"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Aprovamento!
















Há cerca de dois anos, o quarteto The Drums chegava de rompante com um EP que era uma delícia para os adeptos da pop sem preconceitos e orgulhosa de o ser. Embora piscando o olho à era dourada dos sixties, e em particular às tonalidades surf, Summertime! surpreendia pela sua frescura, talvez derivada da tenra idade dos seus autores. Passaram-se alguns meses e chegou o primeiro álbum, e com ele o desmoronar das melhores expectativas. Não sei se influenciado pelas opiniões mais cépticas, se por reacção anti-hipster, mais provavelmente pela perda do "efeito novidade".

O tempo passa, e com ele são reconsideradas muitas análises prévias. Em relação ao debute dos The Drums, mantenho algumas reservas, mas é com renovado entusiasmo que recebo o novo Portamento, gravado ainda antes da saída acrimoniosa do guitarrista Adam Kessler. Talvez pressentindo essa mexida na formação, que até ia precipitando um final precoce da banda nova-iorquina, e com o intuito de preencher os espaços, o novo álbum dá rédea solta aos apontamentos de uma electrónica rudimentar. Mais sombrio que o seu antecessor, Portamento conserva ainda o espírito juvenil implícito a este género de canções. Uma escuta mais atenta permite também aferir da devoção pelos The Smiths, não tanto pela suave melancolia, mas mais pelas texturas das guitarras, por várias vezes subtilmente decalcadas das malhas cintilantes de Johnny Marr. Espera-se, contudo, que as vozes da reacção apontem as semelhanças evidentes entre cada um dos doze temas. Mas quem quer saber disso quando cada um deles exibe um naipe de recursos melódicos só ao alcance dos grandes artesãos pop? É o caso do exemplo infra que, ou é de mim, ou faz lembrar a letra daquela canção do rapaz que até gostava de ir dar uma volta mas não tinha um trapo para vestir.

"Money" [Moshi Moshi, 2011]

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Em escuta #45 - Especial EPs







DEERHUNTER Rainwater Cassette Exchange [Kranky / 4AD, 2009]

Nas letras dos Deerhunter, e apesar de uma certa ambiguidade, há uma temática que parece recorrente: a tomada de consciência da mortalidade. Talvez seja por pressentirem que o tempo lhes escasseia que Bradford Cox e seus pares editam discos em catadupa, seja na banda principal, seja com os inúmeros projectos paralelos. O novo lote de cinco temas é o apêndice perfeito a Microcastle, o soberbo álbum do ano passado, ou seja, resquícios de garage, de dream pop, de shoegazing, de melodias beatlescas, de pop de câmara, e do mais que vier à rede, tudo congeminado numa sonoridade que não é de mais ninguém. Simultaneamente estranho e acolhedor, tal como o seu antecessor, Rainwater Cassette Exchange é um disco obrigatório. [8,5]


THE MARY ONETTES Dare [Labrador, 2009]

É certo e sabido que os suecos conhecem, como ninguém, a fórmula para criar canções imediatas e facilmente trauteáveis. Não menos certa é alguma incapacidade dos músicos daquele território escandinavo para criarem algo de original. No caso dos Mary Onettes, é obvia a ancoragem nas sonoridades melodramáticas que fizeram escola em meados da década de 1980. Desta feita, e em particular nos dois primeiros do trio de temas, deixam de lado algum negrume e limitam-se a reproduzir o dramatismo light que os noruegueses a-ha conseguiram fazer chegar às massas. Não faltam sequer os excessos da produção típica da época. Já no derradeiro "God Knows I Have Plans" cometem a proeza de citar milhentas bandas middle-of-the-road do mesmo período, poucas delas de boa memória. [6]


SUPERCHUNK Leaves In The Gutter [Merge, 2009]

Após um hiato considerável, dedicado a projectos paralelos e à gestão da cada vez mais gigantesca Merge Records, os Superchunk regressam para reclamar o ceptro do punk pop conquistado entre a primeira metade e meados da década passada. Aos primeiros arranhares da guitarra, seguidos da voz jovial do compincha Mac McCaughan, no inaugural "Learned To Surf" percebemos que a ausência serviu para refrescar ideias. No três temas seguintes, acentuam-se o picanço das guitarras rasgadinhas e aquela aura juvenil tão característica, com "Screw It Up" a traçar uma ligeira inflexão para territórios do power pop. Para o final, e em jeito de bónus, somos presenteados com uma belíssima versão acústica do primeiro tema que comprova que as melodias mais singelas podem ser as mais eficazes. [8]


THE DRUMS The Drums [bootleg, 2009]

Surf Pop made in NYC?! E porque não?! Com este jovem quarteto é possível invocar o espírito juvenil de um Brian Wilson e enquadrá-lo segundo as premissas da new wave, cortesia do recurso frequente aos teclados retro, outrora descritos como futuristas. Em escassos oito temas melodiosos que arrisco catalogar como intemporais, os The Drums conseguem um dos melhores elogios da adolescência registados em disco - fala-se de amizade, de miúdas, de praia, do escapismo do surf, de mais miúdas e das desilusões por elas causadas e, claro, de dúvida e incerteza. Ao derradeiro e subliminarmente inocente "Instruct Me" somos convidados a presenciar o cruzamento genético do citado Wilson com um tal de Black Francis. Estes miúdos estão fadados para altos vôos! Vai uma aposta? [8,5]


THE CAVALCADE Meet You In The Rain [edição de autor, 2009]

Da pequena e chuvosa cidade de Preston, no noroeste de Inglaterra, chegam-nos estes The Cavalcade, um quarteto apostado em preservar as melhores memórias do tempo em que o indie pop ainda se orgulhava de ser realmente independente. Embora citando descaradamente bandas The Field Mice e Felt, ou até os Smiths dos primórdios, o refinamento compositivo e o sentido melódico permitem-nos apreciar estes quatro temas como algo mais do que um produto derivativo, demarcando claramente os Cavalcade de muitos projectos contemporêneos a enveredar pelas mesmas sonoridades. Há por aqui romantismo melancólico em dose suficiente para seduzir os corações esternamente jovens e puros. [9]