"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 18 de maio de 2010

Singles Bar #45




JOY DIVISION
Atmosphere
[Factory, 1980]

Ian Curtis, rosto e alma dos Joy Division, morreu faz hoje precisamente 30 anos. É inegável que aquele gesto brusco de pôr termo à vida na madrugada de 18 de Maio de 1980 ajudou à criação do mito - o suicide chic, como lhe chamou um cáustico Steven Patrick Morrissey. Mas é também indiscutível que aquele acto foi a extensão lógica do profundo buraco negro sugerido pelas letras de Curtis, carregadas de um sentido poético invulgar em pleno período pós-punk.
Quatro meses mais tarde, Tony Wilson, patrão da Factory Records, e os membros sobrevivos dos Joy Division, entenderam por bem dedicar ao amigo desaparecido o epitáfio perfeito, lançando em formato single "Atmosphere", uma das últimas canções gravadas por Curtis uma das mais claras manifestações do seu estado de alma. Monolito esculpido em mármore negro, a canção é sustentada por um momento de pleno entrosamento entre os elementos da banda: a percussão em cadência minimalista de Stephen Morris, os sintetizadores em estado quase líquido de Bernard Sumner, o baixo circular de Peter Hook, e as vocalizações suspensas por tênues fios de Ian Curtis. O efeito provocado pela audição de "Atmosphere", o meu primeiro contacto com a música dos Joy Division e, ainda hoje, a minha canção preferida de toda a sua obra, é semelhante àquele provocado por um brisa gélida que se entranha nos ossos e nos petrifica irremediavelmente. Em 1988, por alturas do relançamento como single da colectânea Substance, Anton Corbijn, um espectador atento dos Joy Division desde alguns os primeiros passos, dedicou-lhe vídeo a condizer:

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

desCONTROLo

A beleza proveniente do rigor das imagens que Anton Corbijn empresta a Control revela-se insuficiente para salvar a estreia do fotógrafo holandês na realização de longas-metragens da vulgaridade cinematográfica.
Prolongando-se por duas horas intermináveis, Control divide-se em duas partes distintas: uma primeira metade de cenas telegráficas que mais parece uma sucessão de anúncios publicitários de uma qualquer marca de roupa, na qual os clichés do género se sucedem (a cena inicial em que a câmara "varre" o quarto do adolescente Ian Curtis é paradigmática); após a primeira hora, o filme entra em velocidade lenta e os modelos são substituídos pelos actores, porém, a pobreza do guião contrasta com a dimensão da grande Samantha Morton.
Sendo um filme que os indefectíveis dos Joy Division (eu incluído) não irão perder, julgo que a memória de Control será fugaz. A grandeza da música que o sustenta, essa, há muito que se tornou perene...