"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 5 de março de 2012

His bloody Valentina
















"The boy Gedge has written some of the best love songs of the Rock 'n' Roll Era. You may dispute this, but I'm right and you're wrong!" - John Peel

Porém, de David Gedge não se espera a "canção de amor" formatada, pejada dos estereótipos que seis décadas de pop/rock estabeleceram. Dele esperam-se temas de uma visceralidade pungente, mais vezes versando uma dor-de-corno à boca cheia do que propriamente as virtudes da "coisa". Nesse particular é um mestre da escrita, vai para mais de um quarto de século. Primeiro com os The Wedding Present, autênticos embaixadores da causa indie, depois com os Cinerama, dupla conjunta com a então companheira Sally Murrell. O fim destes últimos, segundo o próprio Gedge derivado de as histórias das canções se terem tornado uma realidade, motivou o regresso dos TWP (com uma formação renovada), que desde 2004 já levam dois óptimos álbuns em linha com a faceta mais contemplativa dos Cinerama.

O terceiro (oitavo no todo) chegará em breve, mais precisamente dentro de duas semanas. Chama-se Valentina e, se não recupera totalmente a rispidez das guitarras dos primórdios, pelo menos parece querer reviver alguma da aceleração desses tempos. É o que nos leva a crer a amostra infra, e também algumas resenhas avulsas que classificam já Valentina como um dos melhores trabalhos da banda, em qualquer das suas encarnações. Pela parte que me toca, e à cautela, já não peço um novo Seamonsters (1991), pois tal parece-me irrepetível nesta fase, mas aguardo com as expectativas em alta a chegada do próximo dia 19. E já que falamos em Seamonsters, vai ser esse o disco que os TWP vão, em breve, andar a tocar por essa Europa onde ainda acontecem concertos que fujam à ditadura hipster. Cá por casa, já se entrou na contagem decrescente para o dia em que vão aterrar aqui.

"You Jane" [Scopitones, 2012]

terça-feira, 8 de junho de 2010

Discos pe(r)didos #40





CINERAMA
Va Va Voom
[Cooking Vinyl, 1998]

Em 1997, com os The Wedding Present (TWP) em banho-maria, David Gedge decide mudar de rumo. Juntamente com a companheira de então Sally Murrell a formar o núcleo duro, e uma série de colaboradores avulsos, forma os Cinerama. Pouco depois surge o primeiro álbum e, com ele, a evidência da mudança estética. Para os seguidores mais ferrenhos dos TWP, Va Va Voom representa um violento choque, abdicando em absoluto das guitarras ríspidas características da anterior banda de Gedge. O próprio ostenta agora uma nova forma de cantar, segura, terna, sem o angst por vezes berrado de outrora. Os onze temas que compõem o disco enveredam por uma toada elegante e sóbria, próxima das manifestações da pop mais sofisticada e classicista. Das melodias ternas despontam subtis arranjos de cordas, órgãos viscosos e, aqui e ali, uma guitarra wah-wah. Imaginamos as canções de Va Va Voom a servir de música de suporte a uma película filiada na tendância nouvelle vague, ou então a outra qualquer desenrolada no cenário de elegância da Swinging London. Desta propensão cinemática intencional deriva, precisamente, o nome dado ao projecto.
Mas, se musicalmente os Cinerama representam um corte abrupto com a dureza dos TWP, nas letras continuam a dispor do mais cruel analista das relações a dois que o Reino Unido pós-punk pariu. Logo no inaugural "Maniac", Gedge renega, inconsolável, o "fim de caso" que a voz feminina, no início do tema, decreta. "Hate" é o nosso bom David em modo de cinismo visceral, declarando ódio amragurado com uma ternura que faria inveja ao próprio Morrissey. O título do cúmulo da auto-comiseração, com o imploratório "Me Next" por perto, vai para "Ears", com Gedge a confessar a inevitibilade de escutar o provável alvo de uma amor platónico nos seus momentos mais íntimos. A presença, metade angelical, metade erótica, de Emma Pollock (The Delgados) só aumenta o realismo voyeurista até um nível  próximo do embaraço. Dotado escritor de canções de amor, Gedge é também capaz de destilar em palavras a sua faceta positivista e apaixonada. São os casos do tratado de devoção de "Barefoot In The Park", da volúpia incontrolável de "You Turn Me On", ou do convite à dança em grandes salões do opulento "Dance, Girl, Dance".
A aventura Cinerama haveria ainda de render mais um par de álbuns e um sem-número de singles, nos quais Gedge aproveitou para refinar a fórmula iniciada em Va Va Voom. Em 2003, com o fim do relacionamento com Murrell, decretaria também o fim do projecto. Da formação entretanto aumentada e estabilizada emergeriam os renovados TWP que, de há meia dúzia de anos para cá, continuam a dar vazão à criação deste David Gedge amadurecido.


