"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Hey kids, rock & roll, nobody tells you where to go



Por mais do que uma vez já aqui me terão visto a rogar pragas aos eighties. Na realidade, o que me aborrece relativamente a essa década não é propriamente a década em si, mas a recuperação ad nauseum a que temos assistido através de sub-produtos mil vezes mais tóxicos do que o esterco original. Feito o balanço do que realmente interessa, é uma década na qual ainda assenta uma boa parte da minha dieta musical, tanto em revisitações recorrentes, como em descobertas que uma imensa curiosidade me proporciona.

Gostava que soubessem que, por exemplo, alguns dos discos que nos tempos mais recentes mais tenho ouvido pertencem àquela época. Uma boa quota-parte pertence aos R.E.M., mais concretamente aqueles primeiros cinco discos da chamada "fase independente". Foi nesta altura que a banda de Athens, Geórgia, fascinada pela pop de raíz americana dos magníficos The Byrds, e devota em partes iguais dos Velvet Underground e dos Big Star, traçou um percurso semelhante em relevância aos dos The Smiths no Reino Unido, com tudo o que isso possa ter de justo como de redutor. Depois veio o estrelato, ainda com muitos pontos de interesse, ao qual se seguiu um longo definhar que poderia ter sido evitado se tivesse havido a sensatez de cessar funções logo que se desfez o quarteto original.

Estas visitas frequentes levaram-me a ser atacado pelo chamado "síndroma Alta Fidelidade", que se manifestou na vontade de elaborar um top ten dos meus dez temas favoritos dos R.E.M.. Confesso-vos que não foi tarefa fácil, não tanto pela vastidão da obra gravada, mas mais porque, normalmente, os discos dos R.E.M. valem mais pelo seu todo do que por este ou aquele tema isolado. Mas, com muita ponderação, lá se fez a coisa, que agora vos apresento em regime countdown. Obviamente, a maioria dos temas eleitos são retirados daquela mão-cheia de pequenas obras primas da fase inicial. Recados e reparos aceitam-se e são bem- vindos.

10. "Low" (1991)
09. "Let Me In" (1994)
08. "Finest Worksong" (1987)
07. "Cuyahoga" (1986)
06. "Orange Crush" (1988)
05. "Radio Free Europe" (1983)
04. "Talk About The Passion" (1983)

 
03. "Drive" [Warner Bros., 1992]

 
02. "So. Central Rain" [I.R.S., 1984]

 
01. "Fall On Me" [I.R.S., 1986]

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

It's the end of the world as we know it (and I feel fine)


"To our Fans and Friends: As R.E.M., and as lifelong friends and co-conspirators, we have decided to call it a day as a band. We walk away with a great sense of gratitude, of finality, and of astonishment at all we have accomplished. To anyone who ever felt touched by our music, our deepest thanks for listening." R.E.M. 

A notícia já era esperada, ou sobretudo desejada, não só por mim como por um enorme rol de devotos dos "outros" R.E.M. que não vislumbravam um fim para o penoso calvário de década e meia, especialmente agudizado com a saída do baterista Bill Berry, em 1997. Contudo, este longo período de franca seca de inspiração não belisca a reputação da banda de Athens, Geórgia, conquistada essencialmente durante os anos da "independência" dos idos de 1980, década em que constituíram o equivalente norte-americano aos britânicos The Smiths, em termos de consistência editorial e culto crescente junto de um público fiel.

Formados em 1980, só três anos mais tarde o R.E.M. se estrearam no lançamentos de álbuns. A estreia coube a Murmur, desde logo alvo de grande aclamação, ainda que algo imberbe no assimilar das referências dos Byrds e das raízes musicais estado-unidenses filtradas pelos ventos post-punk que sopravam de Inglaterra. Nos quatro discos seguintes, lançados à razão de um por ano, os R.E.M. haveriam de aprimorar essa fórmula única e muito pessoal. Com especial destaque para Reckoning (1984) e Lifes Rich Pageant (1986), ambos já alvo das recomendáveis edições comemorativas de 25.º aniversário e demonstrativos de uma banda em estado de graça. É neste período de maturação que a música se vai adensando numa discreta complexidade, e que Michael Stipe vai refinando a ambiguidade da escrita.

Com o crescente de popularidade, primordialmente originada nas college radios, chegou o assédio das multinacionais. O concurso pelos R.E.M. foi ganho pela gigantesca Warner Bros., para a qual se estrearam com o meritório, mas domado, Green (1988), disco já com considerável sucesso comercial. A consagração mediática definitiva chegaria com o desequilibrado Out Of Time (1991), privilegiado pela rodagem massiva do hit "Losing My Relligion" e pela abertura dos media, e consequentemente dos mercados, ao mundo "alternativo". No ano seguinte, a redenção com novo clássico: Automatic For The People, a obra-prima da fase crescida dos R.E.M.. Após a curiosidade Monster (1994), rendido a sonoridades mais duras e agrestes, o árido e desencantado New Adventures In Hi-Fi (1996) assinala nova subida de forma. Podendo prever o futuro, qualquer cidadão sensato terminaria aqui uma história com um final feliz. Assim não o quiseram Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills que, em trio sob os holofotes da fama, acrescentaram um longo posfácio que não interessa mencionar.

