"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Good cover versions #77













KIRSTY MacCOLL _ "A New England" [Stiff, 1984]
[Original: Billy Bragg (1983)]

A memória colectiva não tem sido justa para com Kirsty MacColl, desaparecida, prematuramente, há quase 13 anos. Alguns quantos ainda se lembrarão dela ao lado dos Pogues na mais insólita canção tornada hino natalício, outros referem-na apenas como a esposa de Steve Lillywhite, produtor ligado aos U2 e a outros nomes grandes de oitentas. É muito pouco reconhecimento para uma das poucas vozes femininas que se afirmaram no contexto maioritariamente masculino da new-wave britânica, uma mulher que encarnou a englishness com a mesma dedicação de homens como Ray Davies, Elvis Costello, ou Billy Bragg.

Os sucessos na carreira não foram propriamente massivos, é certo, e o maior deles terá sido "A New England", precisamente uma versão de um original daquele último que, eventualmente, terá servido para catapultar o então quase desconhecido Billy Bragg para plateias mais vastas. A versão foi concebida com o aval do próprio autor, que propositadamente escreveu mais uns quantos versos para a letra. Contudo, Kirsty não fez questão de a readaptar em termos de género, deixando no ar uma pequena provocação de ambiguidade sexual. Se bem se lembram este foi o tema que serviu de cartão de visita a Billy Bragg, o futuro porta-estandarte das esquerdas políticas que, antevendo o que lhe estava reservado, atirava com versos que resumem as motivações rock'n'roll, acima de qualquer ideal: "I don't want to change the world / I'm not looking for a new England / I'm just looking for another girl". O mesmo não se pode dizer do registo musical adoptado, substancialmente distante da rispidez da guitarra eléctrica solitária dos primeiros tempos de Bragg, numa proposta pop gingona com guitarra jangly muito próxima daquilo que os Smiths faziam na altura. Curiosamente, Jonhnny Marr era um dos músicos próximos de Kirsty MacColl à data da sua morte, depois de algumas colaborações entre ambos.


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Singles Bar #23















BILLY BRAGG
Sexuality [Go! Discs, 1991]

"I've had relations with girls from many nations
I've made passes at women of all classes
And just because you're gay I won't turn you away
If you stick around I'm sure that we can find some common ground

Sexuality - Strong and warm and wild and free
Sexuality - Your laws do not apply to me

(...)

I'm getting weighed down with all this information
Safe sex doesn't mean no sex it just means use your imagination

Stop playing with yourselves in hard currency hotels
I look like Robert De Niro, I drive a Mitsubishi Zero"


Desde muito cedo reconhecido pela imprensa musical como porta-estandarte de um certo sentir britânico, Billy Bragg andou quase sempre desencontrado com as tabelas de vendas. Sem ser um êxito massivo, este primeiro single do álbum Don't Try This At Home poderá ser a maior aproximação ao sucesso na carreira deste cantautor.
Mais do que pelos feitos obtidos no mercado musical, "Sexuality" merece ser lembrado como um dos temas que incendiou as pistas de dança mais esclarecidas no Verão de 1991, momentos antes da eclosão do "fenómeno" grunge. A letra, demonstrativa de uma ironia refinada, é o reflexo de um período em que a falta de informação sobre o "mal do século" era motivo para o tom acusatório de algumas vozes mais conservadoras. Não faltam, obviamente, as alfinetadas de cariz político.
Escrito a meias com o ex-Smiths Johnny Marr, que contribui também na inconfundível guitarra, "Sexuality" conta com a ajuda da habituée Kirsty MacColl (tragicamente desaparecida em 2000) nos coros, como de resto é observável no divertidíssimo videoclip.

quarta-feira, 7 de março de 2007

SINGLES BAR #5

BILLY BRAGG
A New England (Charisma, 1983)

I don't want to change the world
I'm not looking for a new England
I'm just looking for another girl

Com estas singelas palavras, retiradas do refrão do seu primeiro single a solo, Billy Bragg definia o móbil primordial do rock'n'roll: as miúdas.
Admirador de Bob Dylan e dos Beatles em doses iguais, Billy Bragg, que antes tinha militado na banda punk Riff Raff, foi desde a primeira hora o grande patriota, amante dos ideais de esquerda, mas que aqui deixava bem claro que antes do cantor de protesto estava o homem, o rocker... Como suporte sonoro à verve de Bragg nos 2 minutos e 15 segundos deste belo exemplar de escrita, os mínimos recursos: apenas uma guitarra eléctrica (!), o que poderá soar estranho e rude a ouvidos menos preparados
Curiosamente, dois anos mais tarde da edição original de "A New England", uma afiliada de Bragg (a molograda Kirsty MacColl) levava uma versão aos lugares cimeiros das charts britânicos.
Mas o bardo também acabaria por ter os seus 15 minutos de fama: primeiro através de split single de caridade com os Wet Wet Wet (!!!), em que levou uma versão de "She's Leaving Home" (The Beatles) ao lugar mais desejado do top, e já em inícios dos anos noventa quando "Sexuality", na qual colaborava o amigo Johnny Marr, se tornou um hit a uma escala mais global.
Mas, para o protest singer, o momento de maior realização terá sido em finais da década passada a filha de Woody Guthrie convidou Bragg para musicar e gravar letras que o pai deixara. Para essas sessões contou com a colaboração dos Wilco e o resultado pode ser apreciado nos dois volumes de Mermaid Avenue.