"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Façam soar as pandeiretas!
















Apesar do curto período de vida, e de nunca terem chegado sequer a gravar um álbum, os Black Tambourine têm o seu nome gravado a ouro no livro da música independente norte-americana. Foram, sem concorrência à altura, uma espécie de fundadores, em território dos states, de uma linguagem indie-pop em linha com as bandas adjacentes à C86 britânica. Amigos do fuzz, seguidores das bandas de miúdas ligadas a Phil Spector, e admiradores da simplicidade inane dos Ramones, tal qual os inspiradores The Pastels ou Shop Assistants, deixaram para a posteridade não mais que cerca de uma dezena de temas. Desde a extinção, em 1991, com alguns membros a transitar para os igualmente recomendáveis Velocity Girl, não pararam de surgir as bandas a reconhecer-lhes o papel tutelar, com especial incidência na última meia dúzia de anos, prolífera na recuperação destas sonoridades indie/twee/lo-fi (olá The Pains of Being Pure at Heart!, olá Vivian Girls, olá Dum Dum Girls!). 

Há coisa de dois anos, por alturas da reedição aumentada da compilação com a sua obra integral, o quarteto reuniu-se fugazmente para gravar um tema nela incluída, na circunstância uma versão de "Dream Baby Dream", dos Suicide. O encontro parece ter reacendido a velha chama, pois a banda acaba de anunciar o regresso para uma série de concertos, para já apenas planeados para a terra natal. Mas as boas notícias não ficam por aqui, pois como forma de financiar as deslocações, visto que já nem todos os membros residem na área de Washington, D.C., a banda prepara-se para editar OneTwoThreeFour, um EP em formato de duplo 7", recheado com quatro versões de originais dos adorados Ramones. Na lista de vozes convidadas incluem-se Rose Melberg e Dee Dee (Dum Dum Girls). Resta cruzar os dedos para que uma alma caridosa se lembre de os incluir no cartaz de certo e determinado festival europeu. Enquanto sonhamos acordados, let's look at the trailer! E depois recuemos uns bons vinte aninhos...

OneTwoThreeFour Radio Spot [Slumberland, 2012]

"For Ex-Lovers Only" [Slumberland, 1992]

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Good cover versions #47











BLACK TAMBOURINE _ "Dream Baby Dream" [Slumberland, 2010]
[Original: Suicide (1981)]

Duo sobremaneira influente em todos os sub-géneros da música electrónica que lhe sucedeu, os Suicide foram também os provocadores aos quais nem a ebulição punk da Nova Iorque de finais de 1970 soube adequar-se. Convenhamos que não seria difícil reagir com alguma estranheza à fórmula inaudita da banda, caracterizada por uma frieza maquinal e por um distanciamento sinistro. Os sintetizadores de Martin Rev eram minimalistas e atonais. Igualmente económico nas palavras, Alan Vega debitava as letras em formato lenga-lenga de um modo muito peculiar, mais declamado que cantado. "Dream Baby Dream" não foi sequer um assomo de sucesso, porque os Suicide nunca chegaram lá perto, mas é um dos temas mais reconhecíveis da intermitente carreira do duo e que resume na perfeição o seu modus operandi.
Certamente ainda menos aceites junto do grande público, os Black Tambourine desempenharam, igualmente e à sua maneira, papel determinante nos desenvolvimentos da pop nos últimos vinte anos. No curto período de actividades, tiveram o mérito de inaugurar uma linguagem puramente indie-pop, tal como entendida pelos britânicos, no cenário musical norte-americano. Se atentarmos nas hordas de jovens munidos de guitarras distorcidas que os Estados Unidos têm parido nos últimos 3/4 anos, há que reconhecer aos BT influência de grau equiparado à dos escoceses (e esquecidos) Shop Assistants. Talvez com o intuito de reclamar os louros, tiveram uma reunião fugaz no ano passado, a fim de registar alguns extras para a reedição da compilação que reúne toda a sua (escassa) obra. Um dos temas captados foi precisamente esta transfiguração de "Dream Baby Dream" que, longe do ambiente opressivo dos Suicide, recupera, passadas quase duas décadas, o espírito BT primordial: guitarras entre o adocicado e o ruidoso, texturas spectorianas, pureza idílica, e voz incrivelmente imaculada de menina de Pam Berry. Neste registo, o título até soa mais adequado...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Discos pe(r)didos #34


BLACK TAMBOURINE
Complete Recordings
[Slumberland, 1999]

