"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sound affections


Foto: Neil "Twink" Tinning

Com relativa justeza, aos Buzzcocks é normalmente atribuído o epíteto de punk Beatles, pela sua capacidade de urdir canções curtas de um imediatismo efectivo. Para comprovar o mérito de tal atribuição, basta passar os ouvidos pela compilação Singles Going Steady, de 1979, seguramente uma das melhores edições do género. Mais pela qualidade que pela quantidade, os norte-irlandeses The Undertones também poderiam ser um sérios candidatos a tal título. No entanto, tanto no caso destes como no dos mancunianos, o paralelismo com os fab four tem de ser estabelecido apenas com a fase formativa, pré-Rubber Soul. Se avançarmos para o "período crescido" dos de Liverpool, muito provavelmente, a comparação com as bandas saídas do turbilhão punk apenas poderá ser com o trio do guitarrista/vocalista e compositor quase exclusivo Paul Weller, do baixista Bruce Foxton, e do baterista Rick Buckler

Bem, antes que se torçam os narizes, esclareço que catalogar os The Jam como punk é resumi-los ao primeiro par de álbuns, da meia dúzia que lançaram noutros tantos anos com selo da multinacional Polydor. Quando implodiram, no apogeu da fama, eram já uma banda radicalmente diferente. Nesta fase, refira-se, a aceitação das massas contrastava com a rejeição dos seguidores dos primórdios, demasiado cegos por um fundamentalismo que não aceitava o crescente interesse do trio, e em especial de Paul Weller, pela música negra. O próprio frontman terá pressentido que a mutação entretanto operada já não encaixava na entidade The Jam, pôs fim à banda e formou The Style Council, estes totalmente livres para flirtar com a soul, com o jazz, ou com a bossanova, numa das mais belas aventuras da facção sofisticada da pop. Não obstante alguma incompreensão à época, tanto com a fase derradeira dos The Jam, quanto com a proposta dos Style Council, o tempo tratou de garantir a Paul Weller o estatuto de pioneiro. E também o reconhecimento como um dos grandes escritores de canções Made in UK, o que se reflecte numa vasta descendência que vai de Morrissey (sim, ele há-de admiti-lo) a Pete Doherty. 

Numa espécie de tributo de reconhecimento ao herói Modfather, que melhor que ninguém soube combinar a consciência social da working class com o espírito pop, e fruto de mais um surto do "sindroma Alta Fidelidade", apresento-vos o meu top ten pessoal dos The Jam. Pelo menos o de hoje, em regime countdown, e resultante de uma short-list de duas dúzias de temas, é assim:

10. "Start" (Sound Affects, 1980)
09. "Beat Surrender" (single, 1982)
08. "Mr. Clean" (All Mod Cons, 1978)
07. "To Be Someone (Didn't We Have A Nice Time)" (All Mod Cons, 1978)
06. "Going Underground" (single, 1980)
05. "Monday" (Sound Affects, 1980)
04. "In The City" (In The City, 1977)
03. "Down In The Tube Station At Midnight" (All Mod Cons, 1978)
02. "Town Called Malice" (The Gift, 1982)

01. "That's Entertainment" (Sound Affects, single, 1981)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Singles Bar #96










WRECKLESS ERIC
Whole Wide World
[Stiff, 1977]



Whole Wide World by Wreckless Eric on Grooveshark

Sede oficiosa da descendência pub-rock, a Stiff Records foi, a bem dizer, um poiso de aves raras no contexto punk/new-wave. Assim, só na classe de '77, o catálogo da editora londrina incluía a diversão dos The Damned, a sobriedade de Nick Lowe, a irreverência de Ian Dury & The Blockeads, e a neurose interventiva de Elvis Costello. No entanto, talvez a maior ave rara de todas fosse Wreckless Eric, nascido Eric Goulden, com o viço da juventude daquele último, mas com outra capacidade para ser interlocutor directo junto dos seus semelhantes. Escritor de canções de manifestação precoce, anunciava-se como a potencial estrela da Stiff, algo que esteve longe de concretizar-se em virtude de a embriaguez das canções e dos palcos ter passado a ser uma constante na "vida real". Eric ficou, portanto longe do estrelato, ofuscando-se até ao ponto de os seus sucessivos discos progressivamente mais escassos não irem além da devoção de um punhado de devotos. 

E a história até podia ter sido bem diferente, como o levava a crer "Whole Wide World", a magistral canção com que se apresentou ao mundo. É um clássico instantâneo de uma época pródiga em tais espécimes, mas, mais que isso, é um clássico de qualquer era, uma canção exemplar com o código rock'n'roll nos genes, mas contaminada pelo germe punk. Alegadamente escrita ainda nos teens de Eric, "Whole Wide World" é um grito de angst juvenil, com uma simplicidade alarmante, mas com as palavras mais adequadas para expressar uma urgência incontrolada. Resumindo a coisa, é a velha história do adolescente descrente na possibilidade de encontrar a miúda certa, mas em simultâneo capaz de percorrer este mundo e outro em busca do amor idealizado. Algum do mérito da eficácia desta canção deverá ser repartido com Nick Lowe, à época produtor quase exclusivo das edições da Stiff, mas também responsável pela guitarra e outros instrumentos, bem como pelo minimalismo de "While Wide World", sublimado na explosão juvenil do refrão. Depois disto, Wreckless Eric praticamente não saiu da casa de partida, quanto mais correr o mundo na perseguição da quimera do sucesso. No entanto, esta espécie de romantismo boémio deixou descendência em muita da música intrinsecamente britânica subsequente. Entre os filhos bastardos conta-se Pete Doherty, nos seus vários projectos, ele que muitas vezes se inspirou tanto na música como na modo de vida de Wreckless Eric.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pretty in pink
















