"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Kill surf city

















Vivemos rodeados dessa espécie de bandas-tributo, bandas que, na falta de ideias e na segurança da fórmula, se limitam à colagem descarada de outras bandas do passado. Questionaria a utilidade de tais exercícios, quando pudemos usufruir com ganhos da real thing, mas temo que me chamem "do contra". Felizmente, há outra estirpe, mais recomendável, capaz de se afirmar na súmula de diferentes referências. Uma delas são os neozelandeses Surf City que, com um EP homónimo em 2008 e o álbum Kudos dois anos depois, foram capazes de resumir à sua maneira o rico legado indie pop do seu país de origem. Num ritmo frenético, por vezes difícil de acompanhar tal a profusão de elementos, combinavam a jangle pop com pitadas de psicadelia de uns The Clean ou The Chills com tonalidades surf rock que faziam jus ao nome da banda.

De então para cá, confesso que lhes perdi o rasto, derivado talvez da escassez de novidades. Soube do regresso há pouco, e que agora vinham reduzidos a um trio. São agora parte do numeroso contingente das antípodas na britânica Fire Records, que patrocina a ligeira transmutação da sonoridade dos Surf City. Com selo daquela editora, saiu, há coisa de um mês, o álbum We Knew It Was Not Going To Be Like This, conjunto de nove canções mais escorreitas do que era costume na banda de Auckland. Não se conclua já que os Surf City enveredaram por uma pop "limpinha", pois a "baixa fidelidade" ainda é um lema; apenas apostaram em temas mais directos, sem aquela mixórdia de estilos, por vezes vertiginosa. A psicadelia ainda diz presente e, aqui e ali, há um nova vontade de transgressão com uma pulsão kraut à espreita. Esquecida ficou a tendência surf rock, mas nem sempre os nomes das bandas têm de fazer sentido.

Song From A Short Lived TV Series by Surf City on Grooveshark
[Fire, 2013]

domingo, 21 de novembro de 2010

Em escuta #53












SURF CITY _ Kudos [Arch Hill, 2010]

Com a lendária Flying Nun numa espécie de stand-by, tornam-se difíceis a descoberta e divulgação de novas bandas surgidas na Nova Zelândia. Há raras excepções, como o caso destes Surf City, revelados há 2/3 por um EP homónimo que, nas sonoridades, fazia jus ao nome (inspirado num velhinho tema dos Mary Chain) da banda. Para a estreia em formato longo há uma mudança de azimutes, agora apontados para as memórias da melhor música daquele país das antípodas, bem expressas na evocação de um som indie chocalhado e vagamente psicadélico, tal como antes professado por The Clean e The Chills dos primórdios. Depois do frenesim inicial, Kudos intensifica o mergulho psych na segunda metade. As duas partes são delimitadas pelo inesperado devaneio à la Animal Collective de "Yakuza Park", número que, felizmente, não conhece repetição. [8]


WEEKEND _ Sports [Slumberland, 2010]

Disco associado à Slumberland Records sugere, habitualmente, inocência twee e melodias solarengas. Na facção tensa, a editora de Washington, D.C. já nos tinha oferecido o cinzentismo dos Crystal Stilts, mas nada que nos preparasse para a negritude opressiva destes Weekend, trio californiano com um pé na pulsão post-punk e outro no shoegaze mais austero. Parentes dos A Place to Bury Strangers, menos rítmicos e mais monolíticos, citam amiúde o minimalismo e as vozes imersas dos Joy Division, a batida marcial dos Killing Joke, e as camadas de distorção e delay dos My Bloody Valentine. Mais do que a mera soma das partes, Sports é um mergulho num fascinante, e muito peculiar, mundo de sombras. [8,5]


THE BLACK ANGELS _ Phosphene Dream [Blue Horizon, 2010]

Para os Black Angels o mundo parou em 1967. O colectivo texano habita um universo psicadélico (e psicótico), expresso nas magníficas capas que têm dado à estampa, no qual integra a rebelião contra as forças opressoras. Para eles, os conflitos armados do presente são reencarnação da geração que viveu o Vietname. Para além de uma nova editora, neste terceiro álbum reservam pequenas operações de cosmética, tais como o menor protagonismo dado à drone machine e o vincar do pretensiosismo messiânico que o vocalista Alex Maas herdou de um tal Jim Morrison. Denota-se também um certo apelo por um primitivismo que remete para uma América profunda. Sem ser um mau disco, Phosphene Dream padece da falta de novidades. Recomenda-se sobretudo a iniciados e desaconselha-se aos restantes. [6]


THE INTELLIGENCE _ Males [In the Red, 2010]

