"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Pacote para a austeridade

















Nasceram em San Diego, no extremo sul da Califórnia, sob a designação The Muslims, nome que abandonaram a fim de evitar interpretações indesejadas. Já na terra das oportunidades de Los Angeles, rebaptizaram-se como The Soft Pack, nome não menos provocatório se vos lembrar que se refere a um certo "brinquedo sexual". A veia travessa que os nomes sucessivos sugerem seria materializada num primeiro álbum, homónimo, que integrava os hoje tão recorrentes elementos surf e garage num ardiloso disco que, no fundo, era uma súmula destas seis décadas passadas de rock'n'roll. Quando chegou a hora do balanço do ano de 2010, The Soft Pack seria merecedor dos mais rasgados encómios.

Com tal antecessor, eram tão altas as expectativas como os receios relativamente ao novo Strapped, que numa primeira abordagem deita por terra muito do nosso entusiasmo em torno do quarteto californiano. Então não é que esta gente se virou para aquela facção mais despreocupada da pop oitentista, com sintetizadores e tudo, e solos de saxofones à discrição?! No sugestivamente intitulado "Bobby Brown", o raio da corneta chega ao cúmulo de acompanhar uma daquelas melodias que imaginamos em videoclipes com cocktails e danças tolas à beira-mar. Se a sensação deixada por este tema não é recuperável com novas audições, o mesmo não se poderá dizer da quase totalidade dos restantes. Com a insistência, Strapped acaba por se revelar uma espécie de reactualização da receita do disco de estreia, com uma instrumentação mais variada do que a trindade genérica do rock. Pode não ter as guitarras nervosas do anterior, mas não abre mão da mesma postura irrequieta, do cinismo implícito na voz, e de um ambiente festivo mesmo a propósito agora que do Verão já só restam as recordações. Quanto ao famigerado saxofone, acaba por se redimir com distinção no delirante outro do derradeiro "Captain Ace", momento em que os Soft Pack se afastam claramente da norma pop/rock.

domingo, 7 de março de 2010

Em escuta #48

 

THESE NEW PURITANS _  Hidden [Angular/Domino, 2010]

Revelados há coisa de dois anos, os TNPs ficaram conhecidos como seguidores da facção mais cerebral do post-punk, com os The Fall a sobressairem no leque de referências. Ainda que algo desequilibrado e pecando por tardio, o registo de estreia deu provas de que ainda era possível extrair ideias do revivalismo das sonoridades que fizeram história no período 1978-82. Neste segundo fôlego, das guitarras de pontas afiadas restam apenas vestígios imersos na profusão de sintetizadores, sopros, e percussões imponentes. Cria-se assim um ambiente austero, de frieza pós-apocalíptica que faria outro sentido há 10-12 anos, quando pairava no ar a tensão pré-milenar. Nesta mudança de azimutes não estará inocente o produtor Graham Sutton, mentor dos Bark Psychosis, pioneiros das linguagens post-rock e um dos mais enigmáticos colectivos da década de 1990. Com esta proposta a roçar a globalidade e a erudição vanguardista, louvam-se os TNPs pela coragem de assunir o risco. Contudo, a ambição desmedida esbarra na relativa inexperiência da banda para tal empreitada, o que faz com que Hidden seja um disco de conceitos algo baços. [6,5]


BEACH HOUSE _  Teen Dream [Sub Pop, 2010]

Se uns operam transformações estéticas radicais, dos Beach House não se esperam mudanças de rumo abruptas, mas antes fidelidade às paisagens idílicas em tons sépia que se propiciam a servir de música genérica. Porém, Teen Dream até abdica em certa medida do intimismo folky carregado de misticismo do par de registos anteriores, abrindo-se à entrada de alguma luz e aspirando à grandeza épica. Sem querer negar legitimidade aos intentos do duo de Baltimore, tenho de admitir que o minimalismo resultante da combinação dos teclados vintage e das caixas de ritmos conduzem a um estado de letargia que não permite vislumbrar diferenças significativas entre cada tema. "Norway" e "10 Miles Stereo" são raros momentos de elevação acima da superfície, com a voz grave de Victoria Legrand a criar um misto de volúpia e desconforto. No resto, fica assegurado o ambiente pacífico e acolhedor no qual os velhinhos discos dos Mazzy Star costumam envolver-nos. [7]


THE SOFT PACK  _ The Soft Pack [Kemado/Heavenly, 2010]

Vindo ao mundo como The Muslims, designação abandonada depois de alguma controvérsia que envolveu acusações de xenofobia, este colectivo californiano estreia-se como The Soft Pack com um suculento menu garage-rock com a dose suficiente de groove para fazer sacudir o corpo ao mais empedernido dos ouvintes. Pela façanha, deverá ser dado o devido mérito à produção do ex-Girls Against Boys Eli Janney que, mesmo com os típicos órgãos ébrios e dissonantes a darem um ar da sua graça ("Move Along"), faz de The Soft Pack um disco livre de qualquer resquício de sujidade, o que abona em favor de um maior imediatismo. À receita básica são adicionados elementos surf-rock e punk-pop, pelo que estão garantidas as manifestações de ennui juvenil ("Answer To Yourself", "Down On Loving" ) e as declarações inequívocas de intenções ("C'mon"). E, por momentos, fui atacado pela saudade dos tempos em que os Strokes eram uma banda relevante... [8,5]


FANFARLO _ Reservoir [Topspin, 2009]

Chego tarde, mas ainda a tempo, ao disco de estreia deste combo que, por manifesta preguiça mental, tem sido rotulado de "Arcade Fire ingleses". Não que a pop de câmera dos Fanfarlo não tenha afinidades com a banda de Win Butler. Tem-nas e bastante evidentes, sobretudo no cariz orquestral destes onze temas, que para além dos utensílios usuais na pop, recorrem a uma panóplia de instrumentos que inclui acordeão, mandolim, trompete, clarinete, saxofone, glockenspiel, piano, violino, e até serra com arco. Sucede que as canções dos londrinos, cuidadosamente elaboradas ao ponto de adquirirem uma aura de intemporalidade, não resvalam para a pompa que se reconhece aos de Montreal, preservando toda a sua frescura a cada nova audição. Por outro lado, o vocalista Simon Balthazar tem um timbre sóbrio, bem distinto do histeriónico Butler, o que faz com que as canções, necessariamente melancólicas, soem apenas moderamente dramáticas. Para rematar, refira-se a ainda abundância de guitarras jangly e os de floreados de uma certa folk pastoral, que fazem de Reservoir um produto genuinamente britânico. [8]