"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Good cover versions #47











BLACK TAMBOURINE _ "Dream Baby Dream" [Slumberland, 2010]
[Original: Suicide (1981)]

Duo sobremaneira influente em todos os sub-géneros da música electrónica que lhe sucedeu, os Suicide foram também os provocadores aos quais nem a ebulição punk da Nova Iorque de finais de 1970 soube adequar-se. Convenhamos que não seria difícil reagir com alguma estranheza à fórmula inaudita da banda, caracterizada por uma frieza maquinal e por um distanciamento sinistro. Os sintetizadores de Martin Rev eram minimalistas e atonais. Igualmente económico nas palavras, Alan Vega debitava as letras em formato lenga-lenga de um modo muito peculiar, mais declamado que cantado. "Dream Baby Dream" não foi sequer um assomo de sucesso, porque os Suicide nunca chegaram lá perto, mas é um dos temas mais reconhecíveis da intermitente carreira do duo e que resume na perfeição o seu modus operandi.
Certamente ainda menos aceites junto do grande público, os Black Tambourine desempenharam, igualmente e à sua maneira, papel determinante nos desenvolvimentos da pop nos últimos vinte anos. No curto período de actividades, tiveram o mérito de inaugurar uma linguagem puramente indie-pop, tal como entendida pelos britânicos, no cenário musical norte-americano. Se atentarmos nas hordas de jovens munidos de guitarras distorcidas que os Estados Unidos têm parido nos últimos 3/4 anos, há que reconhecer aos BT influência de grau equiparado à dos escoceses (e esquecidos) Shop Assistants. Talvez com o intuito de reclamar os louros, tiveram uma reunião fugaz no ano passado, a fim de registar alguns extras para a reedição da compilação que reúne toda a sua (escassa) obra. Um dos temas captados foi precisamente esta transfiguração de "Dream Baby Dream" que, longe do ambiente opressivo dos Suicide, recupera, passadas quase duas décadas, o espírito BT primordial: guitarras entre o adocicado e o ruidoso, texturas spectorianas, pureza idílica, e voz incrivelmente imaculada de menina de Pam Berry. Neste registo, o título até soa mais adequado...

1 comentário:

Sophie Smith disse...

é tão raro encontrar alguém neste país que tenha a dignidade de conhecer Black Tambourine. Haja alguma esperança :)