Com renovado interesse por parte das novas gerações, o garage-rock tem procurado manter vivo o espírito primordial do rock'n'roll, algo que implica fisicalidade e muita transpiração. São constantes os relatos de concertos ultra-enérgicos proporcionados por bandas cultoras do género. Em disco, porém, escasseiam as ideias que fujam da norma instituída. As excepções surgem a espaços, como é o caso destes The Intelligence, projecto pessoal de Lars Finberg que, antes daqui chegar, já contava com uma mão cheia de álbuns sob a mesma designação. O que diferencia Fingberg de muitos dos seus pares é a capacidade para urdir canções orelhudas sem abdicar dos riffs insidiosos e da atitude transgressora. As letras são inteligentes, profusamente irónicas, e tão subversivas quanto manda a cartilha. Longo de apenas 25 minutos, Males é um compêndio de breves estilhaços pop-punk que sacode o corpo sem misericórdia. [7,5]


WARPAINT _ The Fool [Rough Trade, 2010]

Quatro jovens angelinas, bonitas e sonhadoras, relativamente talentosas, são estas as Warpaint, motivo de crescente buzz junto de imprensa e público. Se no EP de baptismo a receita de harmonias vocais e guitarras delicadas proporcionava um breve momento de retemperadora pacificação, na prova de fogo de The Fool, a extensão do disco arrasta-nos para um relativo torpor a meio da audição. Como fruto abastardado da união dos Cocteau Twins e dos The Sundays, os nove temas que o compõem primam por uma contenção quase infantil que carece do gene dramático dos progenitores, algo que parece espreitar a cada recanto mas que rapidamente se dilui nas melodias em círculo. [6,5]

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Em escuta #37

Novo formato para esta rubrica, com resenhas mais breves.









ASOBI SEKSU Hush [Polyvinyl, 2009]

Apesar de serem frequentemente comparados aos saudosos Lush, parece-me faltar na música dos nova-iorquinos Asobi Seksu (sexo fortuito, em japonês) a densidade que caracterizava os primeiros discos da banda de Miki Berinyi. Neste terceiro álbum, mais do que nunca, nota-se uma ostensiva colagem à pop soporífera dos Blonde Redhead mais recentes (vocalista de origem nipónica incluída), a piscar o olho aos pretensiosismos entediantes que associamos à editora 4AD. Nos dois últimos temas, que fogem à modorra dominante, Hush é salvo por um triz do desatre absoluto: "Me & Mary, com a incursão despudorada das guitarras, e "Blind Little Rain", deliciosamente sinistro.


...AND YOU WILL KNOW US BY THE TRAIL OF DEAD The Century Of Self [Justice, 2009]

Já não restam dúvidas que os músicos dos Trail of Dead são tecnicamente irrepreensíveis. A constatação deste facto só torna mais dispensável este terceiro mergulho consecutivo na pretensa complexidade a pender para o progressivo, onde não faltam as gritarias politizadas e as habituais referências a civilizações ancestrais. No capítulo das novidades, trazem apenas um assomo a esse outro monstro designado por rock celta (cf. "Isis Unveiled"). Na generalidade, mais do mesmo de uma banda que, após o superlativo Source Tags & Codes, tem vindo a desenhar o rasto da própria morte criativa.


JE SUIS ANIMAL Self-Taught Magic From A Book [Perfect Pop / Angular, 2008]

Ao segundo disco - o primeiro, homónimo, conheceu apenas edição entre-muros - os noruegueses Je Suis Animal afirmam-se como mais um nome válido na recuperação das estéticas que marcaram o período áureo do indie pop. Self-Taught... viaja até a um momento imaginário em que os McCarthy de Tim Gane e Lætitia Sadier se metamorfoseiam nos Stereolab. Com os primeiros partilham uma notória ingenuidade, com os segundos a profusão intrumental e as referências francófonas. A bela voz de Elin Grimstad faz-nos crer que este conjunto de canções deliciosas não seriam corpo estranho no catálogo da Sarah Records. Tudo boas referências...


SURF CITY Surf City EP [Arch Hill, 2007 / Morr Music, 2008]

Não obstante o seu distanciamento geográfico e a fraca expressão demográfica, a Nova Zelândia é, desde há décadas, pátria de um significativo número de bandas queridas do público indie ocidental. Estes Surf City prometem, para já, manter viva a chama da melhor pop produzida no país dos kiwis. Tal como os seus antepassados, são orgulhosos praticantes da filosofia DIY. Nestas seis breves canções frenéticas, conjugam na perfeição as guitarras surf, o psicadelismo pop dos Zombies, e a urgência delirante que nos atraiu nos Arcade Fire de outros tempos. Pede-se-lhes um álbum urgentemente.