Na alvorada de oitentas, precisamente na mesma altura em que, nos confins da América, uns desconhecidos R.E.M. iniciavam a recuperação da canção pop de travo psicadélico de sessentas sob as regras do-it-yourself difundidas pelo punk, na distante Nova Zelândia uma pequena comunidade de jovens bandas levava a cabo idêntico processo. Mas, se os ianques conheceram o estrelato massivo posteriormente, a semi-obscuridade foi o destino daqueles protagonistas do chamado kiwi-rock. A história poderia ter sido diferente para alguns deles, mormente uns tais The Chills, que estiveram a uma nesga da consagração no período de todas as oportunidades de inícios da década de 1990. Porém, o percurso errático de Martin Phillips, mentor, compositor, e único membro permanente, foi determinante na sabotagem de um plano que nem terá chegado a ser traçado, tal a fobia do sucesso. Mesmo apesar dos longos hiatos de ausência, há que reconhecer em Phillips a autoria de bom lote de canções intemporais, a mais brilhante de todas "Pink Frost", seguramente a mais bela canção jamais escrita sobre uma overdose. Simplista na estrutura, é um tema que assenta toda a sua melancolia imaculada numa circular de ritmo motorik e delicadas guitarras etéreas. Como nem só de hits se faz a história pop, "Pink Frost" tem estatuto de clássico na definição de uma linguagem indie canónica, tal como a conhecemos.

Foi por via de tal veneração, e também em jeito de celebração do fim do longo silêncio, que, no ano passado, elegemos a novidade "Molten Gold" como um dos acontecimentos pop. O que na altura não se disse é que aquele lançamento acontecia apenas em formato digital. Para os amantes da coisa física temos boas notícias, já que o mesmo tema acaba de conhecer edição em formato 7". Como se não bastasse, o lado b é uma regravação de "Pink Frost", concebida pela bastante activa reencarnação dos The Chills para assinalar os 30 anos da edição original daquele tema. Antes que venham invocar o sacrilégio e a intocabilidade, esclareça-se desde já que o remake não só honra o original, como é em certa medida uma canção nova. Sem o teor atmosférico e a contaminação kraut da versão de 1984 (mas gravada em 1982), respeita ainda assim a estrutura original. No entanto, é um tema mais expansivo, de guitarras mais dominates e estridentes, que abre boas perspectivas para a sonoridade renovada do prometido futuro álbum que se antevê próximo. Ora oiçam, comparem, e digam de vossa justiça:


[Fire, 2014]

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Silver Rockets & Kool Things



Antes que comecem a gabar o meu gosto certeiro para a escolha de títulos, um esclarecimento: o do post de hoje é descaradamente roubado ao documentário do ano 2001 realizado pelo alemão Christoph Dreher para o canal ARTE. Na altura comemoravam-se os vinte anos dos Sonic Youth o que, feitas as contas, quer dizer que, até ao hiato que pode ser definitivo anunciado em 2011, tivemos três décadas completas de história desta "instituição" nova-iorquina. Trinta anos representam muitas dezenas de canções, diversas viragens estilísticas, das franjas do underground norte-americano, à aceitação mais ou menos consensual da banda como uma das patronas do indie-rock. Afigura-se, portanto, ingrata a tarefa de elaborar um top ten dos temas favoritos de tão vasta obra, top esse que nunca será definitivo. Aqui no April Skies não viramos a cara aos grandes desafios, e hoje, possuídos pelo síndroma Alta Fidelidade que julgávamos erradicado, arregaçamos as mangas para escolher 10-temas-10 que resumem uma carreira fulgurante. Com a primazia às canções mais dignas desse nome, este top assenta essencialmente no período que vai de meados de oitentas a meados da década seguinte, precisamente a partir da altura que os Sonic Youth "aprenderam" com os mais novos The Jesus and Mary Chain ou Dinosaur Jr. que era possível a aproximação à canção pop sem abdicar da manipulação do ruído. Por esse motivo, ficam arredados das escolhas os espasmos no-wave, ou os experimentalismos mais radicais de a partir de finais de noventas, facetas igualmente importantes numa banda de percurso muito próprio. Sem mais delongas, let the countdown begin...

