"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 31 de julho de 2011

Run for covers















Cada uma à sua maneira, cada uma no seu tempo, Nirvana e The Strokes foram, porventura, as bandas que mais marcaram o curso da história da música popular na última vintena de anos. Os primeiros com Nevermind (1991), que deu uma até aí impensável visibilidade ao underground norte-americano, pelo menos até que os senhores que decidem na indústria discográfica decidirem subverter a coisa com a aposta em produtos formatados nascidos já com um intenso cheiro a mofo. Os nova-iorquinos com Is This It (2001), que insuflou sangue novo no moribundo rock, renovando o interesse do público no dito ao ponto de, no curto espaço de 2/3 anos, haver um imenso rol de seguidistas cujos horizontes de "arqueologia musical" dificilmente iam além da "moda" do mês anterior.

Separados por dez anos, um e outro disco foram lançados em Setembro, pelo que ambos estão perto de cumprir aniversários redondos. Antecipando as efemérides, começaram já a surgir acções comemorativas. Primeiro foi a revista norte-americana Spin a oferecer gratuitamente Newermind, um conjunto de versões de cada uma das canções do histórico disco dos Nirvana, e mais recentemente a publicação digital Stereogum a patrocinar idêntica oferta com Stroked.

Em ambos os casos, e como e como já vem sendo comum em iniciativas do género, os resultados variam entre o óptimo e o desastroso, passando, obviamente, pelo satisfatório. No tributo aos Nirvana, as maiores desilusões ficam a cargo de Meat Puppets e The Vaselines, curiosamente duas bandas que beneficiaram sobremaneira com a adoração desmedida de Kurt Cobain. No pólo oposto, a merecer nota francamente positiva, estão Telekinesis, que realçam o sentir pop de "On A Plain", Titus Andronicus, personalizados no respeito pelo demolidor "Breed", EMA com uma catártica interpretação de "Endless Nameless", e o fantástico Charles Bradley, que reinventa "Stay Away" em cenário soul profusamente groovy. Mais equilibrada, a homenagem aos The Strokes é feita por alguns dos nomes queridos do buzz blogosférico. Tem, porém, um par de versões para esquecer a cargo de Owen Pallett (nada que me surpreenda, portanto) e de uns tais de Austra, muito próximos de alguns cozinhados recentes na peugada de Kate Bush. Muito acima da média está Frankie Rose, em estado de graça pop na interpretação de "Soma". Nas reinterpretações radicais de Heems (dos Das Racist), e dos Real Estate, Stroked conhece os seus pontos altos. O primeiro ataca "New York City Cops" com um arrojado hip-hop abastardado, enquanto os últimos dão mais um passo rumo à coroação como uma das bandas mais interessantes da actualidade com o assombro de pop estelar de "Barely Legal".


Charles Bradley & The Menham Street Band _ "Stay Away" [Spin, 2011]


Real Estate _ "Barely Legal" [Stereogum, 2011]

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Uma pequena alegria
















Foto: Autumn de Wilde


Depois do fraquinho First Impressions Of Earth, e da tournée correspondente, os Strokes parecem ter entrado num longo período de silêncio. Neste hiato, os membros da banda nova-iorquina vão aproveitando para concretizar os seus projectos pessoais. Primeiro foi Albert Hammond Jr., que conta já com dois álbuns a solo no currículo. Agora é a vez do baterista Fabrizio Moretti apresentar os "seus" Little Joy.
Curiosamente, a génese do projecto remonta ao Verão de 2006, quando os Strokes pisaram pela primeira e única vez palcos portugueses. Foi por ocasião do festival Lisboa Soundz, que contava igualmente com os brasileiros Los Hermanos. Nos bastidores do festival, Moretti travou conhecimento com Rodrigo Amarante, elemento destes últimos, e deixou a promessa de gravarem qualquer coisa juntos.
Posteriormente, o brasileiro rumou a Los Angeles, onde se reuniu com o novo amigo americano. Para a concretização do projecto, ao duo inicial juntou-se a multi-instrumentalista Binki Shapiro. Das sessões de estúdio resultou Little Joy, um pequeno disco que, sem querer mudar o mundo, é seguramente o melhor trabalho com assinatura de um stroke nos últimos cinco anos. E a receita é muito simples: onze canções ligeiras e positivistas que, em período de temperaturas baixas, nos fazem já suspirar pela época estival.

Little Joy no MySpace