"Radio Free Europe" [IRS, 1983]

"So. Central Rain" [IRS, 1984]

"Fall On Me" [IRS, 1986]

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

1984: They were watching us

















Há 25 anos, lembro-me vagamente, nas edições de início de ano, eram vários os jornais portugueses que traziam à capa Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, a obra maior de George Orwell. A ideia era estabelecer paralelismos entre o mundo de então e a distopia imaginada pelo romancista britânico enquanto a Europa sarava as feridas da II Guerra. Apesar da vigência da Guerra Fria e do apogeu do reaganismo, em 1984, o mundo era, felizmente, bem menos cinzento do que nas profecias de Orwell. No universo da música popular, por exemplo, a febre criativa detonada pelo furacão punk conhecia um estádio de elevado desenvolvimento, dando origem a novas linguagens pop que deixariam marca nas décadas seguintes. Na altura, um puto a par de pouco mais do que o lixo que povoava os tops de vendas, desconhecia muitas destas movimentações. Porém, movido por uma imensa curiosidade, descobriria gradualmente muitas das obras-primas desse ano. Entre confirmações e estreias auspiciosas, muitas delas tornadas clássicos, vinte exemplares da excelsa colheita de 1984:

- COCTEAU TWINS Treasure [4AD]
- DAVID SYLVIAN Brilliant Trees [Virgin]
- ECHO & THE BUNNYMEN Ocean Rain [Korova]
- FELT The Strange Idols Pattern And Other Short Stories [Cherry Red]
- THE GO-BETWEENS Spring Hill Fair [Beggars Banquet]
- HÜSKER DÜ Zen Arcade [SST]
- JULIAN COPE Fried [Mercury]
- LLOYD COLE & THE COMMOTIONS Rattlesnakes [Polydor]
- MINUTEMEN Double Nickels On The Dime [SST]
- THE PALE FOUNTAINS Pacific Street [Virgin]
- PREFAB SPROUT Swoon [Kitchenware]
- PRINCE & THE REVOLUTION Purple Rain [Warner Bros.]
- R.E.M. Reckoning [I.R.S.]
- THE REPLACEMENTS Let It Be [Twin/Tone]
- ROBYN HITHCOCK I Often Dream Of Trains [Midnight Music]
- THE SMITHS The Smiths [Rough Trade]
- THE SMITHS Hatful Of Hollow [Rough Trade]
- THE SOUND Shock Of Daylight EP [Statik]
- THIS MORTAL COIL It'll End In Tears [4AD]
- U2 The Unforgettable Fire [Island]

A título meramente ilustrativo, deixo-vos a estreia absoluta em televisão de uma banda do Sul dos Estados Unidos, mais propriamente da Geórgia. Na altura, o sucesso planetário era apenas uma miragem. Nas palavras do baixista, o tema em questão era, à data, "demasiado novo para ter um nome":


R.E.M. "So. Central Rain (I'm Sorry)"
[Live @ Late Night with David Letterman, 06/10/1983]

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Duetos #7

Preocupado com o estilo de vida auto-destrutivo do amigo, Michael Stipe decidiu escrever uma carta a River Phoenix, alertando-o para os perigos dessa conduta. A carta nunca seria enviada e, nas circunstâncias que todos conhecem, Phoenix morreria, fez no passado dia 31 de Outubro precisamente quinze anos. Tinha apenas 23 anos e era o mais promissor actor da sua geração.
O episódio da carta nunca enviada inspiraria Stipe a escrever a canção que se segue, na qual Patti Smith tem uma pequena mas determinante colaboração. Podem encontrá-la em New Adventures In Hi-Fi, o último álbum gravado pelo quarteto original dos R.E.M. e, por coincidência, o último disco realmente essencial da banda georgiana.


"E-Bow The Letter" [Warner Bros., 1996]

terça-feira, 22 de maio de 2007

SINGLES BAR #9

R.E.M.
Fall On Me (I.R.S., 1986)

Face ao look adoptado há mais de uma dezena de anos, talvez hoje poucos se lembrem que, em tempos, Michael Stipe usou cabelo comprido. Nesses tempos, os R.E.M., colectivo do qual é figura de proa há mais de 25 anos, ao contrário da boçalidade exibida na última década, eram uma das bandas mais excitantes do planeta. Por esses dias eram muitas vezes considerados o equivalente dos The Smiths em terras do Tio Sam, com o que isso tem de elogioso e, tal como os seus congéneres de Manchester, tinham por hábito não exibir imagens da banda nos (poucos) videoclips que faziam.
O primeiro contacto que tive com este (então) quarteto foi precisamente através de um videoclip (da autoria do próprio Stipe) que exibia tanto de estética lo-fi, como de cinemático. A canção em questão era "Fall On Me", single extraído do álbum Lifes Rich Pageant, na qual os R.E.M. ostentavam de forma sublime as influências dos Byrds que a banda sempre fez questão de admitir, quer nas harmonias vocais entre Stipe e o baixista Mike Mills, quer na delicadeza da guitarra de Peter Buck. Embora seja um tema de cariz explicitamente ecologista, a letra de "Fall On Me" é, ainda assim, ambígua o suficiente para que se possa adpatar facilmente ao universo das relações humanas.
Apesar da tendência natural que alguns de nós melómanos temos para nos desinteressar pelas bandas à medida que estas se tornam mais mainstream, "Fall On Me", além de ser a minha canção preferida dos R.E.M., é ainda hoje parte integrante da banda sonora ideal dos "meus anos oitenta".
Video de "Fall On Me"