10. "Expressway To Yr. Skull (EVOL, 1986)
09. "The Empty Page" (Murray Street, 2002)
08. "100%" (Dirty, 1992)
07. "Schizophrenia" (Sister, 1987)
06. "The Diamond Sea" (Washing Machine, 1995)
05. "Silver Rocket" (Daydream Nation, 1988)
04. "Shadow Of A Doubt" (EVOL, 1986)
03. "Kotton Krown" (Sister, 1987)
02. "Tunic (Song For Karen)" (Goo, 1990)
01. "Teen Age Riot" (Daydream Nation, 1988)



"Teen Age Riot" [Enigma, 1988]

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Singles Bar #87









CAMPER VAN BEETHOVEN
Take The Skinheads Bowling
[Rough Trade, 1986]




Há canções assim, que pela intensidade da penetração no imaginário colectivo, são julgadas como sucessos comerciais retumbantes sem sequer estarem perto de o ter sido. Talvez não me ocorra melhor exemplo que o de "Take The Skinheads Bowling", que inicialmente nem foi programada pelos seus autores para single promocional, e quando foi lançada neste formato já tinha um distanciamento temporal relativamente ao álbum de origem suficiente para considerarmos a opção tardia. Entretanto, já as college radios americanas tinham adoptando este mesmo tema como prioritário na divulgação do álbum de estreia dos Camper Van Beethoven, causando tal impacto na juventude de então que as versões sucederam-se a bom ritmo ao longo dos anos seguintes.

Nascidos sob o sol da Califórnia, e ainda sob a égide dos estilhaços punk, estes Camper Van Beethoven ainda são do tempo em que o universo indie se envergonhava de ir beber às raízes. Não era o caso deste colectivo de filosofia do-it-yourself, que à dominância dos elementos folk juntava pitadas de ska, punk, world music, e a inevitável e apelativa pop. "Take The Skinheads Bowling", que acasala sem atritos a folk e a pop, destaca-se do alinhamento do álbum debute (Telephone Free Landslide Victory, de 1985) por ser irremediavelmente catchy, ficando para a posteridade como o tema mais emblemático destes californianos. A melodia é de uma simplicidade quase chocante, traçada pelo violino de Jonathan Segel, e o refrão em coro remete para ecos country & western. O estilo da voz de David Lowery, semi-cantado, semi-falado, é em tudo reminiscente da postura desinteressada com que Jonathan Richman nos contou histórias dos sub-mundos da América. Porém, não há em "Take The Skinheads Bowling" qualquer intenção de seriedade, já que a letra é delirante non-sense, embora se tente ler nas entrelinhas recado tanto aos sisudos visados no título como aos fundamentalistas hardcore da época.

O trunfo de não pretenderem levar-se demasiado a sério ("folk surrealista e absurdista", como os próprios proclamavam) poderá ter sido também o maior estigma dos Camper Van Beethoven, com o público a corresponder a essa pretensão. Porém, o que é certo é que, pelo menos junto da facção de oitentas que já tinha perdido a paciência para jovens a carregar o peso do mundo sobre os ombros, produziram temas de puro entretenimento em quantidade suficiente. "Take The Skinheads Bowling" é o melhor exemplar, claro.

Take the Skinheads Bowling by Camper Van Beethoven on Grooveshark

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Em busca da redenção

















Retomando a personagem principal de um post recente, volto hoje a falar-vos de Dean Blunt, um nome que convém fixar. Hoje ainda apenas seguido pelos adeptos das electrónicas, sobretudo da facção pós-dubstep, este britânico é, a avaliar pelo ritmo das suas edições, um trabalhador incansável. No ano passado, não só nos deu o brilhante Black Is Beautiful, também creditado a Inga Copeland, que juntamente com ele antes respondia por Hype Williams, como The Narcissist II, um longo EP de uma única faixa dividida em vários segmentos. Neste último, era notório um afastamento dos abastraccionismos do passado, numa peça cinemática que nos revelava cenas da vida íntima de um casal à beira da ruptura.

Os desenvolvimentos do último registo em nome individual serão, certamente, seguidos no próximo - o álbum The Redemeer, agendado para inícios de Maio. Assim nos leva a crer "Papi", a primeira faixa tornada pública que, curiosamente, sampla ostensivamente "Echoes" dos Pink Floyd. Neste tema, Blunt surge-nos naquilo que poderemos catalogar como o seu registo mais "romântico". Com frases ternas como "You bring out the best in me", e num ritmo lento de music hall para horários tardios, é suprimida toda a asfixia do ambiente denso que ainda caracterizava The Narcissist II. Com a redenção, lá mais para a Primavera, virá um maior reconhecimento das massas. É só uma aposta...


"Papi" [Hippos in Tanks, 2013]

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Hey kids, rock & roll, nobody tells you where to go



Por mais do que uma vez já aqui me terão visto a rogar pragas aos eighties. Na realidade, o que me aborrece relativamente a essa década não é propriamente a década em si, mas a recuperação ad nauseum a que temos assistido através de sub-produtos mil vezes mais tóxicos do que o esterco original. Feito o balanço do que realmente interessa, é uma década na qual ainda assenta uma boa parte da minha dieta musical, tanto em revisitações recorrentes, como em descobertas que uma imensa curiosidade me proporciona.

Gostava que soubessem que, por exemplo, alguns dos discos que nos tempos mais recentes mais tenho ouvido pertencem àquela época. Uma boa quota-parte pertence aos R.E.M., mais concretamente aqueles primeiros cinco discos da chamada "fase independente". Foi nesta altura que a banda de Athens, Geórgia, fascinada pela pop de raíz americana dos magníficos The Byrds, e devota em partes iguais dos Velvet Underground e dos Big Star, traçou um percurso semelhante em relevância aos dos The Smiths no Reino Unido, com tudo o que isso possa ter de justo como de redutor. Depois veio o estrelato, ainda com muitos pontos de interesse, ao qual se seguiu um longo definhar que poderia ter sido evitado se tivesse havido a sensatez de cessar funções logo que se desfez o quarteto original.

