproximação ao palco permite aferir da tenra idade do quarteto, mas também da destreza com que cruzam influências que vão dos históricos Royal Trux aos actuais Black Lips. Uma agradável surpresa.
Principal atracção do dia, Patrick Wolf é um daqueles músicos dirigidos a um nicho específico que, tradicionalemente, dá especial atenção aos cuidados postos na imagem. Com uma indumentária carnavalesca e tiques alegadamente provocadores, foi protagonista do primeiro número circense do festival. Tecnicamente, esperava algo mais do que uma mescla de ritmos dançáveis com sons de violinos que não andam longe de um qualquer sinal de chamada em espera. Pelo meio, e numa tentativa de exibir algum ecletismo, teve o "atrevimento" de interpretar um excerto de Kate Bush (de repente tornou-se a musa de meio mundo... ) e outro de "Gigantic", dos Pixies. Houve quem gostasse...
Para abanar os corpos resistentes, estava reservado o set da dupla Bons Rapazes, autores do programa com o mesmo nome na Antena 3. Ou melhor, estava reservado o DJset de remisturas a cargo de Miguel Quintão, já que Álvaro Costa se limitou a servir de mestre de cerimónias do radialista renega a música que recomendava há meia dúzia de anos, e que conta com uma vasta horda de seguidores/imitadores. E é assim, mesus amigos, que se arruína um estatuto construído pelos excelentes serviços prestados ao longo de décadas... Risível, surreal, e triste...

Dia 30

E esta, hein?! Uma banda australiana que não faz música de carrosel! Num primeiro instante, The Temper Trap surpreendem com a sua pop melódica e delicodoce com alguns laivos de soul, cortesia de um jovem vocalista claramente dotado. Mais à frente, descambam para um desinteressante aparentado dos Bloc Party. O futuro confirmará (ou não) alguns dos excelentes apontamentos deixados.
Coqueluche do meio indie no corrente ano, os Pains of Being Pure at Heart parecem acusar algum nervosismo num concerto algo desinspirado e, por isso, incapaz de causar chispa. Apesar de se apresentarem com uma formação alargada a quinteto, pareceram pequenos demais na imensidão do palco.
Se há dois meses, em Barcelona, os The Horrors denotavam ainda alguma verdura na transposição para palco desta nova faceta, PdC presenciou o à-vontade com que a banda executa os novos temas, claramente influenciados pelas tendências mais negras e atmosféricas da new wave. Num espectáculo denso e intenso, não faltaram algumas saudadas viagens a um passado recente, como o electrizante "Count In Fives".
Sem espalhafato, os Supergrass mostram o porquê de serem dos poucos sobreviventes da vaga britpop que, parecendo que não, surgiu há já 15 anos. Talvez por isso, pareceu-me haver algum desconhecimento dos temas por parte do público mais jovem. Sem pompa, mas com extrema competência, desfilam hinos como "Moving", "Grace", "Pumping On Your Stereo", "St. Petersburg", "Richard III", ou "Caught By The Fuzz", todos eles com lugar reservado no Grande Livro da Pop Britânica. Faltou "Alright", hit maior do qual, desconfio, Gaz Combes & C.ª tentam demarcar-se. Em compensação, os breves instantes de "Sunday Morning" tiveram tanto de inesperado como de mágico. No final, ficou a promessa de um regresso. Que seja para breve...
Estrelas da noite e, quiçá, de todo o festival, os Franz Ferdinand tinham, à partida, a imensa massa humana na mão. Sem surpresas, as reacções de euforia extremada surgiram desde o instante que pisaram o palco. Na primeira meia hora, há que admiti-lo, os escoceses foram demolidores. Foi precisamente neste período que deram especial destaque ao primeiro disco, sem qualquer risco de errar, a obra definitiva do quarteto. A partir daí, a mediania (para não dizer mediocridade) dos novos temas, os evidentes tiques de estrela, e a infindável sucessão de la-la-las, tornam penoso um concerto que se deveria ter ficado por uma duração mais de acordo com os parâmetros festivaleiros.
No palco secundário, a reciclagem do synth-pop descartável ficou a cargo dos Chew Lips, um trio em que pontifica uma menina de carinha laroca e tenra idade. Para o ano, outros ocuparão este lugar.
Em formato DJing, os Holy Ghost! encerram a noite dando continuidade à receita de sons sintetizados para os quais há cada vez menos paciência.

