"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Mil imagens #51



Manic Street Preachers - Londres, 1990
[Foto: Joe Dilworth]

terça-feira, 11 de junho de 2013

Singles Bar #85








MANIC STREET PREACHERS
Motorcycle Emptiness
[Columbia, 1992]



Sempre disse que os Manic Street Preachers nunca foram uma banda de músicos excepcionais, nem sequer particularmente original, mas a seu favor têm uma entrega à causa rock'n'roll invulgar, algo do qual não duvidamos da genuinidade. Ao contrário das novas bandas de hoje em dia, que são de imediato motivo das maiores parangonas, levaram anos a aprimorar com sucessivos singles que passaram mais ou menos despercebidos até nos circuitos independentes. Subiram a pulso e gradualmente, e mal chegados lá acima, fizeram questão de espalhar o seu manifesto, que incluía aquela arrogância que encontramos apenas nas grandes bandas e que a maioria das novas tem mais falta de engenho do que propriamente vergonha para ostentar.

Logo ao primeiro longa-duração, não se fizeram rogados e atiraram logo com um álbum duplo com o plano pouco secreto da conquista do mundo. Generation Terrorists não logrou tal feito, mas pelo menos conquistou um grupo de devotos alienados dos ditames do rebanho da maioria. Grupo esse que cresceria exponencialmente quando "Motorcycle Emptiness" foi lançado como single, já o quinto a ser extraído do álbum. Este tema, tantas vezes vilipendiado pelos muitos detractores dos Manics pela sua sobreexposição, tem todas as características para ser elevado àquela restrita categoria dos hinos rock. Com um riff orelhudo e um refrão em jeito slogan, algo a que a militância política da banda nos habituou, é um tema imediato e que se dispõe a ser entoado por grandes massas a plenos pulmões. A letra, escrita pela dupla Richey Edwards e Nicky Wire, tendo como ponto de partida um poema do irmão deste último, é do mais poeticamente subtil por eles criado. Inspirando-se no livro Rumble Fish, da escritora S.E. Hinton, os dois letristas apelam a uma juventude, solitária e alienada, que se vê confrontada com um mundo submisso às regras do consumismo. Tem o teor político habitual nos Manics, mas tem também aquele lado tão humanista que era característica dos escritos do desaparecido Richey, ele próprio um dos mais ilustres alienados da geração de noventas. Impressionante é também a paixão que James Dean Bradfield, na altura na posse de todo o vigor da juventude, coloca ao cantar algo que não é da sua própria autoria. Tenho de vos confessar que, ainda hoje, de cada vez que escuto "Motorcycle Emptiness", preferencialmente no esplendor dos mais de seis minutos da versão do álbum, sou sacudido por arrepios, não só pelas memórias de outrora que suscita, mas também pela carga emocional que a canção ainda é capaz de provocar. Um eterno rebelde do género romântico, eu...


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Uma segunda juventude

















Nicky Wire, o baixista e principal letrista dos Manic Street Preachers desde o mediatizado desaparecimento de Richey James Edwards, disse um dia que a sua banda era apenas capaz de conceber dois tipos de registos: os discos glam-rock e os discos post-punk. Ora, se o anterior e mui recomendável Journal For Plague Lovers (2009) caía nesta última categoria, é lógico que o novo Postcards From A Young Man enverede pela pompa glam. Podemos então contar com doses massivas de delírios guitarrísticos, mas também com aquele sentimento bigger than life a que os Manics já nos habituaram. Ou seja, Journal... era o sucessor natural do fulgurante The Holy Bible (1994), Postcards... é a sequela possível do platinado Everything Must Go (1996); o disco anterior contava com o artwork de Jenny Saville a sublinhar a neurose, o novo tem Tim Roth na capa (os Manics e o constante flirt com a iconografia da cultura popular...), como que a realçar o espírito de guerrilha letrada que o percorre. Este paralelismo com os dias de glória da banda galesa não é inocente, pois pretende destacar a revitalização do trio que já ninguém esperava, tanto mais que já vão no décimo álbum e, antes do "renascimento" com Journal..., levavam já mais de uma década de estagnação de ideias. Na sua ânsia de grandiosidade, Postcards... não se serve apenas das esperadas secções de cordas - conta também com a novidade dos coros gospel, complemento adequado ao timbre único e hiper-expressivo de James Dean Bradfield. Não faltam também as habituais citações literárias, desta feita a contemplar o recentemente desaparecido JG Ballard. Irados desbocados no passado, por vezes desagradáveis, os Manics já têm amigos notáveis, e Ian McCulloch e John Cale acedem ao convite para dar o seu contributo. No sugestivo vídeo promocional do primeiro single contam com o protagonismo dos talentos emergentes dos actores Michael Sheen e Anna Friel:

"(It's Not War) Just The End Of Love" [Columbia, 2010]

domingo, 20 de dezembro de 2009

O diário da dor




















MANIC STREET PREACHERS

Journal For Plague Lovers
[Columbia, 2009]

Suponho que, se alguma vez o foram, os habituais visitantes deste blogue não sejam, por estes dias, adeptos dedicados dos Manic Street Preachers (MSP). Eu confesso que nutri por estes irredutíveis galeses um profundo sentimento de afecto que durou quatro álbuns. De então para cá, a descrença cresceu a cada novo lançamento, ao ponto de não dar grande importância à notícia da entrada da banda em estúdio para a gravação do nono álbum sob a batuta do Midas Steve Albini. Na altura especulou-se sobre a possiblidade de este novo disco regressar às sonoridades de The Holy Bible (1994), tanto mais que a banda se propunha musicar algumas letras deixadas pelo desaparecido Richey James Edwards, principal responsável pelo clima opressivo daquela obra-prima. À saída de Journal For Plague Lovers, nova evidência a remeter para aquele disco, com o art work a ser entregue à sempre perturbadora Jenny Saville, artista plástica que tinha desempenhado igual papel em The Holy Bible. E eu, imovível...
Só muito recentemente me decidi pegar em Journal..., e desde logo constato que, não estando perante uma nova Bíblia Sagrada, este é o trabalho mais conseguido dos MSP logo a seguir àquele clássico. Menos hermético e impenetrável, Journal... é mais directo e frontal, inclusive, piscando o olho à exuberância dos dois primeiros álbuns da banda. na recuperação da aspereza das guitarras. Por entre descargas de crueza rock e baladas sentidas, estes treze temas deixam uma vez mais evidente o talento inato de Edwards para condensar em palavras sentimentos como a dor, o desalento, o inconformismo, e a exclusão. Palavras essas, que na voz expressiva de James Dean Bradfield encontram o veículo perfeito. No sucesso desta empreitada, convém não menosprezar o papel de Steve Albini que, ao registar gravações em fita analógica, realça a força das batidas de Sean Moore, um dos principais factores da coesão do disco. Do lote de temas que facilmente entrarão para o grupo restrito dos obrigatórios nos sempre intensos concertos dos Manics, deixo-vos um exemplar no qual a F word foi suprimida para não ferir susceptibilidades (?!). Oh mummy, what's a Sex Pistol?, perguntam eles...


"Jackie Collins Existential Question Time"

domingo, 30 de março de 2008

DUETOS #2

Tão jovens e rebeldes que nós éramos...

Manic Street Preachers & Traci Lords "Little Baby Nothing" (Columbia, 1992)