"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Naturezas mortas












Foto: Steven Pan

Em parte por culpa nossa, sempre ávidos de novidades, mas sobretudo por culpa dos próprios intervenientes, dificilmente uma banda do presente nos consegue satisfazer ao segundo disco da forma que nos entusiasmou na estreia. Há excepções, claro, e uma das primeiras que me ocorrem são os nova- iorquinos Crystal Stilts, autores do debutante Alight Of Night (2008), que filtrava o sentir urbano de uns Velvet Underground pelas referências a muitos dos descendentes indie de oitentas. Três anos mais tarde aprimoravam a fórmula no fulgurante In Love With Oblivion, e reincidiam com o EP Radiant Door, exemplo de extremo bom-gosto na escolha de versões. Em qualquer destes trabalhos, não obstante o denso negrume que os cobria, a banda teve a destreza de não cair no embaraçoso tique "gótico". A cada novo registo, a pergunta era sempre a mesma: conseguirão os Crystal Stilts manter o nível qualitativo elevado?

Escutado com alguma insistência o novíssimo Nature Noir, a resposta à pergunta acima é "sim". E ainda com a vantagem de, sem subverter uma identidade, os Crystal Stilts esquivam-se subtilmente à repetição da fórmula ganhadora. Não é que tenham enveredado por uma sonoridade mais sofisticada, como sugeria a novidade da secção de cordas no avanço mais abaixo; bem pelo contrário, a maioria dos temas surge agora reduzida a formas esqueléticas por via do afrouxamento da reveberação que era usada e abusada no passado. Há nesta nova dezena de temas ainda a mesma tensão urbana, a mesma sugestão de cenários nocturnos, e a sombra dos Velvets ainda indica o norte, embora desta feita de uma fase mais avançada, aquela já libertos das garras de Andy Warhol. Um dos mais fieis discípulo daqueles - Dean Wareham - é muitas vezes lembrado pelo timbre de Brad Hargett, que na maior parte do tempo faz questão de reduzir a gravidade do seu barítono.

 
"Star Crawl" [Sacred Bones, 2013]

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cristal radiante













Quando se estrearam em formato longa duração com Alight Of Night (2008), os nova-iorquinos Crystal Stilts tinham para oferecer uma proposta que os diferenciava do restante pelotão norte-americano de revivalistas indie, maioritariamente alinhado com o jangle-pop emanado pela já célebre C86. Esse era um disco mergulhado nas trevas, registado de forma rugosa para soar opressivo, que esteticamente se situava na confluência imaginária dos Velvet Underground com os Joy Division e com as produções de Phil Spector nos idos de sessentas. Já deste ano, o brilhante In Love With Oblivion é um registo substancialmente mais arejado, ainda que com uma boa dose de obscuridade. Com uma gravação mais próxima da alta-fidelidade, deixa libertar os impulsos "garageiros" da banda.

Num meio termo entre os dois álbuns, o novíssimo EP Radiant Door serve essencialmente para nos demonstrar que, por esta altura, os Crystal Stilts são já uma banda que soube assimilar as suas referências para criar uma linguagem muito própria. Por um lado, recupera os ambientes mais sombrios da estreia, por outro alinha pela toada garage e pelo dose de reverberação dos tempos mais recentes. Óptimo exemplo desta última faceta é a assombrosa versão de "Still As The Night" (original do malogrado Lee Hazlewood), a explorar com sucesso as características de crooner da voz de Brad Hargett. Já na outra versão incluída nos cinco temas do EP ("Low Profile", original dos Blue Orchids, psych-post-punkers dissidentes dos The Fall), o protagonismo dos teclados, combinados com as guitarras minimalistas, evidencia aquilo que já antes latejava na música dos Crystal Stilts, que é a influência do indie-pop pioneiro de bandas neozelandesas como The Clean ou The Chills.


"Still As The Night" [Sacred Bones, 2011]


"Low Profile" [Sacred Bones, 2011]

segunda-feira, 28 de março de 2011

A song from under the floorboards
















Do distrito nova-iorquino de Brooklyn já nos habituámos a ouvir falar de que cada vez que surge novo hype em torno de musiquinha de tons garridos e pretensamente esquizóide. Porém, nem tudo o que vem daquelas paragens alinha neste batalhão neo-freak para o qual começa a faltar paciência. Felizmente que, os projectos em contra-corrente abundam e recomendam-se. Um dos mais respeitados nesta casa são os Crystal Stilts, responsáveis, há coisa de três anos por uma fulgurante estreia com Alight Of Night, disco de sombras e ensombrado pelos espíritos dos Velvet Underground e de Ian Curtis.

