"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

To Venus and back

















Antes de os Pixies chegarem à 4AD, para choque dos puristas da editora londrina com a "invasão americana", já lá tinham chegado os Throwing Muses. Na verdade, até foram estes que levaram os outros a reboque, embora a história rapidamente tenha sobreposto os seguidores aos percursores. Diferenças estéticas à parte, as duas bandas que permaneceram amigas foram autênticas pedradas no charco no cenário de finais de oitentas, cada uma com a sua visão pop/rock distorcida e sem comparação na concorrência à época. No caso dos Muses, eram quase chocantes aquelas canções assombrosas e assombradas saídas da mente conturbada de Kristin Hersh, levando-nos a questionar como era possível alguém tão jovem expor os seus traumas de forma tão evidente e crua. Para contrabalançar, a meia-irmã Tanya Donelly contribuía com temas de maior ligeireza pop. Depois da saída desta, insatisfeita com a escassez de canções suas nos discos, a banda entrou num regime de alguma irregularidade temporal das edições, embora qualquer delas ainda merecedora de elogios.

Desde o último trabalho - homónimo - dos Throwing Muses já se conta uma dezena de anos. Neste período, Kristin Hersh aproveitou para se dedicar à carreira a solo, à escrita, e também a projectos paralelos. Com alguma surpresa, o longo silêncio foi interrompido pelo novíssimo Purgatory/Paradise, mais do que um disco, um livro com as letras das músicas, fotos da autoria da banda, e histórias e ensaios saídos da pena de Hersh. A acompanhá-la nesta aventura permanece a fiel secção rítmica, composta por David Narcizo (baterista fundador há mais de trinta anos) e Bernard Georges (baixista há mais de vinte). Na rodela que acompanha o livro encontramos um total de 32 temas, que ocupam mais de uma hora, muitos deles curtos esboços, quase trechos de ligação, outros tantos canções "completas" de puro Muses vintage. Em muitos deles há uma dureza rock que parece recuperada do já longínquo Red Heaven (1992), ou talvez reflexo da experiência punky com os 50 Foot Wave, que envolvem Hersh e Georges. Mas ainda abundam os temas feitos de camadas de luz e sombras, canções pop concebidas sob uma óptica distorcida. Nestes, a autora ainda nos perturba com a suas confissões mais pessoais, que envolvem a vivência com a doença (bipolar) e impulsos suicidas nas entrelinhas. No global, francamente positivo, a grande estrela é a voz amadurecida de Kristin Hersh, ainda com aquele misto de fragilidade e insolência, mas com uma segurança adquirida com o tempo.

 
"Sunray Venus" [Throwing Music, 2013]

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

All the people he likes are those that are dead
















Foto: Pete Millson

Lawrence (sem apelidos, sff) é um dos músicos mais idiossincráticos, mas também dos mais contra-corrente, personagens da pop britânica dos últimos trinta anos. Nos idos de oitenta idealizou os Felt, para os quais escreveu algumas das letras mais ricas e complexas de que há memória. Um veículo para a reverência a Tom Verlaine e aos Television, a banda esteve longe de almejar a ambicionado sucesso comercial, apesar do firme culto gerado em seu redor e que ainda perdura. Contudo, conseguiu o principal intento aquando da formação: dez álbuns em dez anos, outros tantos singles. Em inícios da década de 1990, Lawrence encabeçou os Denim, guinada no sentido do glam-rock infectada de uma ironia corrosiva relativamente à madrasta década anterior. Menos prolífico, este projecto deixou gravados dois álbuns, e um terceiro que nunca viu a luz do dia, pura e simplesmente por causa do boicote ao tema de avanço ("Summer Smash"), lançado na mesma semana da morte de Lady Di. Com o fim do milénio chegaram os Go-Kart Mozart, até agora responsáveis por um trio de discos corroídos por impulsos synth-pop e, provavelmente, o mais discreto dos projectos, isto segundo os critérios do reconhecimento lawrencianos.

