Como blogue actual que se preza, o April Skies não poderia deixar passar em claro o "acontecimento" do dia, ou quiçá do ano, em metade da blogosfera: o lançamento do novo disco dos Vampire Weekend, o segundo depois da estreia homónima que combinava as "africanices" de Paul Simon e dos Talking Heads com a atitude totó (mas sem o estilo) dos Orange Juice. Admito até que Vampire Weekend contivesse algumas ideias interessantes, mas nada que justificasse a elevação da banda nova-iorquina aos píncaros da inovação.
Quanto ao novo Contra, depois de várias escutas atentas, este que vos escreve divide-o em duas partes distintas:
- Uma primeira parte na qual os betinhos, munidos dos seus teclados Bontempi, invocam a memória do inenarrável Zé Figueiras da fase tirolesa. Estes primeiros temas são banda sonora indicada para bater palminhas e ensaiar algumas coreografias patetas;
- Na segunda metade, aposta-se em canções essencialmente mais contidas na excentricidade. Detectam-se algumas aproximações às linguagens dançantes desenvolvidas no último dos Franz Ferdinand, com resultados igualmente desapontantes. Aqui e ali, há também uma ou outra incursão pela grandiosidade de uns Last Shadow Puppets, mas faltam a Ezra Koenig 9/10 do talento de Alex Turner na nobre arte de escrever canções.
Convém ainda referir que, dispersas pelo disco, as linguagens musicais provenientes das Caraíbas ocupam algum do espaço que no registo prévio pertencia em exclusivo às tendências afro. Prevê-se pois que, em breve, muitos dos scenesters da nossa praça ocupem uma boa parte do seu tempo a vasculhar velhos discos de música tradicional da República Dominicana e do Haiti...







