"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
Mostrar mensagens com a etiqueta Vaselines (The). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vaselines (The). Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de março de 2011

Good cover versions #50
















NIRVANA _ "Molly's Lips" [DGC, 1992]
[Original: The Vaselines (1987)]

Já faz parte do anedotário pop a dissolução dos The Vaselines, ocorrida, sem glória, precisamente na mesma semana do lançamento do primeiro álbum. Contudo, não ficariam totalmente esquecidos. Já ícone global junto do mainstream, Kurt Cobain pregou aos sete ventos a sua paixão pela pureza ingénua da música da dupla de Glasgow, bem como da de outros conterrâneos (Teenage Fanclub, The Pastels). A influência de Cobain acabaria por resultar numa reunião fugaz a convite (com quase duas décadas de antecedência do regresso a tempo inteiro), e na reedição, por parte da Sub Pop, da "obra integral" compilada em The Way Of The Vaselines.

Também no "pacote" de adoração aos The Vaselines, os Nirvana gravariam, inclusive, uma versão de estúdio de "Molly's Lips", tema que habitualmente fazia parte do set dos concertos para audiências progressivamente mais numerosas, já depois de instalado o "fenómeno". O resultado deixa a nu as raízes punk do trio, bem patentes no riff cortante e repetitivo, ao mesmo tempo que não esconde um certo apego à simplicidade pop. Em todo caso, difere substancialmente do original, típico twee desengonçado com um travo country, à boa "maneira Vaselines", interpretado pela voz de menina de Frances McKee, cujo nome próprio acabaria por ser o da filha do próprio Cobain. A inspiração para a canção, essa partiu dos lábios expressivamente vermelhos de uma personagem interpretada pela actriz escocesa Molly Weir numa série infantil da BBC.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sex sux? Amen.
















Foto: Wattie Cheung

Vinte anos são uma boa parcela de uma vida. No mundo da pop, então, são uma eternidade. É precisamente esse o período de tempo decorrido desde o primeiro e único álbum dos escoceses The Vaselines, banda que, a brincar, a brincar, acabou por se tornar uma das maiores referências do chamado twee-pop. Pormenor caricato é que, mesma semana que esse disco (Dum-Dum, de sua graça) era editado, a banda cessava funções. Os Vaselines pareciam assim condenados ao esquecimento, até que um sujeito baptizado Kurt Cobain começa a apregoar a sua devoção por aquelas canções frágeis nas quais Eugene Kelly e Frances McKee trocam piropos disfarçados de falsa ingenuidade. Através das versões dos Nirvana ("Son Of A Gun", "Molly's Lips" e "Jesus Doesn't Want Me For A Sumbeam") a música dos Vaselines chegava finalmente a um público mais alargado. Por alturas do apogeu dos Nirvana, Kelly e McKee cederam inclusive a convites para aparições esporádicas nos concertos daqueles. De há dois anos a esta parte, a dupla reaparecida sob a designação The Vaselines tem percorrido o mundo numa intensíssima agenda de concertos, um dos quais tive a felicidade de assistir há pouco mais de um ano. Contudo, nada nos tinha preparado para a boa nova: os Vaselines estão de regresso aos discos! O novo álbum dá pelo sugestivo título de Sex With An X e chega às lojas em Setembro próximo. Em baixo apresenta-se o primeiro avanço, augúrio de um regresso abençoado. O título e a letra podem não ser o garante do sucesso massivo, mas têm a minha inteira aprovação.


"I Hate The 80's"
[Sub Pop, 2010]

terça-feira, 26 de maio de 2009

Postais primaveris - Parte V: Indie vintage












THROWING MUSES
Olhados com desconfiança quando se tornaram a primeira banda norte-americana no catálogo da 4AD, os Throwing Muses são hoje uma das bandas sobreviventes da fornada indie de oitentas. Nos tempos áureos, destacaram-se pelas canções de estrutura pouco óbvia, as letras torturadas de Kristin Hersh e, esporadicamente, a luminosidade de Tanya Donelly. Com a partida da meia-irmã para outras aventuras, Hersh, que parece ter encontrado um certo equilíbrio emocional, tem mantida viva uma chama que teima em resistir. Sempre com a preciosa colaboração do fiel baterista David Narcizo.

"Vicky's Box"
[4AD, 1986]











SAINT ETIENNE
Criação do jornalista e estudioso pop Bob Stanley, os Saint Etienne destacaram-se no início da década de 1990 ao incorporar batidas de dança em canções de forte tempero pop. Sempre com o olhar fixo nas memórias da Swinging London de sessentas, a banda tem sabido manter uma carreira em grande estilo e sem sobressaltos, introduzindo amiúde pequenas novidades que não descaracterizam uma sonoridade muito própria. O charme clássico da vocalista Sarah Cracknel é um dos seus maiores trunfos.

"Nothing Can Stop Us"
[Heavenly, 1991]











THE VASELINES
Uma semana após a edição do primeiro e único álbum, Eugene Kelly e Frances McKee puseram fim à breve carreira dos Vaselines. Quando tudo parecia indicar que a banda se tornasse apenas uma nota de rodapé na cena indie twee proveniente de Glasgow na segunda metade da década de 1980, eis que surge Kurt Cobain a declarar o seu amor pelas composições ingénuas da dupla. A reboque da associação aos Nirvana (que chegaram a gravar duas covers dos Vaselines), a Sub Pop haveria de reunir a totalidade da sua obra no fundamental The Way Of The Vaselines (1992). Mais do que uma manobra de saudosismo, a recente reunião afigura-se como uma oportunidade única de reavivar um passado que urge descobrir.

"Son Of A Gun"
[53rd & 3rd, 1987]












TH' FAITH HEALERS
Originalmente activos entre 1990 e 1994, os Faith Healers foram, não só um dos primeiros nomes revelados pela então promissora Too Pure Records, como pioneiros da recuperação do kraut - em particular dos Can, dos quais gravaram uma versão de "Mother Sky" - em cenário indie rock. Completamente desenquadrada das tendências vigentes, a sua música densa, hipnótica, e algo tresloucada, receberia o aplauso de John Peel, que chegou a convidar a banda para algumas das suas afamadas sessões radiofónicas. No preciso momento em que a sua influência parece estar mais viva que nunca, os Faith Healers regressam para recolher a merecida recompensa.

"My Loser"
[Too Pure, 1992]













THE BATS
Embora nascidos na cidade neo-zelandesa de Christchurch, os Bats acabariam por ficar intimamente ligados à influente "cena" de Dunedin, a mesma que revelou nomes como The Clean, The Chills, The Verlaines, ou Bailter Space. Liderados há quase trinta anos por Paul Kean, são hoje um caso raro de longevidade e produtividade. Apesar do passar do tempo, o recente The Guilty Office mantém intactas as características que fazem dos Bats uma banda especial: um apurado sentido melódico em canções com a dose certa de uma terna melancolia. Há coisas que, de tão boas, têm direito a som e imagem:


"North By North" [Communion, 1987]