"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
Mostrar mensagens com a etiqueta Posies (The). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Posies (The). Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de março de 2011

Singles Bar #61








THE POSIES
Golden Blunders
[DGC, 1990]




Quem foi que disse que a Seattle de há vinte anos era só camisas de flanela e/ou barbichas de bode? Que era apenas catarse do angst juvenil, infelizmente, mais vezes encenado que genuíno?  Antes mesmo do teen spirit eclodir nos media, na chuvosa cidade do noroeste americano uma banda ousava fazer-se notar com roupas de corres tão garridas quanto as do cabelo de um dos seus vocalistas/guitarristas - Ken Stringfellow, o rapaz que, desconfio, inspirou aquela personagem da Kate Winslet. O nome da banda em questão é The Posies, e seu é o mérito pela recuperação das sonoridades power-pop setentistas em solo norte-americano, um pouco à semelhança do papel dos Teenage Fanclub no Reino Unido.

Porém, se ao longo do percurso os congéneres escoceses partiram dos Big Star para as harmonias dos Beatles e afins, os Posies seguiram o direcção praticamente inverso. Isto ainda antes do soberbo Frosting On The Beater, quando a banda envergava orgulhosamente a sua anglofilia. Para tal, contaram com a produção do credenciado John Leckie, que os conduziu a um assomo de sucesso com o álbum Dear 23, segundo da carreira e primeiro numa multinacional. Tal acolhimento fica sobretudo a dever-se ao razoável airplay de "Golden Blunders", tema mais conhecido desse disco e exemplo paradigmático da "sonoridade The Posies", isto é, encaixe perfeito das duas vozes (Stringfellow e o inseparável Jon Auer) e uma melodia luminosa que tem tanto de canónico como de irrepreensível. Esta proximidade da perfeição pop é muitas vezes confundida com vulgaridade. À letra, que aborda o remorso e o arrependimento pelas oportunidades perdidas, poderá ser apontado algum moralismo estandardizado. É uma observação tão adequada como a de excesso de juvenilidade. Sucede que "Golden Blunders" é leveza pop até ao tutano e não aspira a mais do que isso...



terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mais doçura / Menos sangue
















Ano morno, este que decorre, pelo menos no que concerne a revelações e/ou surpresas musicais. Já no que toca a regressos de bandas que raramente nos deixam ficar mal, os três primeiros trimestres de 2010 têm-se revelado relativamente proveitosos, pelo menos no espectro power-pop. Sem perder de vista o fim da hibernação dos aparentados Superchunk, o ano corrente já valeu por mais um assomo de genialidade dos escoceses Teenage Fanclub, e agora fica também marcado pelo regresso dos congéneres norte-americanos The Posies, a tal banda de Seattle que, em inícios de noventas ousou escapar às sonoridades então conotadas com aquela cidade. Talvez por isso, tudo na sua carreira tenha acontecido com alguma discrição, talvez demasiada tendo em conta o jeito que a dupla Ken Stringfellow e Jon Auer leva para urdir gemas pop que resistem, como poucas, à voragem do tempo. Tal como a meia dúzia de antecessores, o novo Blood/Candy chega de mansinho, às escondidas dos hipsters do nosso tempo, mas ainda à altura dos pergaminhos do seus criadores. Liberta, pelos piores motivos, dos afazeres com os Big Star, a parelha de cantores/compositores optou desta feita por preencher a totalidade do disco com composições conjuntas, em detrimento da habitual fórmula de mistura destas com criações individuais. Daí resultam uma dúzia de canções já sem a efervescência juvenil dos clássicos Dear 23 (1990) e Frosting On The Beater (1993), mas com o lustro e a dose de sacarina bastantes, sobretudo ao nível das harmonias vocais magnificamente acasaladas com as melodias à guitarra de um classicissismo formal. Na inevitável comparação com os já citados TFC, poderemos dizer que os The Posies já deixam transparecer o peso da idade sem que, no entanto, tendam para uma introspecção tão profunda como a daqueles. No imediato, os mais familiarizados com a banda estranharão uma  tentativa de fuga à filiação, antes bem notória, dos Big Star. No entanto, Springfellow e Auer continuam apostados em explorar o filão da época dourada da pop, agora com maior incidência na de origem inglesa (The Beatles, The Kinks). Para tal, contam com as vozes convidadas de Hugh Cornwell (The Stranglers), Lisa Lobsinger (Broken Social Scene), e Kay Hanley (Letters to Cleo). Esta última dá um ar da sua graça no tema que serviu de avanço a Blood/Candy:


