"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A criação de todas as coisas
















Tem apenas uma página, mas é motivo suficiente para a aquisição do mais recente número da revista Mojo. Isto se a reinterpretação por uma série de devotos do clássico Harvest de Neil Young não bastar para vos fazer abrir cordões à bolsa. Falava-vos da entrevista com Alan McGee, na qual o desalinhado escocês discorre sobre Upside Down, o documentário de Danny O'Connor dedicado à "sua" Creation Records prestes a estrear. Do dito, esperam-se muitos relatos de excessos, mas também os testemunhos daqueles que estiveram no epicentro de algumas das mais felizes aventuras da pop britânica das décadas de 1980 e 1990: primeiro o jangle-pop revivalista de sessentas, depois o shoegazing, e por fim a consagração em pleno frenesim brit-pop.  Ao realizador, McGee expressa toda a sua gratidão. O mesmo sucede para com Bobby Gillespie, sem o qual, diz, o filme não teria sido possível. Outros encómios para com este último incluem a eleição dos Primal Scream a banda n.º 1 da Creation e a responsabilização de mister Bobby G por lhe ter dado a conhecer os Jesus and Mary Chain e os Teenage Fanclub. Já a ele próprio, atribui o mérito pelas "descobertas" de My Bloody Valentine, Ride e Oasis. Confessa ainda um grande arrependimento: ter deixado "escapar" os Stone Roses. Ficamos ainda a saber que adora a vida pacata de reformado (é oficial, esclarece) retirado no País de Gales.
Enquanto uma alma caridosa não faz chegar Upside Down a esta praia à beira do Atlântico, vamos salivando com o trailer:



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Singles Bar #48






MEAT WHIPLASH
Don't Slip Up
[Creation, 1985]






Baptizados a partir de um tema dos post-punkers Fire Engines, os Meat Whiplash foram um agrupamento escocês de vida efémera que esteve entre a primeira leva de contratações da Creation Records. Para a posteridade, não deixaram registado mais do que um single. A capa desse registo isolado, que aproveita uma imagem do actor Robert Vaughn, foi concebida pelo compatriota Bobby Gillespie e executada manualmente pelo próprio Alan McGee, fundador da editora que acolheu a banda. Eram estes os tempos do espírito familiar de entre-ajuda em que as editoras independentes se podiam orgulhar de tal adjectivo... No currículo contam também com a abertura do primeiro concerto londrino dos Jesus and Mary Chain, já célebre pelos ondas de revolta provocadas na audiência pela postura de confronto dos Irmãos Reid & C.ª.
À parte estes factos mundanos, os Meat Whiplash merecem algo mais do que uma nota de rodapé no compêndio indie por culpa deste "Don't Slip Up", o típico mergulho na era dourada da pop através de uma faixa de alienação afogada num mar de distorção e batida minimalista reduzida ao essencial. Não fosse a velocidade mais acelerada, e encaixaria na perfeição no primeiro tomo da tal banda dos irmãos disfuncionais que pela mesma altura escrevia um dos mais belos capítulos da história da música popular. Comparações à parte, atribua-se a "Don't Slip Up" o mérito de ter servido de matriz às gerações indie futuras, tanto da emergente "vaga C86", como os estetas shoegaze. Mais tarde, o quarteto fundador dos Meat Whiplash haveria de prosseguir carreira conjuntamente com Alex Taylor, a vocalista dos Shop Assistants, agora sob a designação The Motorcycle Boy, outra das bandas criminalmente esquecidas do excelso catálogo pop produzido em terras da Escócia nos últimos trinta anos.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

RE-CREATION

Em tempos recentes, a londrina CHERRY RED RECORDS tem assumido um papel fulcral na recuperação de muitos tesouros perdidos da época de ouro do indie pop da segunda metade dos oitentas, tanto através de reedições de álbuns, como da publicação de antologias de nomes que merecem ser recordados.
É nesta segunda categoria de discos que se inserem os dois exemplos que se seguem, editados pela subsidiária REV-OLA e recentemente adquiridos por este escriba a um preço extremamente convidativo. Tratam-se de antologias de duas bandas que marcaram os primeiros anos de vida da CREATION RECORDS, ainda longe da consagração da alvorada dos 1990s. Dois casos paradigmáticos de mestria no manuseamento das jangly guitars, essenciais no definir de uma identidade.