Dia 31

Admitamos que os Bauhaus tenham sido uma banda efectivamente relevante. Mesmo perante este cenário hipotético torna-se incompreensível o número de sósias de Peter Murphy que este pequeno rectângulo continua a gerar, e que tem no vocalista dos Mundo Cão um dos mais recentes exemplos. Levadas a sério, as letras pretensiosas e desprovidas de métrica, da autoria de Adolfo Luxúria Canibal levam-nos a crer que o rapaz (também é actor, dizem-me) é bem capaz de sucumbir a uma overdose de tesão a qualquer momento...
Uma guitarra, uma bateria, dois elementos apenas. Com um indie rock musculado os Blood Red Shoes mostram-se gigantes naquele palco enorme. O público, embora desconhecedor, parece ter gostado.
Há falta dos Mars Volta, a pompa prog foi assegurada pelos americanos Portugal The Man (que raio de nome!). Demasiado aborrecido para merecer quaisquer outras considerações.
Revelada como nome a seguir nas franjas do hip hop, Peaches não é hoje mais que uma figura cartoonesca que deverá ser vista como tal. Por conseguinte, o concerto não é mais que um circo camp de deboche gratuito no qual têm lugar todos os clichés do mau gosto. Para grande surpresa minha, é dela um hit com presença habitual nas pistas de dança da moda.
Embora seja hoje um rebelde no meio discográfico, editando música de forma independente pelos canais abertos pelas novas tecnologias, Trent Reznor tem plena consciência que o pedaço de história reservado aos Nine Inch Nails é assegurado por dois registos editados no período em que era um "servo" da indústria: Pretty Hate Machine (1989) e, sobretudo, The Downward Spiral (1994). Não surpreende então que estes dois discos mereçam especial destaque no concerto de PdC, onde o negro da indumentária de banda e público contrastam com o verde do meio envolvente. Extremamente competentes e profissionais, os NIN foram capazes de despertar em mim um sentimento de saudável saudosismo, ainda que não veja muito sentido num senhor que é hoje rico, sóbrio e feliz (e eu fico feliz por ele) a berrar tiradas do género "too fucked-up to care anymore". O final, ao som do esperado "Hurt", foi deveras tocante.
Logo em seguida, no palco secundário, o momento-Crystal-Castles do ano, com descargas electrónicas básicas e menina berradeira, fica assegurado por uns tais de Kap Bambino.
Do set de fim de noite a cargo dos Punks Jump Up pouco ou nada lembro, o que me leva a crer que não terá diferido sobremaneira dos antecessores. O que, como se sabe, de punk pouco ou nada tem...

