"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Isto é uma história de produtividade que já tem barbas













Não deve ser fácil a vida dos seguidores mais acérrimos de Robert Pollard, tal o caudal de edições com que este os presenteia. Só desde que desmantelou os Guided by Voices, no final de 2004, e entre discos em nome próprio ou com os mais variados projectos, a coisa já ultrapassa largamente as duas dezenas. O melhor de tudo isto é que, pelo menos nos casos com que tomei contacto, a média qualitativa é consideravelmente alta.

Tal como julgo que não deverá ser fácil a vida dos restantes integrantes dos Boston Spaceships (o multi-instrumentista Chris Slusarenko e o baterista John Moen, este também dos The Decemberists), permanentemente confrontados com o fantasma de uma entidade como os GBV. Mas nada que pareça afectar a produtividade do trio pois, nos três anos que leva no activo, aquele que é talvez o mais visível dos projectos actuais de Pollard conta já cinco álbuns. O mais recente é Let It Beard, um duplo definido pelos próprios como "a subconscious concept album about the sorry state of rock and roll" (mais um, portanto!). 

Mas nada disto seria grande novidade se este não fosse um fulgurante trabalho, sem qualquer ponta de exagero, capaz de ombrear com os melhores discos da extensa obra dos GBV. E, como bónus, desta feita os 26 temas não se limitam a ser meros esboços, mas sim canções de corpo inteiro. Apesar da variedade estilística, não passam, como já habitual no seu autor, de extensões da profunda adoração de Pollard por bandas como The Who e The Beatles, ainda que soem como gravados ao primeiro take. Por fim, para desfazer o cepticismo daqueles que julgam o lo-fi como algo desprovido de qualquer técnica, enumerem-se alguns dos ilustres convidados, todos com créditos firmados na arte de manusear as cordas da guitarra: J Mascis (Dinosaur Jr.), Steve Wynn (Dream Syndicate), Colin Newman (Wire), e Mick Collins (The Dirtbombs). Segue uma amostra, uma das muitas possíveis que não envergonham Pete Townshend da sua descendência:


"Tabby And Lucy" [Guided by Voices Inc., 2011]

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Em escuta #40










BOSTON SPACESHIPS The Planets Are Blasted [Guided by Voices Inc., 2009]

Desde que extingui a instituição Guided by Voices em finais de 2004, Robert Pollard aproveitou para editar em nome próprio todos os esboços de canções que tinha na gaveta. Cedendo a um impulso gregário, surge agora à frente do power-trio Boston Spaceships, no qual continua a dar vazão a uma produtividade singular - este é já o segundo álbum no espaço de meio ano! A pretexto de mais uma prova de adoração aos The Who, e com um inesperado cuidado na produção, oferece-nos o melhor conjunto de canções desde Earthquake Glue (2003), com a habitual fixação por UFOs e entidades místicas. Os temas, invariavelmente curtos e rasgadinhos, poderão satisfazer as necessidades dos saudosistas de uns R.E.M. de outras eras. [8]


THE PHANTOM BAND Checkmate Savage [Chemikal Underground, 2009]

Escassos segundos de escuta desta obra inaugural são o bastante para percebermos a filiação kraut deste sexteto escocês. Mais à frente, reconhecemos tanto o apuro melódico dos The Delgados, como o traço insano da Beta Band. Lembrar também a frieza distante dos Wire de 154 não é de todo descabido. Conjugados, estes ingredientes fazem de Checkmate Savage um daqueles discos inclassificáveis, em que cada audição revela um novo detalhe. As atmosferas criadas variam entre a melancolia gélida e a beleza enigmática. [8,5]


CYMBALS EAT GUITARS Why There Are Mountains [edição de autor, 2009]

"And The Hazy Sea", o soberbo tema de abertura de Mountains, coloca a devastação emocional dos Built to Spill na montanha russa: são seis minutos de constante alternância entre crescendos e momentos planantes. No que se segue, a bipolaridade do vocalista, ora confessional, ora possesso, qual Isaac Brock em crise de ansiedade, mantém a intensidade dramática em alta. Musicalmente, cada tema constitui uma estrutura complexa e pouco comum para os cânones rock. De Nova Iorque, e nos tempos que correm, estes são sons completamente inesperados. Talvez por isso, os Cymbals Eat Guitars (nome algo tolo) não tenham qualquer contrato discográfico assinado. Mas palpita-me que esta situação se vai alterar em breve... [8,5]