Estas visitas frequentes levaram-me a ser atacado pelo chamado "síndroma Alta Fidelidade", que se manifestou na vontade de elaborar um top ten dos meus dez temas favoritos dos R.E.M.. Confesso-vos que não foi tarefa fácil, não tanto pela vastidão da obra gravada, mas mais porque, normalmente, os discos dos R.E.M. valem mais pelo seu todo do que por este ou aquele tema isolado. Mas, com muita ponderação, lá se fez a coisa, que agora vos apresento em regime countdown. Obviamente, a maioria dos temas eleitos são retirados daquela mão-cheia de pequenas obras primas da fase inicial. Recados e reparos aceitam-se e são bem- vindos.

10. "Low" (1991)
09. "Let Me In" (1994)
08. "Finest Worksong" (1987)
07. "Cuyahoga" (1986)
06. "Orange Crush" (1988)
05. "Radio Free Europe" (1983)
04. "Talk About The Passion" (1983)

 
03. "Drive" [Warner Bros., 1992]

 
02. "So. Central Rain" [I.R.S., 1984]

 
01. "Fall On Me" [I.R.S., 1986]

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

(Quase) fora da toca
















De Jana Hunter ouvimos pela primeira vez falar como um dos nomes associados ao chamado freak-folk, tendência em voga dos alvores para meados da década passada. Foi, inclusive, uma espécie de protegida de Devendra Banhart, mais ou menos proclamado o guru da coisa. Lembro-me ainda de a ter visto ao vivo, aqui há uns anos, numa noite não mais que suficientemente agradável, dada a simplicidade extrema das canções apresentadas. Porém, foi há frente do colectivo Lower Dens que a moça nos seduziu em definitivo. Tudo por causa desse assombro de disco que dá pelo título de Twin- Hand Movement (2010), chegado tarde aos meus tímpanos, mas sempre a tempo de entrar sem contestação no top five do último triénio. Ao dito, poderia aplicar-se a célebre frase de Pessoa sobre determinado refrigerante se não fosse caso de entranhamento imediato.

Para 2012, e para gáudio de uma imensa minoria devota, o quarteto de Baltimore tem reservado o segundo álbum. Chama-se Nootropics e chega logo no começo de Maio, possivelmente para dar algum tom sombrio à Primavera. O primeiro avanço, chamado "Brains", já aí anda e leva-nos a crer que sim. Uma espécie de sonho atormentado, o novo tema segue as premissas do anterior registo, isto é, combustão lenta, melodias elípticas, e a voz de mistério de Jana a emergir, qual espécie inocente de Nico mas com cordas vocais treinadas. Uma ligeira diferença detectável relativamente às opções do passado recente é uma maior agrura das guitarras, com sublinhado na distorção. Para além de ser um tema que eleva as expectativas, é bom saber que é "descarregável", livre e gratuitamente, aqui. Basta clicar. 


"Brains" [Ribbon, 2012]

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Saint Pop
















Embora nos últimos meses nos tenham brindado com reedições em catadupa, dos Saint Etienne não se escuta material inédito há sete anos, desde a altura do álbum Tales From The Turnpike House. Se bem se lembram, esta foi a banda que, há duas décadas, trouxe a dança para a pop, ou vice-versa, consoante o ponto de vista. Apesar de alguns tiques de francesismo, desde cedo que a fábrica de hits dos Saint Etienne não escondia uma obsessão pela cultura popular genuinamente britânica, em particular pelos tempos da swinging London. Com o correr dos anos, a música tornou-se mais atmosférica, contemplativa até, retendo, no entanto, toda a elegância que a figura da vocalista Sarah Cracknell personifica.

Sabemos agora que o fim do silêncio está para breve. Parece que o novo ano promete novo álbum, por sinal um recuo às sonoridades mais dançantes do passado. Parece também que as velhas raposas Bob Stanley e Pete Wiggs puxam da cartilha para nos emergir no mundo mágico de referências pop. O primeiro sinal do regresso ao passado é o avanço "Tonight", no qual Sarah, possuída pelo espírito teenager, expressa toda a excitação que precede a ida a um concerto, com detalhe nos preparativos. Por outro lado, é o próprio Stanley que nos afiança que o disco que aí vem é todo ele uma celebração do poder da pop, e da forma como ela afecta e condiciona as nossas vidas. Dancemos a isso, então!



"Tonight" [Heavenly, 2012]

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Classe de 2010

Chega ao fim mais um ano. Antes do virar desta página do calendário impõe-se o balanço do que de melhor aconteceu em termos musicais nos últimos 12 meses. Tal como vinha afirmando em anos anteriores, 2010 foi ano parco em discos efectivamente marcantes, daqueles que ouviremos com insistência ao longo do resto dos nossos dias. De resto, esta teoria que parece agora encontrar eco em muitos outros pontos de paragem por essa blogosfera. No entanto, sou da opinião de que este foi um ano em que a qualidade média subiu relativamente aos precedentes. Pese embora esse facto, o que mais ensombra 2010 é a quantidade de personagens do mundo pop desaparecidos: Ari Up, Peter Christopherson, Malcolm McLaren, Jay Reatard, Captain Beefheart, Solomon Burke, Mark Linkous e, acima de todos, Alex Chilton, são apenas alguns dos responsáveis pelo refinamento do gosto musical deste escriba que deixaram este mundo. 
Sem mais delongas, passemos ao desfile dos melhores do ano:

30 ÁLBUNS















  1. THE SOFT PACK _ "The Soft Pack"
  2. TEENAGE FANCLUB _ "Shadows"
  3. MALE BONDING _ "Nothing Hurts"
  4. WEEKEND _ "Sports"
  5. CARIBOU _ "Swim"
  6. THE CORAL _ "Butterfly House"
  7. BEST COAST _ "Crazy For You"
  8. SUPERCHUNK _ "Majesty Shredding"
  9. TAME IMPALA _ "Innerspeaker"
  10. EDWYN COLLINS _ "Losing Sleep"
  11. JOHN GRANT _ "Queen Of Denmark"
  12. NO AGE _ "Everything In Between"
  13. DUM DUM GIRLS _ "I Will Be"
  14. NEIL YOUNG _ "Le Noise"
  15. GOLDEN TRIANGLE _ "Double Jointer"
  16. DEERHUNTER _ "Halcyon Digest"
  17. SWANS _ "My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky"
  18. SURF CITY _ "Kudos"
  19. THE PHANTOM BAND _ "The Wants"
  20. WILD NOTHING _ "Gemini"
  21. THREE MILE PILOT _ "The Inevitable Past Is The Future Forgotten"
  22. FRANKIE ROSE & THE OUTS _ "Frankie Rose & The Outs"
  23. WOMEN _ "Public Strain"
  24. PAUL WELLER _ "Wake Up The Nation"
  25. WOODS _ "At Echo Lake"
  26. ONEOHTRIX POINT NEVER _ "Returnal"
  27. GRASS WIDOW _ "Past Time"
  28. THE POSIES _ "Blood/Candy"
  29. SUUNS _ "Zeroes QC"
  30. THE FRESH & ONLYS _ "Play It Strange"



40 CANÇÕES (por ordem alfabética)

  • THE ART MUSEUMS _ "Oh Modern Girls"
  • AVI BUFFALO _ "What's In It For"
  • BEST COAST _ "Boyfriend"
  • BETTY & THE WEREWOLVES _ "Paper Thin"
  • BRITISH SEA POWER _ "Bear"
  • CARIBOU _ "Odessa"
  • THE CLIENTELE _ "As The World Rises And Falls"
  • THE CORAL _ "1000 Years"
  • CRYSTAL STILTS _ "Shake The Shackles"
  • DEERHUNTER _ "Desire Lines"
  • DUM DUM GIRLS _ "Bhang Bhang, I'm A Burnout"
  • EDWYN COLLINS ft. THE DRUMS _ "In Your Eyes"
  • FRANKIE ROSE & THE OUTS _ "Candy"
  • THE FRESH & ONLYS _ "Summer Of Love"
  • GOLDEN TRIANGLE _ "Death To Fame"
  • JAILL _ "The Stroller"
  • JAPANDROIDS _ "Art Czars"
  • JOHN GRANT _ "Sigourney Weaver"
  • LIARS _ "Scissor"
  • MAGIC BULLETS _ "They Wrote A Song About You"
  • MALE BONDING _ "Franklin"
  • NO AGE _ "Glitter"
  • THE PAINS OF BEING PURE AT HEART _ "Heart In Your Heartbreak"
  • REAL ESTATE _ "Out Of Tune"
  • SCARCE _ "Stupid In A Cup"
  • THE SOFT PACK _ "Parasites"
  • SPECTRALS _ "Peppermint"
  • STEREOLAB _ "Silver Sands (Emperor Machine Mix)"
  • SUPERCHUNK _ "Fractures In Plaster"
  • TAME IMPALA _ "Solitude Is Bliss"
  • TEENAGE FANCLUB _ "Baby Lee"
  • TENDER TRAP _ "Do You Want A Boyfriend?"
  • THE VASELINES _ "I Hate The 80s"
  • VERONICA FALLS _ "Found Love In A Graveyard"
  • WAVVES _ "King Of The Beach"
  • WEED HOUNDS _ "Beach Bummed"
  • WEEKEND _ "Coma Summer"
  • WILD NOTHING _ "Chinatown"
  • WOODS _ "Suffering Season"
  • YUCK _ "Rubber"



10 EPs














  1. BRITISH SEA POWER _ "Zeus"
  2. THE CLIENTELE _ "Minotaur"
  3. THE ART MUSEUMS _ "Rough Frame"
  4. FOREST SWORDS _ "Dagger Paths"
  5. KURT VILE _ "Square Shells"
  6. SEEFEEL _ "Faults"
  7. THE PONYS _ "Deathbed + 4"
  8. SPECTRALS _ "Extended Play"
  9. PETE & THE PIRATES _ "Precious Tones"
  10. THE DUKE SPIRIT _ "Kusama"



10 REEDIÇÕES / COMPILAÇÕES













  1. ORANGE JUICE _ "Coals To Newcastle"
  2. BLACK TAMBOURINE _ "Black Tambourine"
  3. THE JAM _ "Sound Affects"
  4. BMX BANDITS _ "Life Goes On"
  5. R.E.M. _ "Fables Of The Reconstruction"
  6. SMUDGE _ "Manilow"
  7. FURNITURE _ "The Wrong People"
  8. DOLLY MIXTURE _ "Everything And More"
  9. SAVAGE REPUBLIC _ "Procession: An Aural History"
  10. JAPANDROIDS _ "No Singles"