Dia 1

Manel Cruz é o melhor letrista português da última década e meia, ponto. E é também um compositor multifacetado, capaz de recorrer a ferramentas pouco tradicionais, como é o caso nestes Foge Foge Bandido, projecto que se socorre de uma parafernália de instrumentos para construir canções de cariz intimista extremamente envolventes. Fica, porém, a sensação de que as canções seriam mais eficazes no recato de uma pequena sala.
Com o quantidade de boas bandas que há no país vizinho, e logo tínhamos de ser brindados com a presença destes The Right Ons (não falta ali um e?)... Quando forem grandes, estes rapazes hão-de ser os Rolling Stones, nem que, para isso, tenham de snifar as cinzas dos pais. Por ora, não passam de uma cópia pálida dos Black Crowes ou dos Spin Doctors, o que, no fundo, vai dar ao mesmo.
Com os Howling Bells é chegada a hora da elegância, tanto pela presença da belíssima Juanita Stein, como pela filigrana das melodias exemplarmente interpretadas. Com um alinhamento democraticamente repartido pelos dois álbuns de originais, parecem ter conquistado novos adeptos numa plateia maioritariamente desconhecedora da sua obra.
Na esperança vã de escutar algum tema da banda que o tornou célebre, é numerosa a plateia para assistir ao concerto de Jarvis Cocker, o que contrasta com a indiferença com que foram recebidos os dois discos editados a solo. Pouco intimidado com a responsabilidade, o ex-Pulp sabe ao que vem: canções maduras recheadas de conselhos aos mais incautos, intercaladas com momentos de puro improviso nonsense. É desta massa que se fazem os melhores performers!
Quando nos cruzamos pela terceira vez com os The Hives, é natural que algumas das piadas do vocalista comecem já a acusar algum desgaste. No que respeita à música, os suecos continuam a debitar uma descarga de rock'n'roll retrógrado, com muita energia e poucos neurónios.
Devido à proximidade geográfica, os portuenses Sizo contaram com uma vasta falange de apoio no palco secundário. Em certos momentos, poderiam ser a encarnação rockeira dos X-Wife, noutros têm o nervo dos Girls Against Boys. Porém, a placidez das canções não justificava os quase sessenta minutos de duração do concerto.
As honras de encerramento do PdC '09 couberam ao actor Nuno Lopes, aqui na sua faceta deejay. Iniciou o set com os previsíveis MGMT e prosseguiu com sonoridades similares. É nestas alturas que me vem à memória a expressão tantas vezes usada pelo meu professor de Inglês no secundário: "Sapateiro, não passes da chinela.".

O Top 5

  1. JARVIS COCKER
  2. SUPERGRASS
  3. THE HORRORS
  4. NINE INCH NAILS
  5. HOWLING BELLS

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Ao vivo #23

Festival Heineken Paredes de Coura, 01/08/2008

Depois de uma viagem de 400 e tal quilómetros, perto da hora marcada para o início dos concertos no palco principal, eis-me naquela que é, por esta altura do ano, a mais concorrida vila do Alto Minho. O primeiro passo, antes da entrada no recinto, era o levantamento dos bilhetes previamente adquiridos on line no sítio da empresa que detém o monopólio da venda dos ditos. A operação, que esperava demorasse alguns segundos, acabou por ser bem mais complicada, já que não constava qualquer registo da compra nos terminais do Festival. Por entre telefonemas e conversas entre os senhores da organização, volvidos uns bons vinte minutos, tinha finalmente na mão os dois ingressos para uma tarde/noite de boa música. Além da espera, o ser previdente custou-me ainda € 2,40 de comissão por cada bilhete. A queixa segue dentro de instantes para as entidades competentes...
Sem mais delongas, com histórias tristes, passemos ao que interessa:

Two Gallants
Ainda o sol ia alto quando este duo californiano deu entrou em palco. Embora escasso, o público parecia ser, na sua maioria, conhecedor das canções dos Two Gallants (2Gs). Quem não o era, terá ficado rendido aos primeiros acordes desse assombro que é "Seems Like Home To Me". No tempo restante, munidos apenas de uma guitarra e uma bateria, os 2Gs desfiam um rol de canções que, embora rockeiras, descendem directamente da música tradicional norte-americana, como se de uma versão "rural" dos Trail of Dead se tratasse. Para encerrar em beleza, um concerto que pecou pela curta duração, nada melhor que a sinistra "Age Of Assassins", canção macabra povoada pelos mesmos personagens dos romances de Cormac McCarthy. Espera-se que voltem em breve, no cenário mais adequado, i.e., no aconchego de uma sala de concertos. [8/10]

The Rakes
Depois de um excelente disco de estreia e uma sequela menos conseguida, as expectativas para o concerto desta banda londrina alternavam entre a apreensão e algum optimismo. Para gáudio da maioria do público, os Rakes deram um concerto que, não sendo excepcional, foi bem positivo. O vocalista Alan Donohoe mostrou ser dono de um sentido de humor muito próprio. Goste-se ou não, é um estilo. Pela parte que me toca, acho que o rapaz tem bastante piada. Mesmo sem aderirem às palhaçadas, os mais cépticos não ficaram indiferentes a temas como "22 Grand Job", "Strasbourg", "We Danced Together", ou "The World Was A Mess But His Hair Was Perfect", esta última exemplo máximo de um certo cinismo interventivo que caracteriza a banda. Nos vários temas novos apresentados pressente-se a propensão para um som mais austero na linha de uns Gang of Four. Boas indicações, portanto... [7/10]

