"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ao vivo #58













The Walkmen + Os Golpes @ Coliseu dos Recreios, 14/11/2010

Caso não soubéssemos que o marcação do concerto dos nova-iorquinos The Walkmen já tivesse alguns meses, poderíamos ser levados a pensar que a opção da organização pelos lugares sentados visava dar à sala um aspecto mais composto, em pleno período de demasiada oferta para a potencial procura. Assim, sou levado a arriscar que tal ideia tenha partido de alguém apenas centrado no último par de discos da banda, pautados por uma melancolia em tons sépia pouco propícia às manifestações de fisicalidade típicas de um concerto rock
Perante este cenário, louvem-se os Walkmen, que, mesmo com um público à partida já conquistado, souberam contornar a possível queda na soturnidade, oferecendo um alinhamento que intercalou canções de maior teor introspectivo - em maioria - com outras de uma expressividade trepidante. Nesta segunda categoria, destaca-se o inevitável e já clássico (mas não conhecido de toda a gente, pareceu-me) "The Rat", motivo para um erguer generalizado que, infelizmente, durou pouco tempo. É preciso ter presente que os Walkmen vinham para promover Lisbon - o tal que motivou tímidas manifestações de algum provincianismo -, disco onde as instrumentações esparsas mas certeiras de sempre, ainda atípicas mas progressivamente mais familiares, encontram o sentimento expresso nas tonalidades dylanescas da voz de Hamilton Leithauser, agora mais treinada e sem a rispidez que outrora repelia ouvidos mais sensíveis. O anterior, e relativamente mais desinspirado You & Me, é igualmente merecedor de uma atenção especial por parte da banda. Curiosamente, é em temas como "In The New Year" que o público mais se empolga. Para o restante catálogo, e com grande pena deste escriba, ficam reservadas apenas três canções, à razão de uma por disco. Neste particular, dou-me por feliz que uma delas tenha sido "We've Been Had", tema maior de primeiro, preferido, e já distante registo da banda. Foi precisamente este que encerrou a contenda, ao fim de pouco menos de hora e meia de canções onde a razão e o coração, o empenho e a emoção, se fundem harmoniosamente. Resumindo, óptimo, sem ser brilhante.

O aquecimento do concerto de domingo foi oportunidade de promoção para Os Golpes, eventualmente o mais tolerável dos nomes de certo pop/rock 'tuga alvo de um hype, a meu ver, algo desproporcionado. Para além do visual cuidado e da atitude adequada, trazem na bagagem uma mão cheia de boas melodias-de-sempre, cortesia de um guitarrista e de um baterista extremamente competentes. Para além das falhas esporádicas detectadas na entrada das vozes, a merecer reparo estão também as letras, de uma pobreza na linha de uma certa tradição já com décadas na pop cantada na língua de Camões. 

domingo, 13 de setembro de 2009

For all the fucked up children of the world #9


The Walkmen "We've Been Had" [Star Time, 2001]

"We've been had, you say it's over
Sometimes I'm just happy I'm older
We've been had I know it's over
Somehow it got eassy to laugh out loud"

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

No Novo Ano...


... a administração do blogue deseja que todos os seus visitantes, e amigos em geral, tenham doze meses plenos de realizações. Pela parte que me toca, já ficava satisfeito se esta rapaziada visitasse finalmente o nosso país para um concerto. Em nome próprio, entenda-se...


The Walkmen "In The New Year"
[Gigantic Music, 2008]

"I know that it’s true
It’s gonna be a good year
Out of the darkness
And into the fire
I’ll tell you I love you
And my hearts in the strangest place
That’s how it started
And that’s how it ends"

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Em escuta #33
















THE WALKMEN
You & Me [Gigantic, 2007]