Em 2012, quando o sucesso de Lawrence é apenas um probabilidade remota para o mais devoto dos fiéis, o seu nome parece estar mais na ordem do dia que nunca. Prestes a chegar ao mercado do DVD está Lawrence Of Belgravia (dupla referência à figura histórica britânica e ao bairro de residência até ao despejo), o documentário da autoria de Paul Kelly, realizador com considerável currículo no universo indie, que passou pela última edição do London Film Festival. O filme, descrito como um "trabalho de amor", acompanha os últimos oito anos do nosso herói, com recuos ao passado de todo um errático percurso. Já à venda está Felt, um livro de fotografias de tiragem limitada a mil exemplares que, obviamente, contempla a mais emblemática banda do currículo de Lawrence. Cada exemplar é numerado e assinado pelo próprio, e o prefácio ficou a cargo de Bob Stanley, influente jornalista musical e fundador dos Saint Etienne.


Felt _ "Penelope Tree" [Cherry Red, 1983]


Denim _ "I'm Against The Eighties" [Boy's Own, 1992]


Go-Kart Mozart _ "Here Is A Song" [West Midlands, 1999]

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mixtape #10 - Wrapped Up In Books


Após a incursão cinéfila do mês passado, o April Skies continua a vaguear pelo mundo das artes, mais concretamente pela literatura. Para hoje, proponho-vos uma compilação de dezasseis temas com referências directas a livros e/ou escritores dos mais variados géneros. Como é hábito, foram criteriosamente escolhidos e alinhados a partir de um extenso naipe de opções. Hope you enjoy it!


01. PERE UBU _ "Heart Of Darkness" [1975]
02. ... AND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEAD _ "Baudelaire" [2002]
03. BAND OF SUSANS _ "The Pursuit Of Happiness" [1989]
04. MODEST MOUSE _ "Bukowski" [2004]
05. DELICATESSEN _ "Chomsky" [1995]
06. A.R. KANE _ "Lollita" [1987]
07. INSPIRAL CARPETS _ "Two Worlds Collide" [1992]
08. THE OCEAN BLUE _ "Vanity Fair" [1989]
09. THE FIELD MICE _ "End Of The Affair" [1989]
10. THE MOLDY PEACHES _ "The Ballad Of Hellen Keller And Rip Van Winkle" [2001]
11. THE CLIENTELE _ "Paul Verlaine" [2010]
12. TELEVISION PERSONALITIES _ "A Picture Of Dorian Gray" [1980]
13. THE GO-BETWEENS _ "The House That Jack Kerouac Built" [1987]
14. THE SMITHS _ "Shakespeare's Sister" [1985]
15. THE BOO RADLEYS _ "Charles Bukowski Is Dead" [1995]
16. TITUS ANDRONICUS _ "Albert Camus" [2008]

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Novo Testamento





















Ainda no domínio das leituras, chegam boas novas neste início de ano: Simon Reynolds, jornalista inglês que fez nome no extinto Melody Maker, e actual colaborador do New York Times, da Wire, e da Uncut, volta ao local do crime, quatro anos depois da "bíblia" Rip It Up And Start Again. O novo tomo, que deve ser visto como um complemento daquele, é um conjunto de apreciações do autor e entrevistas com alguns dos principais protagonistas do cenário post-punk: David Byrne, Edwyn Collins, Ari Up, James Chance, Phil Oakey, Jah Wobble, entre outros. Totally Wired chega às lojas britânicas a 5 de Fevereiro próximo.