The Sounds
Vou ali comer uma bucha e já volto... [-]

Editors
Se é aos Ramones que se atribui o mérito da composição de canções pop de três acordes, ao guitarrista dos Editors já ninguém retira a proeza de pôr milhares em delírio com um único acorde. Obviamente, isto faz com que cada tema seja rigorosamente igual ao anterior e aos seguintes. Espectáculo competente e sincero de uma banda a quem sobra em vontade o que falta em talento. Tal como no caso dos Coldplay (aquilo que eles querem ser quando forem grandes), os Editors são, no mínimo, entediantes. [4/10]

Primal Scream
Dispostos a agarrar o público desde o primeiro instante, os Primal Scream atacam logo com "Can't Go Back", o fortíssimo single de apresentação do novo álbum. Dos restantes temas novos, despachados na primeira parte do concerto, especial destaque para "Suicide Bomb", pouco menos que demolidor. Já com o público na mão, chegam os temas mais esperados: "Swastika Eyes", "Rocks", " Miss Lucifer", "Kill All Hippies", "Country Girl", "Jailbird", "Shoot Speed Kill Light", e o celebradíssimo "Movin' On Up". Como se pode constatar pela set list, só mesmo num concerto dos Primal Scream é possível viajar, num ápice, das memórias stonesianas aos delírios "pastilhados" de noventas. No fundo, um ritual de celebração do rock'nroll, naquilo que ele tem de mais rebelde. Pena foi que não tivessem tocado "Kowalski" e "Higher Than The Sun". Mas isso, seria pedir a perfeição! [9/10]

These New Puritans
Encerradas as actividades do dia no palco principal, o início do after hours deu-se com uma das mais badaladas novas bandas britânicas. Tal como no único álbum que têm no currículo, em concerto, os These New Puritans (reduzidos a um trio pela ausência do elemento feminino) revelam ainda alguma indefinição, disparando em vários sentidos. À parte o muito rodado "Elvis", a maioria dos temas causam alguma estranheza, não só pela aplicação dos vocais à la Mark E. Smith em contexto electrónico speedado, como pelo recurso abusivo dos ecos, segundo os ensinamentos dos mestres Spacemen 3. [6,5/10]


sexta-feira, 1 de agosto de 2008

... and now... we can't go back!

Primal Scream "Can't Go Back" [B-Unique, 2008]

domingo, 29 de junho de 2008

Baby, I'm bored
















Ainda não está 100% confirmado, mas parece que há fortes probabilidades de Evan Dando e sus muchachos aterrarem em Paredes de Coura a 3 de Agosto próximo.
F***-se! Logo este ano que já tenho tudo programado para comparecer no Alto Minho apenas durante o 1.º de Agosto, dia em que pretendo voar sobre os festivaleiros durante "Swastika Eyes".
Será que não dava para para retocarem o cartaz? Sei lá... estava a pensar numa troca com os ... hhmmmm... Editors...

The Lemonheads "My Drug Buddy" [Atlantic, 1992]

P.S.: Ainda agora, o televisor sintonizado na MTV2 aqui mesmo ao lado passava o vídeo de "Mrs. Robinson". Um sinal do Além?!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