20 CONCERTOS











  1. TEENAGE FANCLUB @ Primavera Club - Madrid (27 Nov.)
  2. SHELLAC @ Galeria Zé dos Bois - Lisboa (24 Mai.)
  3. PAVEMENT @ Primavera Sound - Barcelona (27 Mai.)
  4. REAL ESTATE @ Galeria Zé dos Bois - Lisboa (19 Fev.)
  5. EDWYN COLLINS @ Primavera Club - Madrid (27 Nov.)
  6. MISSION OF BURMA @ Galeria Zé dos Bois - Lisboa (24 Mai.)
  7. YO LA TENGO @ Aula Magna - Lisboa (14 Mar.)
  8. FAUST @ Teatro Maria Matos - Lisboa (06 Out.)
  9. JAPANDROIDS @ Primavera Sound - Barcelona (28 Mai.)
  10. THE NECKS @ Teatro Maria Matos - Lisboa (16 Jun.)
  11. GREG DULLI @ Santiago Alquimista - Lisboa (02 Nov.)
  12. THE WALKMEN @ Coliseu dos Recreios - Lisboa (14 Nov.)
  13. THE CHARLATANS @ Primavera Sound - Barcelona (29 Mai.)
  14. NINA NASTASIA @ Galeria Zé dos Bois - Lisboa (01 Out.)
  15. TITUS ANDRONICUS @ Primavera Sound - Barcelona (27 Mai.)
  16. SUPERCHUNK @ Primavera Sound - Barcelona (27 Mai.)
  17. MALE BONDING @ Primavera Club - Madrid (28 Nov.)
  18. ONEOHTRIX POINT NEVER @ Galeria Zé dos Bois - Lisboa (24 Abr.)
  19. LOU BARLOW @ Primavera Club - Madrid (24 Nov.)
  20. TIMES NEW VIKING @ Galeria Zé dos Bois - Lisboa (21 Abr.)


domingo, 5 de dezembro de 2010

Polly Fraser


















Polly Jean Harvey já nos habituou a mudanças de rumo a cada novo disco. É assim há pelo menos 15 anos, aquando da edição de To Bring You My Love, o primeiro álbum a solo (recorde-se que até então PJ Harvey era a designação do power-trio que encabeçava) e provavelmente o último trabalho com significativa relevância. Nos primeiros meses do próximo ano chega às lojas Let England Shake, o oitavo álbum de originais e mais um com a participação e/ou produção dos suspeitos do costume: John Parish, Mick Harvey e Flood. Por esta altura já nenhum dos inúmeros seguidores da senhora já entrada nos quarentas esperará uma reincidência na quietude pianística do anterior White Chalk (2007). A confirmar tais suspeitas, o primeiro tema divulgado do novo disco mergulha a fundo na placidez idílica dos Cocteau Twins. Inclusive a voz de Harvey surge transfigurada, apresentado os trinados característicos da própria Liz Fraser. A surpresa maior surge no refrão, com a entrada de um sample de "Blood & Fire", um clássico reggae de 1971 da autoria do jamaicano Niney The Observer. Ainda incapaz de formular qualquer juízo acerca da nova persona de Polly Jean, vejo-me obrigado a confessar a estranheza resultante das primeiras audições deste tema:


"Written On The Forehead" [Island, 2011]

domingo, 3 de outubro de 2010

Boom! Boom, boom, cha!















De génio e de louco Phil Spector tem muito. Hoje mais conhecido pelos pouco dignificantes acontecimentos do passado recente, é injusto não o eleger como uma das figuras cimeiras no panteão da pop. É invenção sua a técnica de gravação que ficou conhecida como wall of sound, algo com tanto de simples como de revolucionário. Para além dos méritos na qualidade de produtor, convém não perder de vista o compositor de talento inato. Das bandas a que fica indelevelmente associado destacam-se as Ronettes, o trio feminino onde pontificava Ronnie Bennett, senhora de atributos que enfeitiçaram o então jovem Phil. Até ao desquite de ambos, foi ele o produtor exclusivo do trio e o co-autor (na companhia de Jeff Barry e Ellie Greenwich) de hits em catadupa. Do rol destaca-se "Be My Baby" (1963), tema que abre com a batida que se transcreve no título deste post e que já pertence ao património da pop. Tudo, talvez, porque em meados de oitentas, dois irmãos escoceses obcecados por Spector se lembraram de a usar na abertura de uma das suas canções mais memoráveis. De então para cá, o boom! boom, boom, cha! é presença numa lista interminável de canções, com especial incidência no espectro indie. A dezena que se segue, apresentada em regime countdown, é uma tentativa de top ten pessoal de canções com essa particularidade. Nesta como noutras ocasiões, a lista não pretende ser definitiva.


