"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Good cover versions #37












GALLON DRUNK  "To Love Somebody" [City Slang, 1996]
[Original: The Bee Gees (1967)]

Há muito, muito tempo, muito antes de se terem tornado mero número de variedades, os Bee Gees foram autores de alguns punhados de gemas pop que fazem já parte do domínio colectivo. Refiro-me àquele tipo de canções que ganharam vida própria, tornando-se autónomas dos seus autores/intérpretes. Uma delas é "To Love Somebody", escrita propositadamente para Otis Redding mas que não conheceu o seu destino planeado devido à morte prematura do excelso soul man. Confrontados com a tragédia, os irmãos Gibb decidiram ser eles próprios a interpretá-la, numa rara incursão pelas sonoridades  da chamada blue-eyed-soul. O sucesso foi de tal forma retumbante que "To Love Somebody" se tornou o tema mais emblemático da longa carreira dos manos (aquele aberração disco-sound embaraça mais do que dignifica), daí em diante alvo de versões por centenas de artistas dos mais diversos quadrantes. Uma delas, por sinal das mais inesperadas e das mais radicais, ficou a cargo dos britânicos Gallon Drunk, herdeiros directos de um Nick Cave visceral de outras eras, tanto nos Birthday Party como nos primórdios dos Bad Seeds. Por conseguinte, no entendimento dos Gallon Drunk, "To Love Somebody" resulta numa balada negra embalada pela profundidade crooner da voz de James Johnston. A pairar sobre granuloso das guitarras, um órgão ébrio faz jus ao nome da banda.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ao vivo #36














Gallon Drunk + Murdering Tripping Blues @ Gasoiil, 21/03/2009

Estranho país este, em que o cidadão australiano nascido Nicholas Edward Cave é recebido nas palminhas das mãos a cada visita, e os Gallon Drunk, seus parentes estéticos que preservam a visceralidade de outros tempos, têm uma recepção de quase indiferença. Se lembrarmos que o frontman James Johnston era até há poucos meses membro da pandilha Bad Seeds, mais incompreensível torna a ausência de referências nos media à segunda vinda a Portugal deste quarteto londrino. Apesar dos contras derivados da promoção escassa, a cave do Gasoiil conseguiu, ainda assim, reunir uma moldura humana aceitável, onde não faltavam figuras pitorescas em elevado número.
Não obstante as deficientes condições de acústica, o cenário montado parece o ideal para as canções soturnas dos Gallon Drunk. Nos temas de cavalgada electrizante, como "Arlington Road" ou o já clássico "Some Fool's Mess", tais condições não parecem afectar grandemente a performance da banda, pois nestes a atitude confrontacional de um Johnston espasmódico chama a si todas as atenções. Já nos momentos de maior recato intimista, como no belíssimo "You Should Be Ashamed", a prestação sai claramente prejudicada. Mas isto são apenas pormenores de somenos importância num concerto intensíssimo de uma banda que, desconfio, atinge níveis excessivos de entrega de cada vez que pisa um palco. Independentemente da exiguidade do mesmo e do adiantado da hora...

Antes do prato principal, os surpreendentes Murdering Tripping Blues foram aperitivo à altura da ocasião. Praticante de um mistura explosiva de blues, garage-punk e rockabilly, o trio lisboeta até teve uma entrada em palco algo nervosa. Ultrapassada a "timidez" inicial, cedo se percebeu estarmos na presença de conjunto de músicos conhecedores dos códigos dos géneros que assume como bandeira. De uma prestação avassaladora, fica na retina um vocalista/guitarrista animalesco com genes de Iggy, Lux Interior e Jeffrey Lee Pierce.

domingo, 15 de março de 2009

Deviam ter vergonha!

Então os Gallon Drunk vêm cá e ninguém me dizia nada? Na próxima sexta-feira na Invicta (Armazém do Chá), um dia depois na capital (Gasoil), exige-se indumentária negra.


[Live @ Later, with Jools Holland]