AO VIVO # 5

Festival Heineken Paredes de Coura 2007

Como já aqui tinha avançado, as férias que se aproximam vertiginosamente do seu término ficam marcardas por mais uma presença em Terras do Alto Minho naquele que teima em ser o único festival realizado neste país onde a música é colocada à frente dos interesses puramente mercantilistas. Apesar das evidências de algum amadorismo na organização e da desorientação no cartaz, e edição deste ano do Paredes de Coura (PdC) teve motivos bastantes de satisfação.
Notas breves sobre o que foi visto e sobre o que, por opção, não foi visto nas linhas que se seguem. Com pontuções e tudo!
DeVotchKa
Melancolia indie pop contaminada dos sons mais díspares: música cigana, bolero, mariachi. Um belo início de festival que conheceu os seus pontos altos nas soberbas versões de "The Last Beat Of My Heart" (Siouxsie & The Banshees) e de "Venus In Furs" (The Velvet Underground). Nos momentos mais ritmados alguns juvenis fizeram questão de mostrar que estavam lá e, quanto a mim, fizeram muito bem. (8/10)
Simian Mobile Disco
Reduzidos a apenas um elemento, apresentaram, ou melhor, apresentou um DJ set pastilhado e ultra-datado que nem sequer conseguiu agradar ao público mais afecto às sonoridades que marcaram forte presença nas after hours. (2/10)
New Young Pony Club
Mimetismo de sons e tiques que deveriam ter sido ocultados da humanidade há mais de vinte anos. Pelos vistos as moçoilas têm visto as VHS das mães em doses desmesuradas. A vocalista até é mais gira do que nas fotos, aqueles trapinhos da linha Fame e derivados é que não favorecem ninguém. (3,5/10)
Sparta
Desfizeram-se os grandes At The Drive-in e surgiram duas bandas redundates: os pretensiosos Mars Volta e estes Sparta. Rock supostamente raivoso e notoriamente inconsequente. (4/10)
Blasted Mechanism
Aquelas fatiotas entre os Power Rangers e o Dragonball, apesar de ridículas, até conseguem atingir o seu propósito: ocultar o vazio de ideias enquanto se distrai a populaça. "We are the true revolutionaries" dizem eles naquele sotaque jamaicano tão típico da Linha de Cascais... Desamparem-me a loja, sff! (2,5/10)
M.I.A.
Notoriamente desenquadrada do resto do cartaz, a moça deu um show muito acima das (minhas) expectativas. Um espectáculo hip hop como raramente se vê por cá. Bastardo quanto baste, mas ainda assim hip hop. Não vem da favela, não vem de Bombaim, vem das ruas de Londres e ainda bem! (7/10)
BabyShambles
Tanto a imprensa como a maioria do público esperavam que o rapaz se espalhasse ao comprido. Pete Doherty fez questão de os desiludir. Quando houver vontade, o talento latente pode gerar grandes canções. Para já, PdC foi brindado com o trio de temas da era Libertines ("Time For Heroes", "What Katie Did" e "Can't Stand Me Now") e por esse diamante em bruto intitulado "Fuck Forever". (6,5/10)
Crystal Castles
Duo canadiano de "terrorismo digital" que se move em territórios limítrofes aos dos norte-americanos Adult.. Ao vivo e em doses moderadas, como foi o caso, a coisa resulta bem melhor do que em disco. (6/10)
Guns n' Bombs
Duo giradisquista eclético que cumpriu o seus desígnios: fazer dançar os corpos ainda não vencidos pelo cansaço que se manifestaria nos dias seguintes. (5/10)
Spoon
Apesar de injustiçados pela posição que lhes foi reservada no cartaz (primeira banda do dia no palco principal às 18h00!), os texanos fizeram questão de brindar os presentes com um concerto de pura alquimia pop, assente nos dois álbuns mais recentes mas com algumas incursões por um passado mais distante. Tenho então a agradecer à (des)organização do PdC tamanha injustiça, pois a hora revelou-se altamente propícia para a degustação na sua plenitude de todos os detalhes que a música dos Spoon encerra. (8,5/10)
Gogol Bordello
Todos aqueles que concebem um festival de música como uma imensa aula de aeróbica tola não terão dúvidas em eleger o gypsy punk (sic.) pejado de clichés dos Gogol Bordello como a banda sonora ideal. A coisa até é bem disposta e ritmada, mas ao fim de três temas indistintos toda aquela alegria e energia encenadas começam a cansar. (5/10)