BIFF BANG POW!
Waterbomb (2003)
Esta banda, formada em Londres, tinha a particularidade de o seu vocalista ser um certo escocês, de seu nome Alan McGee, que era também fundador e patrão da Creation. E acreditem que o homem não se desenrascava nada mal.
Durante o período de vida (1983-1991) revelaram-se extremamente profícuos, editando diversos discos onde a temática do Amor era quase uma obsessão.
A inspiração provinha de duas fontes distintas: a pop produzida na west coast norte-americana duas décadas antes (Love, The Byrds), a música mod (The Kinks, The Creation, The Jam).
Temas essenciais: "She Paints", "Love's Going Out Of Fashion", "Fifty Years Of Fun", "Someone Stole My Wheels", "The Girl From Well Lane".

THE JASMINE MINKS
The Revenge Of... (2004)
Entre 1984 e 1989, esta banda escocesa foi uma presença assídua nas tabelas indie, então ainda um barómetro do que de melhor se fazia à margem do mainstream.
Com referências em muito idênticas às dos BBP!, mas praticantes de um som mais rugoso, os THE JASMINE MINKS iam também beber aos sons de apelo mais pop nascidos no seio do movimento punk (Subway Sect, Buzzcocks). Na fase mais avançada da carreira, a sua música surge marcada por um elemento soul bem vincado que remete obviamente para os conterrâneos Orange Juice. A mensagem era por vezes, e à semelhança dos contemporâneos McCarthy, algo politizada, no que constitui uma clara influência nos Manic Street Preachers.
Temas essenciais: "Cut Me Deep", "Work For Nothing", "Think!", "Ghost Of A Young Man", "Cold Heart", "Soul Station", "What's Happening!".

segunda-feira, 19 de março de 2007

CREATION RECORDS 1983-1999

Durante o seu período de vida, aquela que eu considero ser a melhor editora indie de sempre, publicou algumas das mais importantes obras discográficas que me acompanharam ao longo dos últimos 20 anos.
Numa tentativa de fazer uma espécie de tributo quer à editora, quer a Alan McGee, seu mentor, a listagem de canções que se segue é aquilo que eu consideraria ser a compilação ideal dos 16 anos de actividade da Creation, com a particularidade de incluir os My Bloody Valentine, coisa que não acontecia na compilação oficial (birras do senhor Kevin Shields, dizem).
Por forma a tornar a hipotética compilação o mais sintética e representativa possível, estabeleci previamente três critérios:
- número de faixas limitado a 18 (número razoável para uma compilação);
- apenas uma faixa por banda/artista;
- alinhamento das faixas pela ordem que me parece mais lógica para serem ouvidas.
Confesso que a selecção não foi fácil... Agora aguardo as vossas sugestões/comentários...

1. OASIS "Live Forever"
2. THE JASMINE MINKS "Cut Me Deep"
3. BIFF BANG POW! "She Paints"
4. SLOWDIVE "Alison"
5. TEENAGE FANCLUB "What You Do To Me"
6. MY BLOODY VALENTINE "You Made Me Realise"
7. SUGAR "If I Can't Change Your Mind"
8. FELT "All The People I Like Are Those That Are Dead"
9. SUPER FURRY ANIMALS "The Man Don't Give A Fuck"
10. THE BOO RADLEYS "Wish I Was Skinny"
11. ADORABLE "Sunshine Smile"
12. THE PASTELS "I'm Alright With You"
13. NIKKI SUDDEN "Jangle Town"
14. THE JESUS AND MARY CHAIN "Upside Down"
15. SWERVEDRIVER "Son Of Mustang Ford"
16. THE HOUSE OF LOVE "Christine"
17. RIDE "Dreams Burn Down"
18. PRIMAL SCREAM "Higher Than The Sun"