"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 12 de agosto de 2012

Espectáculo de variedades















Agora que há muito derivaram para um bucolismo cósmico, e na viragem  condicionaram as tendências musicais dos últimos quinze anos, já pouca gente se lembrará dos Mercury Rev do primeiro par de álbuns. Nessa altura, eram uma entidade bem diversa, um laboratório de experiências sónicas que agitou o universo "alternativo" de inícios de noventas. Jonathan Donahue, o actual vocalista, tinha protagonismo apenas pontual, pois as vozes - e muito do carisma - ficavam quase em exclusivo entregues a David Baker. Deste último contavam-se histórias de comportamentos desviantes, talvez até demasiado para a já de si política anárquica do colectivo, e a expulsão acabou por ser a consequência.

De David Baker já não havia sinais de vida há uns longos dezoito anos, por alturas do lançamento do único disco gravado sob a alcunha Shady. Contudo, conta-se que tem ocupado o tempo e alimentado a paixão pela música a produzir para outrém. Portanto, nada de particularmente visível até ao reaparecimento como parte integrante da dupla Variety Lights, projecto baptizado a partir do primeiro filme de Fellini para o qual concorre também Will MacLean, tal como Baker um interessado por teclados e sintetizadores vintage. O fruto desta colaboração é Central Flow, álbum que, inevitavelmente, envereda por uma via dominada pela electrónica. Aos primeiros sons, rudes e angulosos, deixa-nos a impressão de estarmos perante algo de semelhante à colaboração de Mark E. Smith com os germânicos Mouse on Mars. Mas cedo essa sensação se desvanece, à medida que as texturas mais contemplativas, algures entre a psicadelia e kraut, tomam conta das operações. A espaços, Central Flow penetra também em territórios cinemáticos, quase pastoris, que remetem para algumas das aventuras da saudosa Beta Band. Concebido a partir de estilhaços e colagens de ambientes, Central Flow surpreende não só pela sua homogeneidade, como também pela fácil digestão.

 
"Feeling All Alone" [Fire, 2012]

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Mil imagens #29



Mercury Rev - País de Gales, 1998
[Foto: Steve Gullick]

segunda-feira, 2 de março de 2009

Get on your knees!





















Estou quase certo de que o nome The Wounded Knees seja desconhecido da maioria dos visitantes deste blogue. O mesmo já não se poderá dizer do par que constitui o núcleo duro do projecto: ele é Jimi Shields, irmão de Kevin (o instigador-mor dos My Bloody Valentine) e em tempos guitarrista nos saudosos Rollerskate Skinny; ela é Suzanne Thorpe, flautista que fez parte da formação original dos Mercury Rev. O conhecimento vem dos idos de noventa, quando as citadas bandas chegaram a partilhar palcos.
Para já, a ligação rendeu apenas All Rise Up, um EP 10" de edição limitada saído no ano passado, no qual a dupla continua a navegar por sonoridades apontadas directamente ao subconsciente. O rol de "convidados" para concepção do disco não é de desprezar: Kevin Shields é o responsável pelas misturas, J Mascis (Dinosaur Jr.) colabora nas guitarras, e o designer Josh McPhee é o responsável pelo artwork.

http://www.myspace.com/wknees

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ao vivo #32

Mercury Rev @ Aula Magna da UL, 29/11/2008

Responsáveis pelo concerto da minha vida há meia dúzia de anos, os Mercury Rev voltaram no passado sábado a entrar para o quadro de honra da minha extensa gigografia, desta vez por motivos bem diferentes. Se o histórico espectáculo do Paradise Garage se caracterizou pelo realce dado à beleza das canções, apresentadas na sua versão mais despida, o show da corrente digressão é uma super-produção que dá primazia ao lado cénico inerente a essas mesma canções, prenhes de misticismo e espiritualidade.
Por conseguinte, a banda surge em palco envolta num imenso manto de fumo, ao som de "Lorelei" dos Cocteau Twins. Ao fundo, onde antes tinham sido projectadas imagens alusivas a filmes, a discos, e a livros da preferência da banda, surgem agora, em contínuo, imagens de motivos naturais, científicos e cosmológicos. Com este enquadramento, e adornados por um jogo de luzes sumptuoso, os temas sucedem-se ininterruptamente, entrando na maioria das vezes em devaneios instrumentais que realçam as capacidades técnicas do quinteto de músicos. Jonathan Donahue, no seu estilo hiper teatralizado, é o mestre de cerimónias. Perante este cenário, por momentos, esquecemos o niilismo que caracterizava os Mercury Rev dos primórdios.
Embora estivessem a promover um novo e belo disco que uma boa parte dos media ignorou (vá-se lá saber porquê!), os Mercury Rev têm plena consciência da relevância do clássico Deserter's Songs (um dos melhores e mais importantes discos das últimas duas décadas, para que conste), o qual é brindado com a parte de leão do alinhamento que rondou a hora e meia de duração, com encore incluído.
No final, deveras emocionado, sai renovada a minha fé no lado mais grandioso da música popular, algo abalada desde que uma trupe de quebequianos desatou a compor hinos apropriados para consumo em cerimónias religiosas de seitas evangélicas.
Como nota negativa, não poderia deixar de destacar as deficientes condições da sala, que nos fazem questionar o habitual preço elevado dos bilhetes dos concertos que lá se realizam: desconfortável, com uma acústica que deixa muito a desejar e, de forma indirecta, algo inibidora das emoções de um público, na generalidade, demasiado contido.

