"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
Morreu ontem, aos 88 anos e, ironicamente, na paz do sono, Jim Marshall, proclamado The Father of Loud. Se à partida o nome deste velhinho simpático diga pouco a muito boa gente, talvez o caso mude de figura se dissermos que, em inícios de sessentas, criou os célebres amplificadores Marshall. A partir daí, como se sabe, a guitarra tornar-se-ia uma ameaça séria aos tímpanos de todos os apreciadores do rock tocado alto-e-bom-som. Pelo feito, acabaria por ser distinguido com a Ordem do Império Britânico.
A sua criação é especialmente venerada nos meandros do heavy metal, universo no qual uma parede de amplificadores Marshall é um cliché mais que gasto. Mas também por muitos virtuosos da guitarra dados ao perfeccionismo. Entre os nomes mais caros a este pasquim, há também uma lista infindável de músicos que usaram e abusaram das possibilidades sónicas proporcionadas por Marshall. São os casos de Kurt Cobain (que morreu exactamente 18 anos antes), Thurston Moore, J Mascis, Jimi Hendrix, ou esse ícone maior da guitarra que dá pelo nome de Pete Townshend. É este último que recordamos, décadas antes de andar a alertar a juventude para os riscos de se ouvir música demasiado alto. Precisamente naquele episódio, já lendário na história do rock, que envolve explosivos em carga excessiva. Uma cortesia do impagável Keith Moon.
Morreu no passado domingo, aos 84 anos de idade, o cineasta britânico Ken Russell. Com uma carreira iniciada na televisão na longínqua década de 1950, foi um experimentalista que não dispensava a controvérsia nos seus filmes, normalmente obcecados com a sexualidade e os ataques corrosivos à Igreja. Da sua filmografia destaca-se Women In Love (1969), obra premiada que se baseou no romance homónimo de D. H. Lawrence.
Amante da música, Russell dedicou obras biográficas, num registo bastante livre, a compositores eruditos como Mahler, Debussy, Richard Strauss, Wagner, ou Liszt, todas elas com especial ênfase na tónica das fantasias sexuais. Já os seguidores de músicas de cariz mais popular, recorda-lo-ão como realizador de Tommy, a ópera-rock que marcou a ascenção megalómana dos The Who, adaptada pelo próprio juntamente com Pete Townshend a partir do álbum de 1969 com o mesmo título.