"The Glitter Prize" [Ryko, 2010]
 

terça-feira, 12 de maio de 2009

Discos pe(r)didos #26



















THE POSIES
Frosting On The Beater [Geffen, 1993]

Falar de Frosting On The Beater - o título é uma referência à masturbação - é falar de um disco que me é especialmente caro, daqueles a que tenho recorrido amiúde ao longo dos anos. É falar da mais completa obra power pop dos últimos 20 anos (os Teenage Fanclub e os Lemonheads não são "só" power pop. Entendidos?). É falar de um disco que deveria ser, por decreto, obrigatório em cada lar, em cada escola, em cada escritório. No entanto, não se pense ser este um disco particularmente original, bem pelo contrário. Frosting assume a herança dos Big Star dos primórdios, quando Alex Chilton e Chris Bell remavam para o mesmo lado, e traça um testemunho sincero e sentido das vivências da juventude. O alheamento, o angst, os sonhos, os amores, as conquistas e os fracassos, está tudo aqui! Frosting é o momento em que as vozes, as guitarras, e os dotes de escrita de Jon Auer e Ken Stringfellow atingem o ponto de harmonia. Sem perder pitada da sensibilidade pop revelada no anterior Dear 23, esta é uma obra pujante de força, até vagamente grungy (os Posies são de Seattle, para que conste), cortesia da brilhante produção de Don Fleming, à data acabadinho de trabalhar com Teenage Fanclub e Hole.
Porém, apesar da profundo afecto que me suscita, não me é fácil descrever Frosting em palavras. Mas sempre posso dizer que os orelhudos "Dream All Day", "Solar Sister", e "Flavor Of The Month" constituem um trio de abertura arrasador, meio caminho para a conquista imediata. Ou que os melódicos "Earlier Than Expected", "Coming Right Along", e "Burn & Shine" poderiam, noutras mãos, redundar em baladas inconsequentes. Este último, de cariz conselheiro, evolui para um devaneio guitarrístico com fim abrupto. Ou ainda, jogando o melhor trunfo, posso remeter-vos directamente para "Definite Door", uma sublime visão romantizada da fuga como meio para almejar os sonhos.


"Dream All Day"


"Definite Door"


"Solar Sister"

segunda-feira, 24 de março de 2008

GOOD COVER VERSIONS #5

JON AUER
"Beautiful Stranger" (Pattern 25, 2001)
[Original: Madonna (1999)]

A todos a quem o nome possa causar alguma estranheza, lembro que Jon Auer é um dos criativos por detrás dos The Posies, a maior força viva do power pop dos últimos 20 anos. Como prémio pela devoção, é também, juntamente com o camarada Ken Stringfellow, e a convite do próprio Alex Chilton, membro dos renascidos Big Star.
Antes de se lançar na empreitada dos álbuns a solo, Auer lançou um par de EPs. O segundo dos quais, intitulado 6 1/2 e contendo sete faixas, não é mais que um conjunto de versões em formato acústico de temas tão variados como "Love My Way" (The Psychedelic Furs), "Bonnie & Clyde" (Serge Gainsbourg), ou "Baby Bitch" (Ween). Presume-se pois, que o 1/2 a que alude o título do disco seja o seu sétimo tema, esta revisão do contributo de Madonna para a banda sonora do segundo capítulo da saga Austin Powers.
Não obstante tratar-se de um dos melhores temas de Madge (não, não sou apreciador, mas tolero até certo ponto), esta releitura em registo happy-sad de "Beautiful Stranger" é um daqueles raros casos em que a versão supera largamente o original. Ou, como alguns dirão, o lixo vira luxo.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

I COULD DREAM ALL DAY...

THE POSIES
Frosting On The Beater (DGC, 1993)

I've got a lot of thoughts
Got a lot of plans
I lost a lot of sleep
Trying to understand
I could dream all day...
(in "Dream All Day")


Logo depois de acordar, e depois do banho tomado, tenho por hábito por a tocar um disquito daqueles que nos deixam bem-dispostos para o resto dia. Este costuma ser uma escolha frequente. E foi a escolha de hoje... e não é que o raio desta música não me saiu da cabeça o dia todo! Há dias assim... em que a melhor coisa a fazer é sonhar!