"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

10 ANOS É MUITO TEMPO #3

















NEUTRAL MILK HOTEL
In The Aeroplane Over The Sea

(Merge, 1998)

Será hoje um facto inegável que este é um dos discos mais influentes dos últimos anos. Em 2003, na edição comemorativa do seu 10.º aniversário, a revista Magnet considerava-o até o mais importante disco lançado desde o seu nascimento, à frente de obras do calibre de OK Computer, In Utero, If You're Feeling Sinister, ou Alien Lanes.
O mais curioso no meio de tudo isto é que, dez anos volvidos desde a sua edição original, aquele que foi um disco inicialmente ignorado pelo público, é hoje referido por um número crescente de pessoas, sejam elas músicos, críticos, ou simples consumidores.
Sobre este magnum opus (perceberam o trocadilho?) já aqui dissertei há uns tempos. Por ora, como ilustração, deixo o vídeo não-oficial de um dos seus temas. Aviso que algumas das imagens poderão chocar os mais susceptíveis.

"Holland, 1945"

quinta-feira, 29 de março de 2007

DISCOS PE(R)DIDOS #6

NEUTRAL MILK HOTEL
In The Aeroplane Over The Sea (Merge, 1998)

Passados que estão quase dez anos sobre a edição original do segundo e derradeiro disco dos Neutral Milk Hotel (NMH), é para mim incompreensível como continua tão negligenciado pela maioria do povo consumidor de boa música. Felizmente, a minoria que teve a felicidade de se cruzar com In The Aeroplane... presta-lhe uma devoção só ao alcance das obras maiores.
Parte integrante do colectivo Elephant 6 sediado em Athens (Geórgia), no qual estavam também integrados os Apples in Stereo, The Olivia Tremor Control e Elf Power, caracterizado pela partilha não só de uma certa filosofia como de membros entre as bandas, os NMH gravitavam à volta do excêntrico Jeff Magnum: fundador, letrista e compositor de excepção.
Obra seminal do neo-psicadelismo indie que hoje dá cartas, In The Aeroplane... é, em certa medida um disco conceptual: sem intervalos entre as onze peças que o compõem, alternando momentos de pendor acústico com outros mais "a abrir", tendo como ponte autênticas fanfarras que nos remetem para as marchas fúnebres da Louisiana.
As letras, cantadas com uma paixão que a fragilidade da voz de Jeff Magnum só enaltece, foram, segundo o próprio, inspiradas por sonhos recorrentes com uma família judia na Holanda durante a 2.ª Grande Guerra e da forma como procuravam alguma beleza no meio do horror. Mas a ambiguidade é suficiente para permitir distintas interpretações por parte dos ouvintes.
Após a aclamação crítica, Magnum dissolveu a banda de forma inesperada e nunca justificada e remeteu-se a um longo silêncio, apenas quebrado muito esporadicamente por prestações ao vivo onde as composições de In The Aeroplane... são presença obrigatória.
No entanto, o seu legado está hoje bem presente na fornada de bandas de geeks que dominam hoje o gosto de muitos melómanos, como The Shins, Arcade Fire ou Okkervil River.