"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sons da paralaxe
















Ao leme dos excelsos Deerhunter, Bradford Cox é uma das mais carismáticas e prolíficas figuras do cenário pop actual. Essa tendência para a hiper-actividade é extensível ao projecto pessoal Atlas Sound, um eventual tubo de ensaio para experiências a desenvolver na banda "principal". A solo, Cox reforça o intimismo caseiro, subvertendo muitas vezes os temas por via da manipulação até se assemelharem a meros esboços de canções. Já nos Deerhunter, não obstante alguma rebeldia aos cânones pop que faz deles uma banda singular, o formato estandardizado de canção é minimamente respeitado.

O maior pendor experimentalista dos Atlas Sound era uma verdade insofismável até à edição do recente Parallax, seguramente o mais convencional dos três discos do projecto e também o mais conseguido. Embora as perturbações electrónicas ainda tenham presença visível, o novo disco ganha em organicidade por via do protagonismo dado às guitarras e do papel secundário atribuído às pianadas discretas. Daí resulta um conjunto de canções frágeis mas ricas em detalhes, quase miniaturas da maior ostentação que conhecemos dos Deerhunter. Todas elas vêm ainda percorridas pelo habitual recolhimento melancólico, ou não estivéssemos perante um dos músicos que, na actualidade, expõe as entranhas do íntimo com maior acutilância.


"Mona Lisa" [4AD, 2011]


"Te Amo" [4AD, 2011]

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ao vivo #16














Animal Collective + Atlas Sound @ Lux Frágil, 28/05/2008

Desilusão, decepção, frustração - três palavras que exprimem o meu sentimento depois do concerto dos Animal Collective (AC) de ontem à noite. Com um início demasiado Panda Bear para o meu gosto, só ao quarto tema tive uma ligeira esperança de que a coisa "descolasse", quando Avey Tare pegou na guitarra e se aproximou do microfone. Foi sol de pouca dura, já que, ao fim de pouco tempo, o agora trio caiu nos mesmos devaneios inconsequentes. Compreende-se que haja uma opção por dar maior destaque ao último Strawberry Jam, nitidamente inferior aos dois álbuns anteriores, mas custa-me a entender que, mesmo assim, tenham deixado de fora do alinhamento o momento maior daquele disco. Falo obviamente de "For Reverend Green".
Depois de um concerto longo - demasiado longo - o encore (com "Grass" e "Who Could Win A Rabbit" acabaria por ser uma bêncão. Tivesse havido "Banshee Beat" e estariam quase perdoados de tão penosa prestação.
Em suma, algo que se esperava inebriante e acabou por ser entediante. Mas, uma boa dose da culpa poderá ser atribuída às altas expectativas criadas por um concerto mágico, lá para os lados de Cacilhas, há coisa de dois anos e meio.

Antes dos AC, e depois da interminável espera (mau hábito já habitual em algumas salas de concertos), passou pelo palco do Lux Atlas Sound, o projecto pessoal de Bradford Cox, frontman do Deerhunter. Passou e quase nem se deu por ele, já que Cox, sozinho em palco, optou por passar o breve concerto sentado no chão, tornando-se invisível para uma boa parte do público. Não retirando qualquer brilho à canções de sonho que conhecemos dos discos, esta estratégia poderá não ter sido a melhor, uma vez que não conseguiu prender a atenção da assistência que, na sua maioria, se comportou como se estivesse a ouvir música gravada.

Para o saldo francamente negativo da noite, muito terá contribuído o local das ocorrências: uma sala quente, abafada, com uma acústica sofrível e evidentes "barreiras arquitectónicas" à realização de concertos em condições decentes. Ainda para mais, apinhada de gente que ainda não percebeu que, para que duas pessoas que se desloquem em sentidos contrários se possam cruzar, é necessário que uma delas ceda a passagem. A menos que uma delas passe por cima... e, ás vezes, é o que apetece fazer...
Quanto ao preço das bebidas... bem... aos frequentadores daquele antro deveria ser vedado o direito de comentar o preço dos combustíveis...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Daqui a pouco...

... o colectivo animal regressa à capital. Se as expectativas para o prato principal são grandes, maiores são para a ave rara que o antecede.

Atlas Sound "Quarantined" [Kranky, 2008]*

* A partir de Andy Warhol's Blow Job

terça-feira, 4 de março de 2008

EM ESCUTA #25

















ATLAS SOUND

Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel

(Kranky, 2008)

A génese deste disco remonta à adolescência de Bradford Cox, período em que uma doença degenerativa o obrigou a um internamento hospitalar que lhe roubou um Verão.
Aproveitando o merecido repouso dos extraordinários (substituir por outro adjectivo semelhante, a gosto) Deerhunter após um longo período na estrada, o seu líder aproveitou para ordenar as ideias entretanto deixadas em banho-maria. Daí resultou Let The Blind..., gravado em solitário no Verão passado. E note-se que o termo solitário é para ser levado à letra, já que os únicos nomes constantes na ficha técnica, além do próprio Bradford, são Brian Foote, co-responsável pelas misturas, e Bob Weston (dos Shellac), a quem coube a masterização.
Sem surpresas, um disco gravado sob estas premissas tem de ser um disco de forte cunho pessoal. O que surpreende, dado o teor melancólico e intimista desta obra, quase fechada sobre si própria, é a luz que emana de Let The Blind....
Com o mote dado por "Ghost Story", o tema que em jeito de intro abre o disco, somos transportados ao longo de cinquenta minutos para um universo paralelo, um mundo hiper-romântico onde se revisita a ingenuidade da infância.
O catorze temas apresentados são construídos a partir de densas camadas sobrepostas de sons sintéticos e instrumentos físicos. Tal como em Cryptograms (2007), o segundo registo e aquele que deu visibilidade aos Deerhunter, abundam os trechos instrumentais. Porém, desta feita, e graças ao tom mais cristalino, Let The Blind... não denota aquela toada abstraccionista que ainda deixava transparecer uma certa indefinição naquele disco.
Canções escorreitas, no mar de interferências várias, é difícil apontá-las. No entanto, arriscaria destacar "River Card" e "Quarentined", momentos mais convencionais e, simultaneamente, de maior sedução num disco que funciona como um todo.
Sendo ainda prematuro para este tipo de vaticínios, ouso afirmar que 2008 terá de ser um ano de colheita excepcional para que Let The Blind... possa ficar fora da lista dos melhores do ano.
Como forma de aliciamento, deixo-vos um docinho:

"River Card"

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

OS SONS DO ATLAS

Os poucos que tiveram o privilégio de assistir à única prestação dos Deerhunter em solo luso, guardarão decerto na memória o vocalista Bradford Cox, um ser frágil e de ar pouco saudável, mas com carisma e entrega de sobra.
Aproveitando a hibernação da banda principal (no que respeita a concertos, porque até há um novo disco na calha para 2008), Cox arranjou mais tempo para se dedicar ao seu projecto pessoal, ATLAS SOUND, com o debute em longa-duração agendado pela Kranky para 11 de Fevereiro.
Pelos temas a que já tive acesso de Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel, pareceu-me estarmos perante mais um passo evolutivo na carreira deste músico genial que não pára de surpreender.

Atlas Sound no MySpace