Architecture in Helsinki
Não se sabe bem porquê, mas nos dias que antecederam PdC, a "imprensa" criava grandes expectativas para a actuação destes proto-músicos australianos. Acidentalmente, a minha opinião, que já vinha de umas quantas audições a um dos seus discos, surgiu resumida na boca de um desconhecido: "estes são aqueles gajos que vieram cá ensaiar e ainda são pagos por isso". (3/10)
Mão Morta
Em pose descontraída, como quem vem directamente da praia para o palco, foram iguais a si mesmos, naquele que poderá ter sido o seu último concerto em "formato rock". Até esta data a dúvida permanece. Se as afirmações de Adolfo se confirmarem, pode dizer-se que encerraram as actividades com uma autêntica retrospectiva onde não faltou nenhum dos celebrados hinos do underground portuga das últimas duas dezenas de anos. (7,5/10)
New York Dolls
Reuniões destas, que desvirtuam todo o legado de uma banda, deveriam ser proibidas. Longo, monótono, caricatural, e a chuva que teimava em cair... Blame it on Morrissey, outro causador de alguns amargos de boca há pouco mais de um ano... (2/10)
Dinosaur Jr.
A recompensa divina pela resistência à chuva e aos New York Dolls haveria de chegar sob a forma de uma outra reunião, esta a valer realmente a pena. Não andassem os nossos "historiadores" demasiado entretidos com modas efémeras, e este concerto entraria directamente para o compêndio da História do Rock em Portugal. "Freak Scene", "Little Fury Things", "Feel The Pain", "Bones", "Just Like Heaven", "Back To Your Heart", clásicos de hoje e de sempre servidos aos fiéis que fizeram por os merecer. E o herói deste PdC foi encontrado: Lou Barlow. (9,5/10)
Electrelane
A maioria dos presentes não sabia bem o que os esperava. Por isso as descargas de energia prenhes de emoção vindas do palco foram uma surpresa agradável para muitos dos convivas em PdC. "To The East" e uma versão enérgica de "I'm On Fire" de Bruce Springsteen foram os momentos altos de um concerto irrepreensível. Do lado esquerdo do palco, imperturbável e em pose angelical, a soltar espasmos da guitarra, revelava-se a heroína deste festival. O seu nome, Mia Clarke. (9/10)
The Sunshine Underground
Mas o quê que estes gajos fazem aqui? Passo. Vou mas é guardar energias para Sonic Youth! (-)
Peter, Bjorn & John
São de facto algo mais do que um assobio engraçadote. Indie pop competente, daquele que os britânicos ainda produzem em doses massivas mas que nem sempre tem a sorte de ter um... assobio... (5,5/10)
CSS
Não pretendia sequer pôr-lhes a vista em cima. Porém, a presença despropositada do lado do palco de algumas das meninas durante a maior parte da actuação das Electrelane deu para conferir que, para além de não terem nada de sexy, têm um péssimo gosto no trajar. (-)
Sonic Youth
Dado o estauto que detêm, a imensa multidão que acorreu para os ver perdoa-lhes tudo. Até o facto de só terem tocado dois "hits": "100%" e "Bull In The Heather". Eu bem pedi o "Teen Age Riot"... Num alinhamento em que o recente Rather Ripped teve a parte de leão, tiveram a "ousadia" de apresentar, na íntegra, a lendária "Trilogy" da obra-prima Daydream Nation. Tal como os Mão Morta, foram iguais a si próprios, e isso é o bastante. (8/10)
U-Clic
U quê?! No dia em que o death metal virar moda, estes rapazes ostentarão orgulhosamente t-shirts dos Morbid Angel. Até lá, é ir treinando a voz, do grave fingido de hoje, para o gutural grunho de amanhã. (1/10)

sábado, 11 de agosto de 2007

O DESCANSO DO GUERREIRO

A partir de hoje, e até final do corrente mês, este estabelecimento fecha para férias. A todos os clientes, a gerência deixa os votos de umas férias em grande.
Durante este período há muito ansiado, entre outras coisas, haverá passagem por aqui:

P.S.: Lembro a todos os visitantes deste blogue que, durante a minha ausência, continuo a aguardar o vosso contributo para a eleição dos dez mais dos fab four de Manchester. Digam lá de vossa justiça!