"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mil imagens #32



Liars - Berlim, 2005
[Foto: Steve Gullick]

terça-feira, 24 de julho de 2012

A sexta mentira


















Quando apareceram, nos alvores do século XXI, os Liars foram pioneiros na reapropriação das linguagens post-punk que, em pouco tempo, se tornaria uma tendência gasta. Os próprios terão profetizado tal esgotamento rápido, e cedo se demarcaram da "corrente". Abandonaram Nova Iorque, rumaram a Nova Jérsia, depois a Berlim, e foram operando metamorfoses estéticas capazes de apanhar desprevenido o mais acérrimo seguidor. Nos três álbuns seguintes à estreia, sucessivamente, ensaiaram o experimentalismo noise, as potencialidades da percussão como ferramenta principal, e o indie-rock de cariz fuzzy. Só no último Sisterworld (2010) davam alguns sinais de abrandamento com um disco que resulta como uma mescla dos vários caminhos percorridos.

Se esse último álbum, o primeiro concebido desde a mudança para Los Angeles, dissertava sobre a vivência naquela metrópole, o novo WIXIW (leia-se "wish you") é anunciado como uma viagem interior dos membros da banda na sua relação com a nova cidade de acolhimento. Criado e gravado numa cabana nos arredores remotos de L.A., sob a supervisão de Daniel Miller (fundador e patrão da Mute Records), o disco, o mais reflexivo dos Liars até à data, espelha essa atmosfera de isolamento numa aura vagamente sinistra. Falta dizer que marca também mais uma reviravolta estilística, desta feita privilegiando as ferramentas electrónicas. É por isso, o disco mais "sintético" da meia dúzia que os Liars já levam no currículo. Não se pense, porém, que houve uma rendição a qualquer praga dançante da época. Longe disso, WIXIW mantém intactos os impulsos experimentalistas, fazendo da criação de atmosferas uma prioridade em relação à elaboração de temas indistintos. Não é descabido, salvas as devidas distâncias, citar alguns trabalhos de Aphex Twin ou The Future Sound of London como produtos aparentados. Como um todo, WIXIW deixa escapar um certo mal de vivre, bem evidente na voz desencantada de Angus Andrew, por vezes num timbre assustadoramente semelhante ao de um Beck em dia não. A única excepção à toada dominante talvez seja "Brats", um assalto de bleeps distorcidos com vocalizações animalescas. Para ilustrar WIXIW, porque melhor representa o conjunto, escolhemos aquele que foi o single de avanço, merecedor de vídeo promocional ao nível do melhor que os Liars já nos habituaram.

 
"No. 1 Against The Rush" [Mute, 2012]

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mil imagens #13


Liars - Berlim, 2007
[Foto: Joe Dilworth]

Voltamos hoje a Joe Dilworth, baterista dos regressados Th' Faith Healers e fotógrafo com créditos firmados no espectro indie britânico. Porém, uma das bandas com a qual tem uma maior proximidade é norte-americana: os Liars. Com os nova-iorquinos mantém uma relação profissional que remonta aos primórdios, na eclosão do neo-post-punk de inícios do século. Tem-nos seguido ao longo do percurso cheio de viragens bruscas e documentou-lhes boa parte do exílio berlinense. Foi na capital alemã, aquando das sessões de gravação do álbum homónimo da banda, que captou a imagem supra, um quadro perfeitamente representativo da energia ensandecida que transpira dos discos e concertos dos Liars.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Em escuta #49









FRIGHTENED RABBIT _ The Winter Of Mixed Drinks [FatCat, 2010]

Logo no tema de abertura teme-se que os escoceses Frightened Rabbit se tenham juntado à pandilha insossa a que pertencem os conterrâneos Snow Patrol. Felizmente, o pior dos medos desvanece-se ligeiramente em seguida, quando somos confrontados com o hiper-dramatismo miserabilista expresso no sotaque carregado de Scott Hutchison. Aumentados de trio a quinteto desde o anterior registo, os FR expandem agora a canções para uma grandiosidade quase épica que, não raras vezes, integra pomposos arranjos de cordas. Para trás ficou aquela naïvité genuína responsável por muito do seu charme. O próximo passo poderá muito bem ser a abertura de uma qualquer tournée dos fastidiosos Coldplay. Ou então dos U2... [6,5]


LIARS _ Sisterworld [Mute, 2010]