Em finais da década de 1980, o universo indie norte-americano estava praticamente confinado às expressões descendentes da rebelião hardcore que haveriam de evoluir para a explosão "alternativa" de inícios da década seguinte. As excepções mais conhecidas eram os Galaxie 500 com a sua pop sonhadora em tons sépia, e o contigente twee-pop divulgado por Calvin Johnson através da K Records (com os seus Beat Happening incluídos). Banda bem menos conhecida - até porque de carreira extremamente breve - a contrariar este estado de coisas foram os Black Tambourine, o que não deixa de ser tão mais surpreendente quando temos em conta que este quarteto era originário de Washington, D.C., um dos bastiões hardcore. No curto espaço de tempo que estiveram activos (entre 1989 e 1991), reza a história que os Black Tambourine deram apenas quatro concertos. No mesmo período, deixaram registada uma escassa dezena de temas, sete deles incluídos nos dois singles editados, e os restantes espalhados por compilações. É precisamente este curto acervo que constitui o alinhamento de Complete Recordings, oportunamente lançado pela Slumberland Records, mesmo a tempo de anteceder o súbito revivalismo indie de travo british que tem assolado o território dos Estados Unidos. Movimento no qual, diga-se, esta editora tem tido um papel preponderante ao lançar bandas como Crystal Stilts e The Pains of Being Pure at Heart, só para citar algumas.
Efectivamente, toda a filiação musical dos Black Tambourine provêm de solo britânico, com especial enfoque no fuzz/dream pop do seminal Psychocandy e da mítica cassete NME C86 que lhe sucedeu. Por esta altura já se terá percebido que os Black Tambourine idolatravam bandas como The Jesus and Mary Chain e Shop Assistants, mas também, mais moderadamente, 14 Iced Bears e The Pastels. Por conseguinte, Complete Recordings está pejado de melodias pop cintilantes afogadas em generosas doses de ruído. Isso se percebe logo no inaugural "For Ex-Lovers Only", anunciado por uma muralha de feedback à qual se juntam uma bateria cavalgante a ecoar na wall of sound e a voz angelical de Pam Berry. Paradigma da sonoridade do quarteto é, eventualmente, "Black Car", uma semi-balada imersa em reverberação na qual a vocalista parece soar como alguém que sonha acordada. A óbvia referência aos heróis, concretamente aos Pastels na pessoa de Annabel "Aggi" Wright, fica a cargo de "Throw Aggi Of The Bridge", tema da melhor bublegum-pop e que constitui o momento mais electrizante de todo o alinhamento.
Derivado da falta de experiência da banda, como é óbvio, nem todos os temas constituem gemas pop do mesmo quilate dos citados. Alguns, inclusive, soam como boas ideias ainda em tosco que poderiam ter vindo a indicar pistas para um futuro que não ocorreu. É o caso de "We Can't Be Friends", exemplo da jovialidade pop que metade dos quatro Black Tambourine viria a desenvolver nos deliciosos Velocity Girl, banda igualmente lançada pela Slumberland que viria a obter algum reconhecimento com os dois primeiros do trio de álbuns lançados pela Sub Pop.


"Black Car"


"Throw Aggi Of The Bridge"

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Às compras, na Slumberland...

Numa visita recente ao sítio da Slumberland Records, com o intuito de adquirir o álbum dos Crystal Stilts, não tive como resistir a outros tesouros à disposição do cliente. Como estes dois, por exemplo:

BLACK TAMBOURINE
Complete Recordings [1999]

Se a importância de uma banda se medisse pelo volume da obra gravada, então os Black Tambourine (BT) não chegariam sequer a ser uma nota de rodapé no Grande Livro da História do Indie Pop. No curto período de vida - em inícios da década passada - deixaram registadas apenas 10 canções, todas elas incluídas nesta compilação. Fortemente influenciados pelas produções de Phil Spector nos idos de sessenta, tal como muitos dos seus congéneres escoceses, o papel dos BT foi determinante na criação das bases para uma "cena" indie pop norte-americana, ao ponto de, ainda hoje, serem citados entre as referências de diversas bandas. Como as Vivian Girls, por exemplo.

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VELOCITY GIRL
6 Song EP [1993]

Com o fim prematuro dos Black Tambourine, alguns dos seus membros passaram a dedicar-se em pleno ao projecto em que se envolviam simultaneamente, e cujo nome foi retirado de uma das primeiras canções dos Primal Scream- os Velocity Girl (VG).
Antes de assinarem pela Sub Pop, os VG também fizeram parte do catálogo da Slumberland, para a qual gravaram apenas dois singles, cujos temas se encontram reunidos neste EP-compilação. Entre eles está "Forgotten Favorite", uma brilhante canção onde já se vislumbram todos os traços da sonoridade que faria a fama dos VG: uma mistura bem urdida de twee, dream e noise pop.
Após o contrato com a editora de Seattle, como muitos de vós sabereis, os VG tornar-se-iam uma das mais importantes bandas indie pop estado-unidenses com vocalistas femininas de meados de noventas, muitas vezes comparados aos Helium e aos Belly. Cessaram funções em 1997, data a partir da qual a carismática vocalista Sarah Shannon tem desenvolvido uma discreta carreira a solo.

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