"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Em escuta #35



















ANIMAL COLLECTIVE
Merriweather Post Pavillion [Domino, 2009]

Com uma progressiva aproximação ao formato canção consumada no fulgurante Feels (2005), dos Animal Collective (AC), um projecto avesso à estagnação, esperava-se no registo de há dois anos o passo em frente. Porém, tal não sucedeu. Embora recheado de excelentes canções, Strawberry Jam mais não era do que reflexo pálido e polido do seu antecessor. O grande salto surge agora, mais tarde do que o esperado, com o novo Merriweather Post Pavillion (MPP), certamente o disco que mais tinta tem feito correr neste início de ano.
Não se pode dizer que o segredo do sucesso esteja nos ingredientes da receita, que não variam grandemente em relação a um passado recente. Já o mesmo não de pode dizer das suas dosagens. Por conseguinte, os sons sintetizados e electrónicos ganham proiminência na miscigenação com as guitarras (discretas), as batidas tribais de origem geográfica indeterminada, e as vozes infantilóides que, embora emotivas, transmitem uma sensação de profunda felicidade. O resultado da combinação destes elementos é algo propiciador de estados próximos do transe.
Embora funcionando como um todo quase indivísivel, convém destacar em MPP alguns temas que sobressaem após sucessivas audições: o celebratório "My Girls", apropriadamente escolhido para primeiro single, que resume o disco na perfeição; o arrítmico "Daily Routine"; o misterioso e quase-kinksiano "Taste", em que os AC parecem questionar o papel de símbolos de um mundo globalizado no refrão "Am I really all the things that are outside of me?"; e o harmonioso "No More Runnin", onde fica provada inequivocamente a herança dos Beach Boys que os AC não têm como negar. As evidências são tais que, à primeira audição, esperava a entrada de um "God only knows what I'd be without you" a qualquer instante.
Este último tema seria o final perfeito, caso não fosse seguido da freakalhice inconsequente de "Brothersport" que, além de algo irritante, prolonga MPP para uma duração que me parece excessiva.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ao vivo #16














Animal Collective + Atlas Sound @ Lux Frágil, 28/05/2008

Desilusão, decepção, frustração - três palavras que exprimem o meu sentimento depois do concerto dos Animal Collective (AC) de ontem à noite. Com um início demasiado Panda Bear para o meu gosto, só ao quarto tema tive uma ligeira esperança de que a coisa "descolasse", quando Avey Tare pegou na guitarra e se aproximou do microfone. Foi sol de pouca dura, já que, ao fim de pouco tempo, o agora trio caiu nos mesmos devaneios inconsequentes. Compreende-se que haja uma opção por dar maior destaque ao último Strawberry Jam, nitidamente inferior aos dois álbuns anteriores, mas custa-me a entender que, mesmo assim, tenham deixado de fora do alinhamento o momento maior daquele disco. Falo obviamente de "For Reverend Green".
Depois de um concerto longo - demasiado longo - o encore (com "Grass" e "Who Could Win A Rabbit" acabaria por ser uma bêncão. Tivesse havido "Banshee Beat" e estariam quase perdoados de tão penosa prestação.
Em suma, algo que se esperava inebriante e acabou por ser entediante. Mas, uma boa dose da culpa poderá ser atribuída às altas expectativas criadas por um concerto mágico, lá para os lados de Cacilhas, há coisa de dois anos e meio.

Antes dos AC, e depois da interminável espera (mau hábito já habitual em algumas salas de concertos), passou pelo palco do Lux Atlas Sound, o projecto pessoal de Bradford Cox, frontman do Deerhunter. Passou e quase nem se deu por ele, já que Cox, sozinho em palco, optou por passar o breve concerto sentado no chão, tornando-se invisível para uma boa parte do público. Não retirando qualquer brilho à canções de sonho que conhecemos dos discos, esta estratégia poderá não ter sido a melhor, uma vez que não conseguiu prender a atenção da assistência que, na sua maioria, se comportou como se estivesse a ouvir música gravada.

Para o saldo francamente negativo da noite, muito terá contribuído o local das ocorrências: uma sala quente, abafada, com uma acústica sofrível e evidentes "barreiras arquitectónicas" à realização de concertos em condições decentes. Ainda para mais, apinhada de gente que ainda não percebeu que, para que duas pessoas que se desloquem em sentidos contrários se possam cruzar, é necessário que uma delas ceda a passagem. A menos que uma delas passe por cima... e, ás vezes, é o que apetece fazer...
Quanto ao preço das bebidas... bem... aos frequentadores daquele antro deveria ser vedado o direito de comentar o preço dos combustíveis...

sábado, 8 de setembro de 2007

DOCE DA CASA

ANIMAL COLLECTIVE
Strawberry Jam (Domino, 2007)

Aproveitando uma maior afluência de pessoas aos centros de consumo durante os fins-de-semana, uma cadeia de venda de música e de outras tralhas tem por hábito colocar alguns discos à venda antes da data oficial prevista. É só graças a atropelos à Lei deste género que a espera impaciente por Strawberry Jam, o novo rebento dos Animal Collective, se vê encurtada em dois dias.
Depois de três audições em regime non stop, é já possível tirar algumas ilações deste disco que, certamente, me irá acompanhar nos próximos tempos:
  • Strawberry Jam é o passo natural rumo a uma maior acessibilidade encetada no anterior (e genial) Feels;
  • as hamonias vocais a la Beach Boys mostram-se irresistíveis e ganham cada vez mais espaço;
  • apesar de um maior recurso às electrónicas, é na percussão pujante de Panda Bear que se denota um maior sentido evolutivo;
  • para já dois temas a reter: o já conhecido "Peacebone" e "For Reverend Green".
Agora é deixá-lo amadurecer...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

ANIMAL COLLECTIVE NA DOMINO

É oficial: os Animal Collective assinaram pela Domino Records, que assim vê o seu respeitoso catálogo sair enriquecido. Quem o diz é o sítio oficial da própria editora, onde comunica também que o sucessor do magistral Feels irá ser lançado no próximo Verão. Enquanto se aguarda, e de forma a aliviar a impaciência, poderia ser decretado que todas as discotecas de bom gosto tivessem de passar Grass pelo menos uma vez por noite. E já agora, depois do concerto memorável de 2005, seria bom vê-los de novo por cá (olá programadores de festivais de Verão!).