"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ao vivo #46






















Foto: Hisham Bharoocha

Panda Bear @ Lux Frágil, 13/02/2010

Atiram-se os Beach Boys para dentro de um programa informático, dá-se um ar mal acabado de forma a que coisa tenha um ar retro, adicionam-se umas batidas sincopadas, et voilá! No papel e em estúdio, a ideia tem a sua graça, mas sem ser o golpe de génio que meio mundo tem levado o outro meio a crer. Já em palco, ficamos com a sensação que o rapaz nascido Noah Lennox escolheu a cave do Lux para ensaiar uns truques à frente dos amigos. Se assim tivesse sido, ele ou alguém por ele, escolheu local com tão péssimas condições de acústica de forma a que a experiência não passasse de uma macabra brincadeira de Carnaval. A ementa, nada gourmet, compõem-se do ainda inédito Tomboy, disco que parece acentuar duas tendências: maior protagonismo dado à guitarra e, em contraponto, recurso às batidas pensadas para pista com bola de espelhos. Na primeira tarefa, a banda mais obscura da editora Woodsist leva a melhor sobre o rapaz de Baltimore que Lisboa adoptou já crescido. Quanto às batidas, parecem vindas de um qualquer antro nocturno da 24 de Julho circa 1997. 
Sobre a maioria o público que quase lotou o bunker duarnte duas noites consecutivas, questiono-me se estará ali porque aquele é o lugar para se estar, ou por puro deleite auditivo. Estou mais inclinado para a primeira hipótese...

segunda-feira, 26 de março de 2007

EM ESCUTA #8

PANDA BEAR
Person Pitch (Paw Tracks, 2007)

Noah Lennox a.k.a. Panda Bear é membro fundador dos Animal Collective (AC) e reside actualmente em Lisboa, facto já sobejamente comentado nos media ligados a esta coisa da música popular, ao ponto de alguém ter afirmado que Person Pitch exibe uma certa "lisboness", o que quer que isso seja. Para mim, este deve ser um conceito semelhante à mística benfiquista, da qual todos falam e ninguém sabe dizer ao certo o que isso significa.
Se Lisboa ficasse na Califórnia concordoria sem hesitar com este iluminado, pois o ponto de partida para a confecção deste belo disco é a música dos Beach Boys da fase Pet Sounds/SMiLE, tanto nas harmonias vocais, como na grandiosidade do som spectoriano exibido. Esta referência ganha contornos tão evidentes que, no longuíssimo e genial "Bros", ficamos na expectativa de que a qualquer momento possa irromper o refrão de "I Know There's An Answer".
Contudo, Lennox cita os seus heróis não de uma forma meramente copista, revelando um savoir faire na manipulação dos mais diversos sons e um especial cuidado no detalhe, características que fazem de Person Pitch uma obra que, apesar de ancorada no passado, revela uma contemporaniedade ímpar.
E se um certo experimentalismo aplicado a sons familiares é uma das imagens de marca dos AC, aqui acaba por funcionar como o único senão de um disco quase perfeito, fazendo com que as diferentes partes de alguns temas não "colem" tão bem como o desejado. Deste facto, o melhor exemplo é "Good Girl", ao qual subtrairia o ruído electrónico mesclado com coros tribais da abertura para construir uma das mais belas canções dos últimos tempos.
Não sendo, como alguém já disse, o melhor disco "dos" AC, Person Pitch é companhia altamente recomendável para os dias solarengos que se aproximam, seja em Lisboa ou em qualquer outro lado.