"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Há 20 anos era assim #7









GIRLS AGAINST BOYS
Venus Luxure No. 1 Baby
[Touch and Go, 1993]




Num exercício de memória para os mais atentos às movimentações underground, recuemos até a inícios de noventas, e recordemos as possibilidades abertas pela insistente rotação de "Smells Like Teen Spirit" e a consequente explosão dos Nirvana. Eram tempos de grandes expectativas, de algum orgulho até, que os nossos heróis estivessem a alterar os paradigmas do mainstream. Acreditava-se que, à boleia do "fenómeno", outras bandas até aí invendáveis lhe seguissem, mas rapidamente a indústria deu a volta ao prego, e desatou a vender gato por lebre, ou seja, apenas actualizações das mesmas azeiteirices megalómanas de setentas. Talvez tenhamos sido ingénuos, mas por momentos foi um sonho lindo, o da disfuncionalidade dos Butthole Surfers, da brutalidade dos Jesus Lizard, ou da crueza dos Girls Against Boys a invadir as tabelas de vendas.

Pegando nos últimos, um colectivo com sede em Nova Iorque, mas com raízes no contexto hardcore de Washington D.C., se saiu frustrada a expectativa do sucesso, convém referir o culto sólido que construíram ao longo de toda a década de 1990, inclusive como uma das bandas mais acarinhadas desse período junto de alguns sectores. Nada o faria prever, com um disco de estreia a meio gás, a acusar alguma indefinição numa encruzilhada entre o post-hardcore e o math-rock. O sucessor, este Venus Luxure No. 1 Baby, parte das mesmas premissas, mas é um passo evolutivo de gigante numa linguagem própria que haveria de fazer escola. Desaconselhável a pessoas dadas à sensibilidade, este é um disco que expõe as entranhas, o lado mais perverso e doentio da mente humana, numa postura de constante afronta. Não há nos onze temas um pingo de afecto, apenas carnalidade em estado bruto. Porém, e ao contrário de muitas outras bandas similares, há nos Girls Against Boys um groove macabro que os torna atractivos, conferindo aos seus temas uma fisicalidade que outros não têm. A razão para tal advém da particularidade de o quarteto incluir dois baixistas, o que o torna um rolo compressor rítmico. Para o aferir basta ouvir os instantes iniciais de "In Like Flynn", e abandonar o corpo ao ritmo do groove frenético antes de se ser triturado pela rispidez circular da guitarra. Num registo próximo, "Rockets Are Red", aumenta a rapidez do compasso promovendo a dança espasmódica. "Bullet Proof Cupid" é menos rítmico, mas nem por isso menos absorvente numa espiral contínua que desagua num mar de distorção. Em todos os temas a voz de Scott McCloud é de uma rispidez próxima do agressão, comparável à de um Richard Butler, dos Psychedelic Furs, sem qualquer sentido moral. É num tom ameaçador que o vocalista vai discorrendo fantasias, constantes invectivas ao sexo oposto, sem demonstrar qualquer tipo de emoção, apenas desejo carnal. Mesmo quando concedem uma trégua à trituração, como acontece em "Satin Down" ou "Bug House", ambos fruto da estranha obsessão dos Girl Against Boys pela cultura lounge de sessentas, a atmosfera que nos rodeia é igualmente malsã. Em ambos localizamos McCloud em digressões nocturnas por estabelecimentos mal afamados, num estado ébrio tão disponível para o engate como para a zaragata.

O mundo negro de horrores dos Girls Against Boys, que no fundo também é o nosso, rendeu ainda mais dois compêndios de idêntica excelência à de Venus Luxure No. 1 Baby, nomeadamente nos dois álbuns imediatamente seguintes: Cruise Yourself (1994) e House Of GvsB (1996). A partir daí registou-se um decréscimo qualitativo das edições, talvez o principal motivo para que a banda esteja em banho-maria desde há uma década. No entanto, o hiato tem merecido aparições esporádicas em festivais da especialidade, com concertos que são a prova de que aquele tríptico de discos ainda representa algo para uma geração que anda agora na viragem dos trintas para os quarentas.

In Like Flynn by Girls Against Boys on Grooveshark

Bullet Proof Cupid by Girls Against Boys on Grooveshark

Bug House by Girls Against Boys on Grooveshark

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Toca & Foge em 20 passos









Com esta notícia, a malfadada crise económica começa a deixar-me preocupado. Seja o que for que o futuro nos reserve no médio e longo prazo, para já, nem tudo são desgraças: a Touch and Go assegura que a edição do primeiro álbum dos fabulosos Crystal Antlers está salvaguardada.
Nesta hora de incertezas, e em jeito de resumo dos 28 anos de edições do selo de Chicago, decidi elaborar o meu Top 20 T&G de sempre, ao qual acrescento um "postal ilustrado". Para já, recuso a ideia de que este post seja um epitáfio a uma das três melhores editoras independentes da América do Norte.

01. SLINT Spiderland [1991]
02. SHELLAC At Action Park [1994]
03. GIRLS AGAINST BOYS Venus Luxure No. 1 Baby [1993]
04. BIG BLACK Songs Abou Fucking [1987]
05. BUTTHOLE SURFERS Locust Abortion Technician [1987]
06. TV ON THE RADIO Young Liars EP [2003]
07. POLVO Exploded Drawing [1996]
08. THE JESUS LIZARD Goat [1991]
09. BLONDE REDHAEAD Melody Of Certain Damaged Lemons [2000]
10. SHELLAC 1000 Hurts [2000]
11. NINA NASTASIA The Blackened Air [2002]
12. BRAINIAC Hissing Prigs In Static Couture [1996]
13. CRYSTAL ANTLERS Crystal Antlers EP [2008]
14. THE BLACK HEART PROCESSION Amore Del Tropico [2002]
15. RAPEMAN Two Nuns And A Pack Mule [1988]
16. URGE OVERKILL Stull EP [1992]
17. YEAH YEAH YEAHS Yeah Yeah Yeahs EP [2002]
18. THE JESUS LIZARD Liar [1992]
19. BUTTHOLE SURFERS Hairway To Steven [1988]
20. THE FOR CARNATION The For Carnation [2000]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

GOOD COVER VERSIONS #2

GIRLS AGAINST BOYS
"She's Lost Control"
(Hut/Virgin, 1995)
[original: Joy Division (1979)]

Discos de tributo plenamente conseguidos haverá muito poucos. I'm Your Fan, a homenagem organizada pela revista Les Inrockuptibles a Leonard Cohen, será um. A Means To An End, o tributo do underground norte-americano de meados da década passada aos Joy Division, é outro de que me lembro.
Neste segundo, que contou com o aval de Tony Wilson, por entre interessantes releituras de bandas dos mais variados quadrantes, destaca-se a faixa que abre o disco: "She's Lost Control", um dos temas chave do lendário Unknown Pleasures, revisto por essa referência incontornável da cena post-hardcore que dá pelo nome de Girls Against Boys (GvsB).
Partindo de um tema original frio, maquinal, quase tétrico, os GvsB, por força do uso de doses massivas de guitarra cortante e da vocalização frenética de Scott McCloud, fazem de "She's Lost Control" uma canção física, enérgica, e que apela à dança.
Dança esquizofrénica mas, ainda assim, dança...