"Maniac"


"Hate"


"Ears"

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Singles Bar #22


















THE WEDDING PRESENT
My Favourite Dress
[Reception, 1987]

"The tender caresses that bring out the man
I can't still be drunk at five, oh I guess I surely can
Slowly your beauty is eaten away
By the scent of someone else in the blanket where we lay (ohh)

There's always something left behind
There's always something left behind
Maybe next time

Uneaten meals
A lonely star
A welcome ride in a neighbour's car
A long walk home
The pouring rain
I fell asleep when you never came
Some rare delight in Manchester town
It took six hours before you let me down
To see it all in a drunken kiss
A stranger's hand on my favourite dress (ohh)

That was my favourite dress you know
That was my favourite dress (ohh)"

Revelados na mítica compilação C86 do semanário New Musical Express, os The Wedding Present (TWP) foram desde logo uma banda acarinhada pelo influente John Peel. Num período em que os The Smiths caminhavam para um fim dramático, constituíam a alternativa a toda uma geração devota das canções da dupla Morrissey & Marr. Mas, se o quarteto de Manchester fazia gala de uma certa fragilidade, já os TWP eram adeptos do rock sujo e musculado, inspirado tanto no lado mais rugoso do post-punk britânico (The Fall, Gang of Four, Josef K), como pelo que de melhor se fazia em matéria indie rock do outro lado do Atlântico. Em David Gedge, vocalista, guitarrista, letrista e principal compositor, revelava-se um exímio comentador das agruras das relações afectivas, com a crueza típica da classe operária expressa na forte pronúncia nortenha (os TWP vinham de Leeds), mas com tiradas dignas de um poeta.
My Favourite Dress foi o single de antecipação a George Best, o longa-duração de estreia, e poderá ser visto como o paradigma do som TWP: melodias circulares de guitarras ruidosas e a confissão de um homem corroído pelo ciúme e pelo vazio da perda. Com alguma raiva e muito ressentimento.



domingo, 17 de fevereiro de 2008

SEGUNDAS NÚPCIAS

O próximo mês de Maio fica marcado pelo regresso de uma das bandas fétiche deste tasco, três anos após o saudado renascimento com Take Fountain.
Os THE WEDDING PRESENT (TWP) terminaram já as gravações de El Rey, registado por Steve Albini nos seus Electrical Audio Studios, em Chicago. Segundo palavras de David Gedge, o incontornável líder e único membro da formação original da banda de Leeds, este disco será mais guitar oriented e negro que o seu antecessor.
Lembro que esta é segunda ocasião que os TWP se cruzam com o Midas Albini, depois do histórico Seamonsters (1991).
Faixas conhecidas ainda não há mas, títulos como "Don't Take Me Home Until I'm Drunk" ou "The Thing I Like Best About Him Is His Girlfriend" são o garante de que a lírica de Gedge continua a percorrer territórios conhecidos.

The Wedding Present no MySpace

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

20 ANOS


THE WEDDING PRESENT
George Best (Reception, 1987)

The boy Gedge has written some of the best love songs of the Rock ‘n’ Roll Era. You may dispute this, but I’m right and you’re wrong!” JOHN PEEL

Cumprem-se neste mês de Outubro vinte anos desde o lançamento de George Best, primeiro longa-duração dos WEDDING PRESENT.
Depois de os Smiths terem entregue a alma ao criador, tudo fazia prever que a banda de Leeds tinha o caminho livre para se tornar em breve uma das maiores bandas do Reino Unido. As coisas, no entanto, não correriam como o previsto mas, George Best continua a ser um marco incontornável da história do indie pop. Nele encontramos dois dos primeiros hinos corroídos pelo ciúme saídos da pena de David Gedge: "My Favourite Dress" e "Give My Love To Kevin".

segunda-feira, 5 de março de 2007

DISCOS PE(R)DIDOS #4

THE WEDDING PRESENT
Seamonsters (RCA, 1991)

Herdeiros predilectos dos fãs órfãos dos Smiths, os Wedding Present tinham como imagem de marca primordial as guitarras chocalhadas e canções com títulos enormes, características que levavam os detractores da banda a afirmar que as canções eram todas iguais.
No entanto, em Bizarro (1989) iniciariam uma transformção na sua sonoridade que viria a atingir a plenitude neste que é um dos dez melhores discos dos anos noventa.
Para operar a revolução, nada melhor do que contratar os préstimos de Steve Albini que, em apenas dez dias de gravação, conferiria ao som da banda uma magnitude e uma rugosidade até aí desconhecidas.
O disco até começa de forma suave com os primeiros acordes de "Dalliance", que entretanto vai crescendo até atingir uma muralha de som intransponível. "Corduroy", já anteriormente editado em single, apresentava-se aqui numa nova versão ainda mais poderosa que o original: o "refrão" era apenas um riff monstro.
Em pólos opostos estão "Suck" e "Octopussy": o primeiro o tema mais raivoso e tenso de todo o disco, o segundo a encerrar Seamonsters num raro momento de candura.
Além da evidente metamorfose sónica, outro dado relevante são as letras e a voz de David Gedge, mais maduras e mais fortes que nunca. A matéria-prima da verve de Gedge, essa, era mais uma vez a dor-de-corno.
Curiosamente, e apesar de ter antecido Nevermind em alguns meses, Seamonsters é muitas vezes catalogado como o álbum grunge dos Wedding Present. É certo que a música aqui contida deve muito a referências norte-americanas, mas de grunge terá tanto como Bandwagonesque dos Teenage Fanclub, por exemplo.