De então para cá, paciente e gradualmente, o burburinho em torno da banda vai crescendo, e já se fazem apostas para uma subida de divisão com o segundo álbum. Ele está para breve - chama-se In Love With Oblivion e chega dentro de duas semanas. Algumas previews dão conta de uma evolução na continuidade, falando de um disco mais arejado que, contudo, não corrompe as premissas do antecessor. Pelo par de temas já escutados sou levado a acreditar em tais rumores que dão conta do diluir da nebulosidade. O primeiro, já com mais de meio ano de rotação, tem na tensão das guitarras o nervo que os Interpol não conseguiram repetir depois da estreia. De há alguns dias a esta parte, o entusiasmo indisfarçável deriva deste outro que se apresenta mais abaixo. Como poderão constatar, está impregnado de um subtil sentido melódico inaudito e tem uma vocalização que se projecta ligeiramente para lá da cortina de nevoeiro. Venham os outros nove!

"Through The Floor" [Slumberland, 2011]

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Postais primaveris - Parte I: A nova América indie

Este ano, entre 28 e 30 de Maio, não me vão ver a lamuriar cá pelo rectângulo. Nesses dias, podem-me encontrar no Parc del Forum, em Barcelona, para o meu baptismo no Primavera Sound. Pelo menos, há já férias marcadas e bilhete comprado. Como sempre, o cartaz é extenso e praticamente imaculado (Teenage Fanclub e Titus Andronicus, se não for pedir muito). Nas próximas semanas, o April Skies passa em revista as bandas que mais me aguçam o apetite para a longa maratona que, tenho quase a certeza, me vai deixar de rastos.










CRYSTAL STILTS
Nasceram sob o sol da Florida, mas foi em Nova Iorque que encontraram o habitat natural da sua música, gélida e soturna. No ano passado, um mini-álbum homónimo e o longa-duração Alight Of Night promoveram o encontro dos mestres Velvet Underground (atentem no rapaz mais à direita, sff.) com os discípulos Mary Chain. Consta que o espírito de Ian Curtis pairou livremente pelo estúdio durante as sessões de gravação.

"Shattered Shine"
[Slumberland, 2008]










THE PAINS OF BEING PURE AT HEART

Uma série de lançamentos em pequeno formato fizeram deste quarteto nova-iorquino um nome em crescendo de popularidade na blogosfera. O álbum homónimo, já lançado no início deste ano, confirmou todas as esperanças neles depositadas, convocando as memórias da "era C86", dos Shop Assistants aos My Bloody Valentine dos primórdios. Os benefícios da produção actual realçam o teor de sacarose das canções irresitíveis.

"This Love Is Fucking Right"
[Slumberland, 2009]










VIVIAN GIRLS
Três moças que, para não variar, chegam também da Grande Maçã. No código genético detectam-se parentescos com as girl bands de sessentas (em especial as Shangri-Las), com os injustamente esquecidos Black Tambourine, e com uma extensa família fuzz rock. No ano passado, foram uma das apostas ganhas deste blogue com o álbum homónimo de estreia, todo ele composto por faixas curtas ao melhor estilo ramoneano.

"Where Do You Run To"
[In The Red, 2008]

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma luz na noite

CRYSTAL STILTS
Alight Of Night [Slumberland, 2008]

É com uma alegria indisfarçável vos falo da estreia em formato longa-duração dos Crystal Stilts, a qual confirma todas as expectativas criadas pelo EP homónimo lançado já no decorrer deste ano.
Todos os adeptos da longa tradição "subterrânea" do rock, dos Velvet Underground aos Jesus and Mary Chain, encontrarão em Alight Of Night motivos de satisfação. Se a isto somar-mos uma produção vintage, e um vocalista que, a espaços, parece encarnar o espírito de Ian Curtis, ficam reunidos os condimentos para a obtenção de uma das obras mais sombrias dos últimos tempos.
... e fica assim cumprido o meu dever de divulgação de uma das mais agradáveis surpresas do corrente ano. Mais uma vinda da Grande Maçã, depois das fabulosas Vivian Girls, com as quais os Stilts partilham a menina da bateria.

Crystal Stilts no MySpace