10. The Magnetic Fields _ "Candy" [1992]


09. Television Personalities _ "This Angry Silence" [1981]


08. Clinic _ "IPC Subeditors Dictate Our Youth" [1997]


07. Guided by Voices _ "Ha Ha Man" [1996]


06. Veronica Falls _ "Found Love In A Graveyard" [2010]


05. Girls _ "Ghost Mouth" [2009]


04. Rowland S. Howard _ "She Cried" [1999]


03. Camera Obscura _ "Eighties Fan" [2001]


02. The Walker Brothers _ "The Sun Ain't Gonna Shine (Anymore) [1966]


01. The Jesus and Mary Chain _ "Just Like Honey" [1985]

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

E foi assim 2009...


Mais um ano atinge o seu término e com ele chegam os inevitáveis balanços. Uma triste constatação é verificar que em 2009 o nível qualitativo continua nivelado por baixo, agudizando até uma tendência que tem origem algures em meados da década que também agora termina. Porém, com dedicação e busca incessante, sempre se encontram alguns exemplares musicais que justificam a nossa aprovação. Tais como os que a seguir se apresentam. Resta esperar que 2010 fique assinalado por uma viragem neste estado de coisas. Até lá!...

30 ÁLBUNS














  1. GIRLS Album
  2. JAPANDROIDS Post-Nothing
  3. THE ANTLERS Hospice
  4. TAP TAP On My Away
  5. A PLACE TO BURY STRANGERS Exploding Head
  6. THE HORRORS Primary Colours
  7. YO LA TENGO Popular Songs
  8. HEALTH Get Color
  9. THE PHANTOM BAND Checkmate Savage
  10. THE PAINS OF BEING PURE AT HEART The Pains Of Being Pure At Heart
  11. CYMBALS EAT GUITARS Why There Are Mountains
  12. DINOSAUR JR. Farm
  13. THE xx xx
  14. WOMEN Women
  15. BUILT TO SPILL There Is No Enemy
  16. WAVVES Wavvves
  17. GRIZZLY BEAR Veckatimest
  18. MANIC STREET PREACHERS Journal For Plague Lovers
  19. KURT VILE Childish Prodigy
  20. PREFAB SPROUT Let's Change The World With Music
  21. SUPER FURRY ANIMALS Dark Days / Light Years
  22. WHITE DENIM Fits
  23. VIC CHESNUTT At The Cut
  24. REAL ESTATE Real Estate
  25. ART BRUT Art Brut vs. Satan
  26. POLVO In Prism
  27. THE TWILIGHT SAD Forget The Night Ahead
  28. WOODS Songs Of Shame
  29. LIECHTENSTEIN Survival Strategies In A Modern World
  30. VIVAN GIRLS Everything Goes Wrong


40 CANÇÕES (por ordem alfabética)

  • A PLACE TO BURY STRANGERS "I Lived My Life To Stand In The Shadow Of Your Heart"
  • ANIMAL COLLECTIVE "My Girls"
  • THE ANTLERS "Sylvia"
  • ART BRUT "The Replacements"
  • ARTEFACTS FOR SPACE TRAVEL "Cul De Sac"
  • ATLAS SOUND feat. LAETITIA SADIER "Quick Canal"
  • CAMERA OBSCURA "French Navy"
  • THE CAVALCADE "Meet You In The Rain"
  • THE CLEAN "Are You Really On Drugs"
  • CROCODILES "I Wanna Kill"
  • CRYSTAL ANTLERS "Andrew"
  • CRYSTAL STILTS "Love Is A Wave"
  • CYMBALS EAT GUITARS "And The Hazy Sea"
  • DANGER MOUSE & SPARKLEHORSE feat. VIC CHESNUTT "Grain Augury"
  • DINOSAUR JR. "Pieces"
  • THE DRUMS "Instruct Me"
  • GIRLS "Summertime"
  • GOD HELP THE GIRL "Come Sunday Night"
  • GOLDEN SILVERS "True Romance (True No. 9 Blues)
  • GRIZZLY BEAR "Two Weeks"
  • HEALTH "Die Slow"
  • THE HORRORS "Sea Within The Sea"
  • JAPANDROIDS "I Quit Girls"
  • JAPANDROIDS "Young Hearts Spark Fire"
  • LET'S WRESTLE "We Are The Men You'll Grow To Love Soon"
  • LIECHTENSTEIN "Roses In The Park"
  • LILY ALEN feat. MICK JONES "Straight To Hell"
  • MANIC STREET PREACHERS "Jackie Collins Existential Question Time"
  • NO AGE "You're A Target"
  • THE PAINS OF BEING PURE AT HEART "Young Adult Friction"
  • THE PASTELS / TENNISCOATS "Tokyo-Glasgow"
  • THE PHANTOM BAND "The Howling"
  • POLVO "Beggars Bowl"
  • SUPERCHUNK "Learned To Surf"
  • TAP TAP "Queen Of Hearts"
  • VIVIAN GIRLS "Moped Girls"
  • WAVVES "So Bored"
  • WOMEN "Black Rice"
  • THE xx "VCR"
  • YO LA TENGO "When It's Dark"


10 EPs














  1. NO AGE Losing Feeling
  2. THE CAVALCADE Meet You In The Rain
  3. DEERHUNTER Rainwater Cassette Exchange
  4. THE PAINS OF BEING PURE AT HEART Higher Than The Stars
  5. SUPERCHUNK Leaves In The Gutter
  6. ARTEFACTS FOR SPACE TRAVEL Power Of The Brain
  7. SPECTRUM War Sucks
  8. THE DRUMS The Drums
  9. LITTLE GIRLS Tambourine
  10. DUM DUM GIRLS Dum Dum Girls


