"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 8 de outubro de 2013

O melhor joalheiro pop do mundo

















Foto: Kevin Westenberg

Nos idos de oitentas, Paddy McAloon lançou a modéstia às urtigas e auto-proclamou-se o melhor escritor de canções. A concorrência era de peso, é certo, mas nem por isso o título atribuído a si próprio era totalmente descabido. Nesses tempos, à frente dos Prefab Sprout, as suas canções eram motivo para o fascínio da facção mais letrada e sensível da juventude de então, concebidas sob os ditames do mais puro bom-gosto pop. Ao sucesso comercial somavam-se os louvores da crítica. Os tempos mudaram, e mesmo sem terem anunciado um ponto final, os Prefab Sprout foram desaparecendo progressivamente dos radares dos media. Ao ponto de, nestes tempos de reciclagem de todo o lixo tóxico da sua era gloriosa, estarem praticamente esquecidos pelos ditadores de modas e tendências baseadas no passado.

A injustiça do esquecimento parece não demover McAloon de nos continuar a presentear com música do mais fino recorte pop. Nem mesmo os graves problemas de saúde, primeiro da visão, mais recentemente da audição, o privam daquele toque de Midas. Fruto dessa perseverança, ontem mesmo, chegou ao mercado Crimson/Red, o primeiro álbum de material novo da última dúzia de anos se tivermos em consideração que a gravação do anterior Let's Change The World With Music (2009) datava do ano de 1992. Não deixa de ser gratificante verificar que, apesar do aspecto de guru ancião, o nosso compositor pop favorito preserva nas suas canções a mesma frescura da juventude sonhadora de há quase três décadas. Embora com a chancela Prefab Sprout, este é, na prática, um disco a solo de Paddy McAloon, já que velhos companheiros como o irmão Martin e a co-vocalista dos coros aéreos Wendy Smith apenas deram o apoio não participativo ao projecto. E não deveria ser de outra maneira, já que as características que fizeram a glória da banda permanecem intocáveis. Assim, nesta dezena de temas, deparamos com a mesma sofisticação pop de outrora, a mesma melancolia romantizada, e até a sumptuosidade da produção comum à de Thomas Dolby no histórico Steve McQueen (1985). Na verve poética das letras detectamos remissões para os tempos da juventude, relatos de uma hipotética venda da alma ao diabo (o preço da genialidade?), e o tributo sob a forma de recordação de um encontro com Jimmy Webb, alegadamente o mais influente dos artesãos pop para o estudioso apaixonado Paddy McAloon.

"The Best Jewel Thief In The World" [Icebreaker, 2013]

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Some things hurt much more than cars and girls

















Os Prefab Sprout, o mesmo que por estes dias é dizer Paddy McAloon, têm novo álbum. Mais precisamente o oitavo, que vem interromper um longo período - de oito anos - de silêncio. Ou melhor, os Prefab Sprout têm um álbum semi-novo, pois Let's Change The World With Music resulta da regravação de alguns dos temas do álbum inicialmente previsto para 1993 e rejeitado pelos executivos da Sony Music, que o consideraram demasiado longo e complexo. Seria então o sucessor de Jordan: The Comeback (1990), um disco que, como alguns estarão recordados, ultrapassava a hora de duração. Ironicamente, este novo disco marca o regresso de Paddy e do irmão Martin ao rooster da editora que antes de ser comprada por magnatas japoneses se chamava CBS.
Mas, deixando de lado os faits divers da indústria musical e passando ao que realmente interessa, posso dizer-vos que, apesar do rosto nitidamente envelhecido, o bom do Paddy mantém aquela voz eternamente jovem que um dia deslumbrou qualquer ser humano com um mínimo de sensibilidade. A pretexto de uma declaração de amor à música, tão mais premente nestes tempos em que a mesma é vista como mero acessório de moda, o nosso artista continua a dissertar, com o engenho que é só dele, sobre as pequenas minudências do dia-a-dia que tornam as nossas vidas mais preenchidas. Tudo, é claro, envolvido em arranjos luxuriantes mas nunca excessivos. Façam um favor a vocês mesmos e mudem o vosso mundo com a música de Paddy McAloon!