Depois do tropel de mudanças estéticas, ao quinto registo, os Liars repetem-se. Ou melhor, reformulam e aprumam as premissas do segundo álbum - o incompreendido They Were Wrong, So We Drowned (2004). Gravado em Los Angeles, Sisterworld recupera a opção dos discos vagamente conceptuais, discorrendo sobre os truques necessários para preservar a sanidade numa grande metrópole. Os temas alternam entre discursos contemplativos e surrealistas e tiradas de insanidade a cargo do berrador de serviço Angus Andrew, estas convenientemente acompanhadas de descargas vitriólicas das guitarras. As letras, quando decifráveis, remetem para imagens tétricas, aterradoras, quando não cómicas. Escusado será dizer que Sisterworld é um trabalho de difícil digestão mas que, depois de devidamente assimilidado, reforça a convicção que, na sua imprevisibilade estonteante, os Liars são uma das mais importantes bandas dos últimos dez anos. [8]


THE BESNARD LAKES _ ...Are The Roaring Night [Jagjaguwar, 2010]

Três anos depois de se fazer notado, o colectivo reunido em volta do casal Jace Lasek e Olga Goreas repete muitos dos truques que fizeram de ...Are The Dark Horse um disco singular. Por conseguinte, o terceiro álbum dos Besnard Lakes é, mais uma vez, feito de atmosferas gélidas, paisagens desoladas, e cavalgadas épicas. No falsetto de Jace e no timbre imaculado de Goreas reside luminosidade suficiente para iluminar as trevas em que os temas parecem mergulhados. Embora deixe escapar um travo de dejá vu, ...Are The Roaring Night é o assumir definitivo das tendências prog do combo canadiano, algo apenas aflorado no predecessor e agora bem evidente nos quatro temas que se complementam em parelhas. A rematar, sustentado em sintetizadores generosos, "The Lonely Moan" pode assinalar a porta de entrada dos Besnard Lakes nos teritórios da "música cósmica". Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos... [7,5]


SERENA-MANEESH _ No. 2: Abyss In B Minor [4AD, 2010]

Pelo título e pelo longo período de gravação (quatro anos) supõe-se que, ao segundo registo, os estratega Emil Nikolaisen se tenha rendido à megalomania latente na estreia homónima dos Serena-Maneesh. Puro engano! Com os créditos vocais quase exclusivamente entregues à esposa Hilma, No. 2 é claro exemplo de contenção. A voz etérea, sobreposta às camadas granulosas de distorção, é até causadora de uma certa leveza. As eventuais simetrias com o clássico Loveless dos My Bloody Valentine esbarram numa evidente constatação: os S-M empenham-se na estruturação de canções pop (sonhadoras, é certo), por contraponto aos extractos de sonhos arquitectados pelos MBV. A subverter a atmosfera idílica reinante, o inaugural "Ayisha Blues" é evocativo das tendências mais abrasivas do drum'n'bass de outras eras, enquanto "Honeyjinx" é lamento fantasmagórico a duas vozes. [8,5]

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Not that Scissor Sisters















Em 2001, com o primeiro longa duração, foram pioneiros na recuperação das linguagens post-punk que ainda ditam regras neste início de século, algo que levou críticos acéfalos a querer "vendê-los" como parte da então emergente praga electroclash. Para desfazer equívocos, o incompreendido e negro They Were Wrong, So We Drowned (2004) operam uma transformação radical, roçando as fronteiras do industrial e do puro devaneio experimental. Depois, a avidez da mudança levaria-os a exercício em volta da percussão que é Drum's Not Dead (2006), e até a flirts com a estrutura da canção pop, facção fuzz, no disco homónimo de 2007.
Em inícios de Março, os Liars regressam com Sisterworld, e fazem-se já apostas sobre o actual estádio evolutivo da banda. A ponta do véu é levantada por "Scissor" (mais abaixo), tema que nos remete para a caça às bruxas do mal amado segundo registo, com Angus Andrew, qual Nick Cave de outras eras, a assumir a sua faceta mais cavernosa antes da entrada em cena das guitarras fustigadoras. A pergunta é: será que é desta que os Liars assentam numa estética já explorada? Eu não estaria muito seguro de uma resposta afirmativa, mas...


