"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Discos pe(r)didos #68









THE TELESCOPES
The Telescopes
[Creation, 1992]




Formados na recta final de oitentas, os The Telescopes chegaram tempo de ser contemporâneos dos Spacemen 3 e dos Loop e, por conseguinte, também eles pioneiros no retorno à face mais marginal do rock que, nos tempos que correm, é matéria de revisitação constante. Uma espécie de parentes pobres do "movimento", distinguiam-se daqueles, que faziam da repetição motivo para a trip mental, por usarem o ruído como arma de arremesso.

O volte-face deu-se ao segundo álbum, homónimo mas também conhecido como Higher'n'Higher, que marcou a sua estreia na Creation Records, então a editora de referência do espectro indie. Segundo Stephen Lawrie, o vocalista e líder de sempre, The Telescopes tinha como propósito a busca do "som perfeito" por via da subtileza, enveredando por canções dignas desse nome que fazem da fragilidade a sua característica mais marcante. Os adeptos da violência sónica do passado não deverão esconder o choque ao entrar no disco com "Spalshdown", tema melódico distante de afronta do álbum de estreia que se inicia com guitarra acústica e até piano. A voz de Lawrie, que outrora estava em consonância com a rispidez da música, apresenta-se agora distante, quase dormente. Temas como "High On Fire", "Yeah", ou "Ocean Drive", têm balanço digno de nota, propondo uma variante atmosférica da "onda" baggy que um par de anos antes tinha assolado o Reino Unido. Aventam o que poderia ter sido o segundo disco dos Stone Roses, se acaso John Squire tivesse preterido os delírios zeppelianos a favor das referências aos Love e aos Byrds. Num mar de acalmia dominante, "Flying", que foi acertadamente escolhido para single promocional, e "To The Shore" são injecções narcóticas que propiciam o toldar dos sentidos. Ambos os temas, num registo de psicadelia planante, terão servido de matriz à sonoridade de uns Verve, que então davam os primeiros passos ainda distantes da grandiloquência que lhes deu a fama.

Passível de um maior desenvolvimento e depuramento, a proposta de The Telescopes não conheceu sucessão imediata, já que a banda, com alguma surpresa, se desintegrou em 1994. Por iniciativa de Stephen Lawrie, com uma formação substancialmente alterada, o regresso deu-se em inícios do novo século. Desde então, o percurso tem sido discreto, à margem das tendências badaladas pela imprensa e dos fazedores de hypes, mas ainda - ou talvez até mais - com a mesma vontade de desafiar os estereótipos rock na procura do tal "som perfeito".

Splashdown by The Telescopes on Grooveshark

Flying by The Telescopes on Grooveshark

High on Fire by The Telescopes on Grooveshark

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ao vivo #92

















THE TELESCOPES + JAMES JACKET @ Centro Cultural do Cartaxo, 21/09/2012

A prudência aconselha-nos a aguardar estes concertos das "nossas" bandas de outras eras com freio nas expectativas. Felizmente, raras foram as que me deixaram ficar mal, e algumas, como foi o caso dos britânicos The Telescopes, chegam a superar largamente o expectável. Da banda original que, no seu período áureo na viragem de oitentas para noventas, se revelou demasiado explosiva para encaixar tanto na vaga drony dos Spacemen 3 e dos Loop como nas contemplações shoegaze, resta apenas o vocalista e mentor Stephen Lawrie. Os proventos serão ainda hoje menores que naqueles tempos, e não permitem sequer que a totalidade da formação viaje até ao nosso país. De maneira que baixista e baterista tenham sido recrutados no burgo, isto sem que a sua menor rodagem se tenha feito notar. Os restantes três elementos - Stephen e dois guitarristas -, quer pela sua postura de uma subversão alienada, quer pela entrega às manipulações de ruído, centram em si as atenções e disfarçam eventuais deficiências de entrosamento.

Logo a abrir, com o "clássico" "To Kill A Slow Girl Walking", os Telescopes dão a entender que não estão em terras ribatejanas para um concerto pacífico. Da primeira fase da banda há uma predilecção pelos temas mais ruidosos (também o brilhante "The Perfect Needle" fez parte do alinhamento), oportunidades para Stephen e um dos dois guitarristas ensaiarem rituais de catarse com visitas à audiência incluídas. Menos conhecida do público, a sua obra mais recente realça o cunho spacey da sua música. Representa uma boa fatia do alinhamento, com os três músicos ingleses invariavelmente prostrados perante os pedais em devaneios de induções de estados mentais alterados. Stephen é, obviamente, a estrela da companhia, e a sua performance alheada do mundo terreno faz jus à música exploratória dos Telescopes. Após o concerto, entregue ao comércio do merchandising, parece irreconhecível na sua humilde afabilidade.

De James Jacket, o músico português a quem foram entregues as honras de abertura da noite cartaxense, pouco ou nada a dizer que seja em seu benefício. Em poucas palavras, diria apenas que é um fazedor de uma bedroom-pop - com guitarra e sons pré-gravados - que cruza o impensável: os ambientes plúmbeos dos Dirty Beaches com o exibicionismo técnico de um Santana ou de uns Pink Floyd da pior fase. Isto apenas nos dois primeiros temas, os únicos a que assisti antes de me decidi para aproveitar um último fogacho da noite estival com cigarro e cavaqueira no exterior do CCC.