Gostando-se ou não, ninguém pode retirar aos The Walkmen o mérito de soarem como nenhuma outra banda no panorama actual. Tivesse o quinteto nova-iorquino enveredado por qualquer uma das "tendências" recentes, e poderia já ter conquistado um maior número de adeptos. Isso significaria, no entanto, a perda da identidade de uma das mais carismáticas e honestas bandas nascidas nesta década, que a cada dois anos já habituou os escassos - mas devotos - seguidores a um novo e excelso álbum.
You & Me é já o quarto longa-duração, e embora não seja uma descaracterização daquilo que lhes conhecíamos, mostra uns The Walkmen apostados em romper com o passado recente, marcado pelo poder de explosão de Bows + Arrows (2004) e pelas derivações dylanescas de A Hundred Miles Off (2006). Por conseguinte, este novo disco, poderá ser entendido como um retomar da contenção formal do longínquo Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone (2002), executado por uma banda cada vez mais experiente e mais confiante nas suas potencilaidades. Significa pois, que durante a audição de You & Me é muitas vezes sugerida a imagem de um fim de noite passado no bar de um hotel para losers. As melodias são sustentadas pelo órgão omnipresente e pela bateria, contida mas certeira, muitas vezes tocada com vassouras. Neste clima de paz aparente, as investidas das guitarras cortantes e da voz expressiva de Hamilton Leithauser conferem um dramatismo quase violento.
Em termos líricos, o disco tem como linha condutora a temática das viagens, evidenciada desde logo no título de muitas das canções ("Dónde Está La Playa", "Seven Years Of Holidays", "Postcards From Tiny Islands", "Canadian Girl", "New Country"), entrevendo-se na personagem encarnada pelo vocalista uma espécie de turista emocional, alguém que está em constante fuga, do mundo em redor e de si próprio.
Como já terá dado para perceber, You & Me não é um disco de fácil digestão. Contudo, com alguma perserverança, pode até criar dependência em ouvidos menos treinados. Sem querer particularizar dentro de uma obra que vale pelo seu todo, não poderia deixar de destacar "The Blue Route", "If Only It Were True", e "On The Water" como algumas das melhores canções do corrente ano. Sobretudo esta última:


quinta-feira, 13 de março de 2008

For all the fucked up children of the world #4

Somebody's waiting for me at home
Somebody's waiting for me at home
I should have known
I should have known
Here we go

And somebody's got a car outside
Somebody's got a car outside
Let's take a ride

I know that it's late but I've nowhere to go
Somebody's waiting for me at home
I should've chose
I should've chose


The Walkmen "Little House Of Savages" (Record Collection, 2004)

domingo, 4 de março de 2007

SINGLES BAR #4

THE WALKMEN
The Rat (Record Collection, 2004)

Nascidos das cinzas das bandas Jonathan Fire*Eater e The Recoys e oriundos de Nova Iorque, os Walkmen foram à data da edição de Bows + Arrows, o seu segundo álbum, apressadamente e erradamente arrumados na prateleira da florescente cena do novo rock por esses dias em vigor naquela metrópole norte-americana.
Como se pode constatar pela simples audição desse álbum na íntegra, bem como do subsequente A Hundred Miles Off (2006), o terreno onde os Walkmen se movem é outro: embora sem grandes afinidades musicais com os Joy Division ou os Echo & The Bunnymen, exibem por outro lado letras de forte carga lírica e uma imagem que prima pela ausência de imagem, o que era traço característico desses pesos-pesados de outras eras. Arriscaria mesmo dizer, e apesar da abundante clonagem em tempos recentes, que os Walkmen são a banda nascida neste século que melhor adapta e recria a "filosofia" do mítico quarteto de Manchester.
Quanto a "The Rat", além de ser a faixa mais emblemática de Bows + Arrows e o maior "hit" dos Walkmen até à data, consegue ser uma espécie de "How Soon Is Now?" dos novos tempos, igualmente uma ode à auto-reclusão como forma de lidar com a timidez.
No entanto, o experimentalismo de Johnny Marr e os maneirismos de Morrissey são aqui substituídos por guitarras trepidantes, órgão e um vocal carregado daquela melancolia raivosa que os Hüsker Dü não desdenhariam.
Uma autêntica revelação na altura e o tema responsável por todo o meu (grande) interesse pelo trabalho desta banda.