"Scissor"
[Mute, 2010]

terça-feira, 10 de junho de 2008

Ao vivo #20

Liars + Loosers @ Santiago Alquimista, 09/06/2008

A fechar com chave de ouro uma série verdadeiramente louca de concertos, nada melhor do que aquela que é já uma das mais importantes bandas desta década - os nova-iorquinos Liars.
Sendo esta a terceira vez que os via ao vivo, dos Liars já me habituei a esperar novas surpresas a cada espectáculo, até porque a música produzida pelo trio, num registo sobejamente free, permite inúmeras roupagens.
Desta feita, ao núcleo duro acrescentam um quarto membro (guitarrista), o que confere uma maior envergadura aos temas. No entanto, o resultado fica aquém do esperado, muito por culpa das péssimas condições de acústica da sala. O maior prejuízo sente-se nos temas mais escorreitos do último disco, obviamente prato principal do alinhamento apresentado.
Estranhamente, Angus Andrew, um entertainer por natureza, apresentou-se ontem mais circunspecto do que o habitual. Ainda assim, na segunda metade do concerto tornou-se mais dialogante, chegando a prometer uma surpresa. Muitos esperaram, em vão, algo do calibre de "Territorial Pissings", dos Nirvana, que encerrou o concerto de há dois anos. Em todo o caso, saldo positivo.

Dos espasmos post-punk que caracterizavam o EP de estreia dos Loosers resta apenas a memória. Cada concerto da banda lisboeta - curiosamente alargada a quarteto, tal como a principal atracção da noite - é uma experiência nova, um teste aos sentidos. Por vezes a coisa resulta, outras nem por isso...
Ontem, os intentos foram plenamente conseguidos, com um único tema (longo, obviamente) em que o groove é palavra de ordem. Free-jazz, post-rock da escola de Chicago, ecos tribalistas, tudo cabe na música dos Loosers, ontem, mais do que nunca, a fazerem lembrar aquela que me parece ser a maior influência da música intuitiva actual: os (injustamente) esquecidos Savage Republic. Confiram, sff.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

EM ESCUTA #18

LIARS
Liars (Mute, 2007)

Depois das experiências conceptuais (e incompreendidas) dos dois registos anteriores - temáticas em They Were Wrong So We Drowned, sonoras em Drum's Not Dead -, os Liars voltam a baralhar todos aqueles que seguem a sua carreira, criando o álbum mais atípico e diversificado até à data.
Senão vejamos: "Plaster Casts Of Everything" e "Cycle Time" vão sacar riffs pesadões a um certo rock dos setentas; "Houseclouds", com batida dançante e voz em falsetto, é um número de hip hop transviado digno de um Beck de outras eras; os abstraccionismos de "Leather Prowler" e "The Dumb In The Rain" são um claro sinal da relação de proximidade estabelecida com os Deerhunter em digressões conjuntas; "Sailing To Byzantium", em regime downtempo, introduz a palavra beleza no lêxico dos Liars; "Freak Out" e "Pure Unevil" poderiam muito bem ter saído das sessões de Psychocandy dos Mary Chain; "Protection", com carradas de órgão, encerra o disco em tom contemplativo e poderá apontar algumas pistas para o futuro... ou não...
Como elemento unificador do todo, as texturas dos onze temas de Liars dão um especial ênfase às guitarras.
Já com quatro discos no activo, todos diferentes entre si, e por paradoxal que isso possa parecer, diria que é esta errância que faz dos Liars uma das bandas mais coesas e fascinantes deste novo século. Um dia, acreditem, tudo irá fazer muito sentido.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A GRANDE MENTIRA

Enquanto a maioria dos projectos recuperadores das sonoridades post punk vai apresentando clonagens cada vez mais estafadas, os Liars, responsáveis pelo pontapé-de-saída desta tendência, continuam a competir num campeonato à parte. Por muito que custe a acreditar aos mais incautos, o trio que agora assentou arraiais em Los Angeles nunca deixou de representar o verdadeiro espírito do post punk original: liberdade criativa sem limites e rejeição de fórmulas estanques.
Depois da exploração das possibilidades do uso da percussão patentes em Drum's Not Dead do ano passado, fazem nova inflexão sonora em Liars, o quarto registo a editar em breve.
E se desta vez a criatividade não chegou para um título à altura dos anteriores, parece ter sobrado na concepção da música. Para além de um regresso em força das guitarras, as quatro faixas avançadas no
MySpace da banda deixam antever que o convívio com os notáveis Deerhunter está a dar os seus frutos.
Mais uma prenda para ouvidos menos acomodados. A confirmar a partir de dia 20...