"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 22 de maio de 2012

Um lugar na costa


















Um pouco à semelhança do sucedido com outros "movimentos" no passado, também o contingente norte-americano de devotos da C86 parece esmorecer depois do fulgor inicial. Basta referir os últimos registos de gente como as Vivian Girls ou as Dum Dum Girls, que não sendo propriamente desprezíveis, ficaram longe de gerar o entusiasmo das respectivas estreias. Quanto aos xoninhas The Pains of Being Pure at Heart, a desilusão foi tal que prefiro não me alongar em considerandos. Agora chegou a prova de fogo para os Best Coast, se bem se lembram a dupla responsável por Crazy For You (2010), celebração da eterna adolescência sob o sol da Califórnia. No dito, a vistosa Bethany Cosentino deixava também recados apimentados ao namoradinho, o tal moço dos Wavves que se tornou alvo da inveja de qualquer indie-kid.

A julgar pelo título, o novo The Only Place procura ainda inspiração na terra de acolhimento. Produzido pelo credenciado Jon Brion (Aimee Mann, Evan Dando, Sean Lennon, Spoon), o segundo disco privilegia o sentido melódico, algo no qual conta com prestação competente do multi-instrumentista Bobb Bruno, compincha inseparável de Bethany. Contudo, mais "despido" do que o disco de estreia, The Only Place peca pela quase omissão daquele travo surfy que fazia de Crazy For You uma festa constante. Excepções para o tema título que ainda faz da praia e da diversão prioridades, ou para "Do You Love Me Like You Used To", este quase um remake simplista do badalado "Boyfriend". Também nas letras há significativas mudanças. A nossa Bethany é agora uma mulher quase crescida. Numa audição não necessariamente atenta, detecta-se uma atenção aos sábios  conselhos maternos e até algum remorso. A título de exemplo, remeto-vos para a quase-balada "How They Want Me To Be" e para "Last Year", o último desenvolvido num ritmo próximo da valsa. Em suma, após o "choque" inicial, debelado por insistentes audições, digamos que não sendo a promessa de festa para o próximo Verão, The Only One poderá ser companhia agradável naqueles momentos mais reflexivos que a época estival também deve ter.


"The Only Place" [Mexican Summer, 2012]

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ao vivo #62














Best Coast + Iconoclasts @ Lux Frágil, 19/04/2011

Desde a primeira vez que me cruzei com ela, há perto de um ano, muito mudou na vida de Bethany Cosentino e dos seus Best Coast. A diferença mais notória é, desde logo, o alargamento da banda a um trio permanente. A mais significativa foi a saída de um primeiro álbum recheado de pequenos rebuçados indie-pop que fez dos Best Coast um caso raro de aceitação massificada dentro desta tendência, e da sua mentora a líder mediática da brigada de carinhas larocas do novo derivado lo-fi norte-americano.

Com as catacumbas do Lux apinhadas, pareciam estar reunidas as condições para a consagração definitiva deste pequeno "fenómeno". Mas eis que, desde o primeiro instante, a coisa dá para o torto: a qualidade do som que sai das colunas está muito para além do sofrível, e a responsabilidade exclusiva é do batalhão de "técnicos" inaptos que se acotovelam atrás da mesa. Lá para o terceiro tema, depois de grande azáfama, quais baratas-tontas, e talvez por obra do acaso, a coisa assume condições minimamente aceitáveis (isto se descontarmos o irritante feedback que se assoma sem qualquer nexo casual). Quando tudo parecia entrar nos eixos, torna-se por demais evidente a má forma "física" da voz de Bethany, que apenas consegue atinar ligeiramente nas partes mais agitadas de cada canção. Nos temas novos, não sei se por desconhecimento da minha parte, se por diferente orientação melódica, a moça lá consegue, a esforço, dar conta do recado. 

Quero acreditar que a causa do desastre possa ter sido a saturação dos temas mais rodados, ou até a ingestão de líquidos alcoólicos em quantidades excessivas da qual fomos avisados. Porém, qualquer que seja o motivo, perdeu-se uma oportunidade, talvez única, de convencer os cépticos que por aí pululam. Mas vejamos a coisa pelo lado positivo: até houve simpatia, até houve vários pedidos de desculpas, e o final de concerto até foi relativamente animada. E não foi de alívio, acreditem-me.

À hora da minha descida aos substerrâneos, já o palco era ocupado por uns tais de Iconoclasts (lisboetas, tira-se logo pela pinta). Ao cabo de um par de temas, já tinha assistido ao desfile, numa cadência algo trapalhona, de uma boa mão cheia das tendências dominantes da última década: guitarrinhas nervosas e afiadas, sintetizadores ora dissonantes ora planantes, batidas trepidantes, combinação de vozes feminino/masculino em modo histriónico, alguma marotice disfarçada de ingenuidade... Isto, traduzido em nomes, é como no palco se atropelassem Arcade Fire, Love is All, Yeah Yeah Yeahs, Liars, Los Campesinos! e, por fim, num desvario percutivo despropositado, a banda tributo aos reinventados These New Puritans... Há por ali atitude poseur não desprezável e até um corte de cabelo desenhado a régua e esquadro, faltam sentido de orientação e contenção...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A dar à costa
















Foto: Steven Andrew Garcia

Bethany Cosentino já não é propriamente uma novata no meio do novo lo-fi norte-americano que brota, essencialmente da Califórnia, pois, durante anos, militou nos relativamente exploratórios Pocahaunted. No ano transacto, talvez cansada de papéis secundários, abandonou aquela banda e deu por iniciada a aventura de um novo projecto, no qual tem sido o único elemento fixo. Fala-vos dos Best Coast, nome gerador de algum buzz com o par de EPs que já leva no currículo. Para inícios do próximo mês está marcada a prova de fogo, com a edição de Crazy For You, primeiro longa-duração com selo da Mexican Summer que, por entre referências avulsas às Ronettes, promete um Verão interminável. Enquanto não chega, pode ser escutado na íntegra aqui.