"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

R.I.P.



GEORGE "SHADOW" MORTON
[1940-2013]

Quando se pensa nos sessentas, e nos girl-groups da época, o primeiro nome que vem à cabeça, antes até do que o dos próprios agrupamentos, é o de Phil Spector. Não querendo menosprezar a importância deste fazedor de hits, a associação única e imediata talvez seja injusta para com outros que desempenharam idênticos papéis. Em particular para com Shadow Morton, produtor e compositor cujo trajecto se confunde muitas vezes com o daquele controverso personagem, e que morreu ontem, dia 14, com 72 anos de idade.

Efectivamente, em equipa com a amiga de infância Ellie Greenwich, e com o futuro marido desta Jeff Barry, Morton foi responsável por um número considerável de sucessos pop, mormente interpretados pelo quarteto feminino por ele descoberto: The Shangri-Las. Se o casal se encarregava unicamente da composição das canções, Shadow Morton dedicava-se essencialmente à produção, mas também com algumas incursões na escrita. Juntamente com a banda protegida, o trio recebeu o apoio da Red Bird, a editora criada pela dupla Jerry Leiber e Mike Stoller, verdadeiros percursores da fornada de produtores/compositores da Nova Iorque de sessentas, criadores daquilo que ficou conhecido como Brill Building. Esta coligação rendeu sucessos como "Leader Of The Pack", "Remember (Walking In The Sand)" ou "The Train From Kansas City", todas elas canções que inspirariam a vaga twee-pop de finais de oitentas.

Com o final da década de 1960 a aproximar-se, e o encerramento da Red Bird, Morton mudou de azimutes, mais concretamente para sonoridades percursoras daquilo que ficou conhecido como heavy metal. Primeiro descobriu e produziu os Vanilla Fudge, depois os bem sucedidos comercialmente Iron Butterfly. Em 1974 tentou a sua sorte com a produção de Too Much Too Soon, o segundo álbum e a segunda tentativa falhada de sucesso comercial dos New York Dolls, apesar do aplauso da crítica. A partir daí, desapareceu praticamente dos radares, passando, segundo consta, boa parte do resto da sua vida numa luta constante com o alcoolismo.

Leader Of The Pack by The Shangri-Las on Grooveshark
[Red Bird, 1964]

The Train From Kansas City by The Shangri-Las on Grooveshark
[Red Bird, 1965]

Its Too Late by New York Dolls on Grooveshark
[Mercury, 1974]

quinta-feira, 8 de abril de 2010

R.I.P.

MALCOLM McLAREN
[1946-2010]

Malcolm McLaren sucumbiu hoje a uma forma rara de cancro. Tinha 64 anos de idade.
Iniciado no mundo do showbiz através da moda, McLaren teve a primeira incursão no universo musical quando rumou aos Estados Unidos, onde concebeu as roupas e foi fugazmente agente dos já decadentes New York Dolls. Da breve experiência americana trouxe notas para um plano ambicioso. De volta a Inglaterra, tornou-se manager, porta-voz e, segundo o próprio, ideólogo, dos Sex Pistols, símbolo maior do rastilho punk que mudou irreversivelmente o curso da música popular dos últimos 35 anos. A ligação aos Pistols terminou em escassos meses e de forma quezilenta. Antes de se aventurar em nome próprio, em discos que vagueiam pelo hip-hop, pelas electrónicas, e pelo muzak, McLaren ainda teve tempo para gerar novas ondas de choque como conspirador por detrás dos Bow Wow Wow, banda com letras de teor sexual explícito na qual pontificava a adolescente Annabella Lwin.
Visionário astuto, mas também controverso, desbocado, e controlador, McLaren assegurou, por direito próprio, um lugar na História. Depois da experiência amarga com os Pistols, um Johnny Rotten inflamado de ressentimento, e agora rebaptizado de John Lydon, dirigia-se-lhe nestes termos no primeiro single da sua nova banda:

"Two sides to every story
Somebody had to stop me
I'm not the same as when I began
I will not be treated as property" 


Public Image Ltd. "Public Image" [Virgin, 1978]