"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Mil imagens #17


Stereolab - Londres, 1991
[Foto: Joe Dilworth]

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Discos pe(r)didos #48









SNOWPONY
The Slow-Motion World Of Snowpony
[Radioactive, 1998]




Projecto de vida relativamente breve e semi-obscuro, os Snowpony foram uma espécie de super-grupo que integrava alguns dos protagonistas da arquitectura sonora de noventas: a vocalista e manipuladora de samplers Katharine Gifford (ex-Moonshake, ex-Stereolab), a baixista Debbie Googe (a gozar os primeiros anos do já longo hiato dos My Bloody Valentine), e o baterista Max Corradi (dos esquecidos irlandeses Rollerskate Skinny). Ofuscados pela boa produção musical dos anos derradeiros do século passado, o que é certo é que deixaram para a posteridade um par discos merecedores de uma reapreciação. Principalmente o debute The Slow-Motion Of Snowpony, supervisionado pelo produtor John McEntire (Tortoise, The Sea and Cake) e flagrante exemplo de pop aventureira, misto de acessibilidade e vanguardismo.
Fazendo armas da repetição e da arte da samplagem, The Slow-Motion Of... é, simultanemente, disco capaz de satisfazer tanto o ouvinte mais atento ao pormenor como o consumidor de música ocasional. Abre da melhor forma com "Easy Way Down", movido por um loop de guitarra tremendamente groovy e apelativo que casa na perfeição com a cadência ociosa da parte vocal. Neste, como na quase totalidade dos temas, surgem interferências acidentais que se vão descodificando com audições renovadas. "Love Letters" é reminiscente do quase-standard com o mesmo título e revela a voz de Gifford, indecisa entre o sensual e o distanciado, embalada por um inusitado sample de batida samba e ataques contudentes de guitarra tratada. Igualmente eficaz, o brilhantemente intitulado "3 Can Keep A Secret (If 2 Are Dead)" recupera excertos da parte cacofónica de "100%" dos Sonic Youth integrados num tema alinhado com algumas tendências do indie-rock norte-americano da década de 1990. "Bad Sister" e "John Brown (Triumphant March)" são ricos em amostragens de sopros. O primeiro é assinalado por uma bateria em cadência kraut, algo que por várias vezes é aflorado ao longo do disco, enquanto o último, fazendo jus ao título, liberta uma aura de exultação. A já referida queda dos Snowpony para as malhas do kraut-rock ganha maior expressão em "Titanic", aglomerado de golpes de guitarra ruidosa, laivos de órgão e sitar, e bateria em modo rolo compressor. Na maioria dos restantes temas, The Slow-Motion Of... enaltece o elemento atmosférico, acentuado frieza na instrumentação e contrastante envolvência na voz.


"Easy Way Down"


"3 Can Keep A Secret (If 2 Are Dead)"


"Love Letters"

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Singles Bar #54







STEREOLAB
Super-Electric
[Too Pure, 1991]





No presente, quando o nome Stereolab vem à baila, ocorre-nos logo uma sonoridade pop de travo clássico, com laivos de easy-listening e de chanson française. Quase já esquecemos que, nos primórdios, a banda do casal Tim Gane e Lætitia Sadier subsequente à morte dos saudosos McCarthy militava na facção rock. Não será por acaso que, juntamente com a reciclagem kraut dos Th' Faith Healers e a aridez rock de PJ Harvey, tiveram primeira exposição com selo da Too Pure, uma editora com uma proposta ousada, claramente divergente da América grunge e do Reino Unido dividido entre o shoegaze e o último fôlego baggy. No caso dos Stereolab, há claras afinidades com os primeiros, desde logo pela pulsão teutónica da bateria e pela linha minimalista dos teclados analógicos. Nos temas desses primeiros tempos, como é caso de "Super-Electric", há uma clara prevalência das guitarras carregadas de fuzz. Embora seguindo uma sobriedade que deixa antever a posterior evolução da banda, há por aqui uma carga rítmica, bem patente nas linhas de baixo,  que se perdeu com o passar do tempo. Na voz, angelical e alheada, há ainda resquícios do movimento twee-pop contemporâneo dos McCarthy. Autêntico objecto cinético, "Super-Electric" foi na altura merecedor do primeiro vídeo - perfeitamente adequado - com a marca Stereolab. Ei-lo, apresentado pela dupla Gane-Sadier:

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ao vivo #49


















Lætitia Sadier @ Galeria Zé dos Bois, 18/02/2010

Não se tratou propriamente de um concerto o evento que levou uma pequena multidão de curiosos à ZdB na noite de ontem. Aquela que alcançou notoriedade como a mais enigmática das vozes dos grandes Stereolab, e que há muito trocou a França natal pela terra das oportunidades do Reino Unido, tinha reservado para os convivas um curto showcase informal apenas com voz e guitarra. Aproveitando uma pausa nas actividades daquela banda, Lætitia Sadier prepara-se para lançar o primeiro álbum a solo, cujas canções vem apresentar o em formato reduzido esqueleto. Quem esperava os mantras circulares derivadas do kraut que fizeram a fama dos Stereolab, sai obviamente frustrado e, até eventualmente aborrecido. Porém, com alguma compreensão e boa-vontade, é possível extrair alguns pontos positivos deste pacato serão. Reconheça-se então alguma surpresa (agradável) perante a novidade do intimismo destas novas canções, que chegam a abordar temas pessoalíssimos como o divórcio (de Tim Gane, mentor dos Stereolab). Ou então, admitam-se as qualidades inequívocas de uma voz que, sem virtuosismos bacocos, se liberta e respira à medida que cresce a empatia com o público.
Na despedida, depois de uma sentida versão de Wendy & Bonnie, uma humilde Lætitia agradece gentilmente o empréstimo do amplificador e da guitarra (para destros), cujas cordas foram previamente trocadas para esta encantadora esquerdina. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Duetos #10


Tecnicamente, não deveria classificar como dueto um tema em que a participação feminina se resume a uns sussurros em francês. Mas que se lixe o rigor técnico! Qualquer desculpa é válida para postar este belo vídeo ao melhor estilo nouvelle vague, numa descarada homenagem à obra de Alain Resnais. Um ano depois, este mesmo tema conheceria nova versão, com a estrela da chanson Françoise Hardy a tomar o lugar da moça da gravação original.


Blur w/ Lætitia Sadier "To The End" [Food, 1994]