O pacote peeliano

















JOHN PEEL Margrave Of The Marshes - His Autobiography [Corgi Books, 2006]
VÁRIOS ARTISTAS John Peel: Right Time, Wrong Speed 1977-1987 [WMTV, 2006]

Possivelmente refugo natalício, por entre os últimos gadgets tecnológicos, e pela módica quantia de € 12,95, encontra-se disponível numa cadeia de lojas com origem em terras gaulesas o pacote que acima se ilustra.
Apesar de ainda não ter ultrapassado a centena de páginas de leitura, diria que o livro por si só justifica o investimento. Inacabado aquando da morte do nosso radialista preferido de todos os tempos, em Outubro de 2004, Margrave... foi concluído por quem melhor o conhecia: a esposa Sheila Ravenscroft. Na parte já "devorada", pontuda pelo humor seco que era marca de água de John Peel, relatam-se as desventuras de um jovem de meados do século XX enquanto "vítima" do sistema de ensino britânico.
Já a compilação em formato de CD duplo, é apenas uma das muitas que se seguiram ao desaparecimento de John Peel. Vale sobretudo como documento, pois os 38 temas alinhados (Joy Division, The Cure, The Wedding Present, Laurie Anderson, The Jesus and Mary Chain, Scritti Politti, The Jam, The Fall, Associates, Half Man Half Biscuit, The Smiths, The Wild Swans, Gang of Four, The Slits, etc.) não acrescentam muitas novidades à minha "colecção" de discos. Esta é uma das poucas:


Buzzcocks "What Do I Get?" [United Artists, 1978]

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

LEITURA COMPULSIVA

CORMAC McCARTHY
Este País Não É Para Velhos
(No Country For Old Men, 2005)
[Edição Port.: Relógio d'Água, 2007]

Acabei recentemente de devorar aquela que é a última obra de um dos maiores escritores norte-americanos vivos. Drama pungente, de uma violência extrema, com a acção situada temporalmente no início da década de 1980, o livro de Cormac McCarthy retrata uma América profunda em mudança. Uma tradução sofrível (um mau hábito numa boa parte da literatura contemporânea publicada por cá) não impede que o enredo nos absorva da primeira à última página.
Como muitos já saberão, esta obra foi alvo de uma adaptação cinematográfica por parte de Joel e Ethan Coen. A ante-estreia está marcada para o próximo dia 25, por ocasião da abertura da 28.ª edição do Fantas. O debute nas salas acontece três dias mais tarde.
Sabendo da apetência dos irmãos Coen para uma certa sublimação da violência, confesso que a ansiedade se mistura com alguma apreensão em relação ao resultado. Isto apesar de algumas críticas bastante favoráveis que já li em meios usualmente insuspeitos. A ver vamos...
Para aguçar o apetite, podem ver o trailer aqui.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

PARA O NATAL...

... o meu presente eu quero que seja:

ART OF MODERN ROCK
Paul Grushkin & Dennis King
(Chronicle Books, 2004)

segunda-feira, 12 de março de 2007

BANDAS DAS NOSSAS VIDAS

MICHAEL AZERRAD
Our Band Could Be Your Life - Scenes From the American Indie Underground 1981-1991


Para aqueles que pensam não ter havido vida no indie norte-americano antes dos Pixies, dos Nirvana ou dos Pavement, recomenda-se vivamente a leitura desta edição de 2001 da autoria do jornalista musical Michael Azerrad, cujo título foi retirado das primeiras palavras da canção "History Lesson, Pt. II" dos Minutemen.
Num retrato exaustivo, conhecedor e apaixonado, o autor dedica um capítulo a cada uma das bandas consideradas fudamentais no período em causa: Beat Happening, Big Black, Black Flag, Butthole Surfers, Dinosaur Jr., Fugazi, Hüsker Dü, Minor Threat, The Minutemen, Mission Of Burma, Mudhoney, The Replacements e Sonic Youth.
Como podem verificar, à excepção destes últimos, não são bandas que na altura tenham gozado de grande culto deste lado do Atlântico, mas que constituem um legado inestimável que urge reconhecer.
Se estiverem para aí virados, leiam e vão de seguida comprar toda a discografia dos Hüsker Dü. É um acto de justiça!