10 REEDIÇÕES / COMPILAÇÕES













  1. THE BEATLES Abbey Road
  2. THE BEATLES The Beatles (White Album)
  3. CHRIS BELL I Am The Cosmos
  4. THE FEELIES Crazy Rhythms
  5. THE MONKS Black Monk Time
  6. LOOP A Gilded Eternity
  7. ANOTHER SUNNY DAY London Weekend
  8. SWERVEDRIVER Mezcal Head
  9. BECK One Foot In The Grave
  10. VÁRIOS ARTISTAS Rough Trade Shops - Indiepop 09


15 CONCERTOS










  1. MY BLOODY VALENTINE @ Primavera Sound - Barcelona (28 Mai.)
  2. A PLACE TO BURY STRANGERS @ Primavera Club - Madrid (10 Dez.)
  3. THE FALL @ Casa da Música - Porto (17 Jan.)
  4. THE VASELINES @ Primavera Sound - Barcelona (28 Mai.)
  5. HEALTH @ Primavera Club - Madrid (12 Dez.)
  6. JARVIS COCKER @ Festival Paredes de Coura (01 Ago.)
  7. SUPERGRASS @ Festival Paredes de Coura (30 Jul.)
  8. WILCO @ Coliseu dos Recreios - Lisboa (31 Mai.)
  9. JARVIS COCKER @ Primavera Sound - Barcelona (29 Mai.)
  10. NEIL YOUNG @ Primavera Sound - Barcelona (30 Mai.)
  11. SPIRITUALIZED @ Primavera Sound - Barcelona (29 Mai.)
  12. THE HORRORS @ Festival Paredes de Coura (30 Jul.)
  13. GALLON DRUNK @ Gasoiil - Lisboa (21 Mar.)
  14. FUCK BUTTONS @ Galeria Zé dos Bois (01 Out.)
  15. CRYSTAL STILTS @ Primavera Sound - Barcelona (29 Mai.)

Ufff...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Vivá República!

THE SMITHS
The Queen Is Dead

[Rough Trade, 1986]




"Take me back to dear old Blighty
Put me on the train for London town
Take me everywhere
Drop me anywhere
At Liverpool, Leeds, or Birmingham
Well, I don't care
I should like to see "

Farewell to this land's cheerless marshes
Hemmed in like a boar between arches
Her Very Lowness with her head in a sling
I'm truly sorry - but it sounds like a wonderful thing

Dear Charles, don't you ever crave
To appear on the front of the Daily Mail
Dressed in your mother's bridal veil?

So, I checked all the registered historical facts
And I was shocked into shame to discover
How I'm the 18th pale descendent
Of some old Queen or other

Has the world changed or have I changed?
Oh, has the world changed or have I changed
As some nine-year old tough peddles drugs
I never even knew what drugs were

So I broke into the Palace
With a sponge and a rusty spanner
She said, "Eh, I know you and you cannot sing"
I said, "That's nothing - you should hear me play piano"

We can go for a walk where it's quiet and dry
And talk about precious things
But when you're tied to your mother's apron
No-one talks about castration

We can go for a walk where it's quiet and dry
And talk about precious things

Like love and law and poverty
These are the things that kill me

We can go for a walk where it's quiet and dry
And talk about precious things

But the rain that flattens my hair, oh
These are the things that kill me

All the lies about make-up and long hair,
They're still there

Past the pub that saps your body
And the church who'll snatch your money
The Queen is dead, boys
And it's so lonely on a limb

Past the pub that wrecks your body
And the church - all they want is your money
The Queen is dead boys
And it's so lonely on a limb

Life is very long when you're lonely
Life is very long when you're lonely
Life is very long when you're lonely
Life is very long when you're lonely


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Singles Bar #30



















THE JESUS LIZARD / NIRVANA
Puss / Oh, The Guilt
[Touch and Go, 1993]

Um dos maiores fenómenos de massas dos últimos vinte anos, os Nirvana pugnaram sempre por um apego às raízes underground, bem patente nas declarações públicas do seu líder, mas também nos lançamentos conjuntos com nomes mais ou menos obscuros. É o caso deste split captado em estúdio pelo ouvido clínico de Steve Albini e que valeu aos Jesus Lizard uma inédita entrada nos tops de vendas britânicos.
No lado A, "Puss" é um claro manisfesto de intenções da banda de Chicago, seguidora da cartilha noise/math rock visceral desenvolvida anos antes pelo próprio Albini com os seus Big Black. Guitarras abrasivas, bateria de precisão matemática, ritmo fracturado, e um David Yow confrontacional a vociferar invectivas de carácter sexista (é favor não o levar muito a sério), fazem deste tema um autêntico soco nas trombas. As imagens do vídeo promocional, de visionamento desaconselhável a pessoas facilmente impressionáveis, assentam como uma luva na violência gratuita da música e das palavras.
Para o lado B são relegados as estrelas da companhia. "Oh, The Guilt", numa versão gravada ao segundo take, segundo Albini, é demonstrativo do lado mais cru da música de Kurt Cobain & C.ª. Qualquer hipótese de aproximação a uma certa limpidez da produção de Butch Vig no clássico Nevermind é sabotada pela intromissão constante do clique de um isqueiro.