Alinhamento:

"Snowflake In A Hotworld"
"Holes"
"Black Forest (Lorelei)"
"The Funny Bird"
"You're My Queen"
"People Are So Unpredictable"
"Diamonds"
"Tonite It Shows"
"Tides of the Moon"
"Dream of A Young Girl As A Flower"
"Opus 40"
"Once In A Lifetime" (versão quase irreconhecível do tema dos Talking Heads)

"Godess On A Hiway"
"The Dark Is Rising"
"Senses On Fire"

sábado, 29 de novembro de 2008

Hoje...

... a escuridão irá abater-se sobre a Aula Magna.

Mercury Rev "The Dark Is Rising" [V2, 2001]

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

10 anos é muito tempo #9




















MERCURY REV

Deserter's Songs [V2, 1998]

Foi editado, faz hoje dez anos, um dos discos fundamentais na definição do meu gosto musical. Antes de Deserter's Songs, já os Mercury Rev tinham feito correr muita tinta com os seus primeiros registos, marcados por um psicadelismo de propensão sónica e com uma boa dose de loucura à mistura.
Depois da aclamação inicial, sem qualquer vínculo contratual, a banda viu-se na eminência de entregar a alma ao Criador. Este período de inseguranças e incertezas é, de resto, sintetizado na última frase de "Holes", a faixa que abre o álbum: "bands, those funny little plans, that never work quite right". Em boa hora seriam resgatados pela nova editora de Richard Branson, promotora do disco que constitui seguramente uma das mais radicais reinvenções do universo pop/rock.
Em termos teóricos, Deserter's Songs corresponde à transladação imaginada de uns Pink Floyd da primeira safra - a chamada "fase Syd Barrett" - para o vastidão do great wide open americano. Na prática, estamos perante algo mais do que um mero disco pop, uma espécie de conto de fadas, nocturno e outonal, que convida a olhar o firmamento. Imutável em relação ao passado, mantém-se o assumir do risco, o gosto pela experimentação, mais evidente a cada nova audição desta obra incontornável.
No aspecto técnico, Deserter's Songs demarca-se da "concorrência" pela panóplia de ferramentas de que os seus autores se socorrem: flautas, saxofones, teclados vários, serra tocada com arco, secções de cordas luxuriantes, vocoders, coros celestiais, e tudo o que se possa imaginar para criar um ambiente, no mínimo, idílico. Já o conteúdo lírico, assinala o início da deriva metafísica que tem marcado todos os registos dos Mercury Rev de então para cá.
Os primeiros frutos do caminho desbravado por Deserter's Songs não se fizeram esperar: logo no ano seguinte, os Flaming Lips, velhos companheiros de estrada, punham fim a década e meia de desventuras e semi-obscuridade com o fulgurante The Soft Bulletin; meses depois, os Grandaddy pariam The Sophtware Slump, completando assim a Santíssima Trindade daquilo a que alguém chamou de New Cosmic Americana.
Coincidência ou não, os Mercury Rev regressam hoje às edições discográficas, não com um, mas com dois álbuns: Snowflake Midnight em formato físico, e Strange Attractor para download gratuito.
Correndo o risco de me estar a repetir, gostava que ficassem a saber que devo aos Mercury Rev aquele que é o melhor concerto da minha vida, com hipotética reedição já dentro de dois meses. É precisamente ao vivo que as estranhas ambiências criadas no vídeo abaixo fazem todo o sentido...


"Opus 40"

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Mercúrio a subir

Mais de três anos depois do frouxo The Secret Migration, os Mercury Rev estão de volta aos discos, não com um, mas sim dois álbuns de originais: a 29 de Setembro sai para as lojas Snowflake Midnight, no mesmo dia em que Strange Attractor é disponibilizado para download gratuito no sítio oficial da banda desde há muito fixada nas Catskill Mountains, estado de Nova Iorque.
Jonathan Donahue e Grasshoper, os dois principais instigadores, descrevem o "disco convencional" (uma vez mais produzido por Dave Fridmann) como algo de inocente, intuitivo, mas simultaneamente perigoso e apaixonado, revelador das forças de simetria e do caos que comandam a Vida. Considerações metafísicas à parte, de palpável, para já, temos "Senses On Fire", o primeiro tema divulgado deste novo disco: exercício kraut que faz a ponte entre os devaneios sónicos dos primeiros tempos e os ambientes pastorais abordados do soberbo Deserter's Songs (1998) em diante. É com algum regozijo e muita expectativa que vos apresento o melhor pedaço de música da história recente dos Mercury Rev. Ready or not, here I come:



P.S.: A 29 de Novembro próximo, os Mercury Rev "aterram" na Aula Magna da UL, naquele que será o encerramento da sua digressão europeia. Perspectiva-se a reedição de um dos melhores concertos da minha vida...