"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 23 de maio de 2010

10 anos é muito tempo #21




GRANDADDY
The Sophtware Slump
[V2, 2000]

Desde a data da sua edição que The Sophtware Slump é insistentemente descrito como a versão norte-americana de OK Computer. Efectivamente, tal como o clássico dos Radiohead, o segundo álbum dos californianos Grandaddy pinta o quadro de um mundo distópico, vergado à ditadura da tecnologia, e inclui também no alinhamento um tema longo composto de secções distintas (o inaugural "He's Simple, He's Dumb, He's The Pilot"). Pela parte que me toca, a ter de estabelecer qualquer comparação, prefiro olhar para The Sophtware Slump como o terceiro vértice do triângulo que melhor representa a "nova América cósmica", o qual se começou a desenhar nos dois anos anteriores com as edições sucessivas de Deserter's Songs e The Soft Bulletin. Acho também que, relativamente aos antecessores, o disco dos Grandaddy é percorrido por um maior sentido de humanidade e proximidade - muito por culpa da voz frágil, nasalada, mas profundamente calorosa de Jason Lytle -, que dispensa os devaneios sinfónicos dos Mercury Rev e a pompa multicolorida dos Flaming Lips.
Assumidamente conceptual, The Sophtware Slump tem como personagem central um tal de Jed, um robô caído no alcoolismo depois de se ver ultrapassado pelos mais recentes updates tecnológicos. Este tema dá o mote para um conjunto de canções que deixam escorrer sentimentos como a solidão num mundo super-povoado e acelerado, a nostalgia, a alienação, e o romantismo agridoce. Trespassado por constantes intromissões de electrónicas rudimentares, The Sophtware Slump esquiva-se airosamente à matriz próxima do country-rock, estabelecendo um mundo paralelo em que tradição e modernidade coabitam. Embora coeso e detentor de uma notável homogeneidade, o disco surpreende pela sua riqueza estilística, que abrange o space-rock (o citado tema de abertura), as descargas rockeiras ("The Crystal Lake", "Chartsengrafs"), e ainda um conjunto de baladas do mais profundo e tocante abandono ("Hewlett's Daughter", "Jed The Humanoid", e o mesmerizante "Miner At The Dial-A-View").
Editado nos primeiros meses de 2000, The Sophtware Slump faz parte daquele grupo restrito dos grandes discos dessa década que aí se iniciava e, ao qual, estranhamente, não é reconhecido o devido crédito. É também o ponto alto da carreira de uma banda que até aí parecia condenada a mera nota de rodapé como um dos muitos sucedâneos dos Pavement nascidos na década de 1990.


"Hewlett's Daughter"


"He's Simple, He's Dumb, He's The Pilot"


"Chartsengrafs"

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Vidas solitárias









Três anos depois do fim dos deliciosos Grandaddy, o frontman e principal compositor Jason Lytle prepara-se para a estreia a solo com Yours Truly, The Commuter. De então para cá, o skater com ar de lenhador, abandonou a Califórnia natal e rumou a Norte, ao estado do Montana. Neste novo poiso, encontrou o recolhimento essencial à confecção desta dúzia de canções na linha melancólica agridoce do fabuloso The Sophtware Slump (2000). O disco chega às lojas a 19 de Maio, com selo da Anti-, e arrisca-se a ser um dos mais bonitos do ano.
http://www.myspace.com/jasonlytle

Jarvis Cocker vai já no segundo disco em solitário desde a dissolução desse símbolo da kitchen sink song que deu pelo nome de Pulp. Se no disco de estreia de 2006 as opinião se dividiram, não me parece ser o novo Further Complications (Rough Trade, 18 de Maio) que vá gerar consenso. Neste, a aspereza das guitarras impõe-se aos resquícios do crooning a que estavam habituados os conhecidos de longa data. A produção - pasme-se - foi entegue ao irascível Steve Albini.
http://www.myspace.com/jarvspace