"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vaga fria vs. Vaca fria















Algumas apostas recentes da Matador Records já me faziam temer pelo rumo a seguir por aquela que foi, nos últimos quinze anos, a mais relevante das editoras independentes. Quem não consumiu avidamente as compilações do selo nova-iorquino que incluíam bandas tão entusiasmantes como Pavement, Yo La Tengo, Guided by Voices, The New Pornographers, Helium, Come, ou Bailter Space? O último sinal de derrocada é dado agora, com a rendição da Matador à recente tendência para a recuperação dos sons sintetizados que há quase trinta anos eram considerados futuristas, mais concretamente à facção humanóide da coisa. Fala-vos da recente edição de Love Comes Close, álbum de um colectivo intitulado Cold Cave, que vem rotulado de experimentalista mas que se limita à prática de sonoridades electrónicas primitivas. As vozes são duas: a dele grave e com ar de caso, a dela com a aparente lascívia que garante um lugar cativo nas pistas de dança dadas a modas passageiras.
Fonte privilegiada garanta-me que uma das próximas contratações da Matador dá pelo nome de Euryth..., perdão, Editors...

http://www.myspace.com/coldcave

8 comentários:

eduardo disse...

de facto a aposta é mesmo má. O que safa é que ainda contam nas suas fileiras com os sonic Youth e Yo La Tengo.

Pedro Carvalho disse...

sim, isto é muito fraquinho, mas gosto dos Girls, uma das recentes apostas da editora e apesar de nãoprimarem pela originalidade.
abraço,

M.A. disse...

Também gosto, e muito, dos Girls. Provavelemente, vai ser o meu disco do ano. E digo provavelmente para criar algum suspense... :)

Abraço!

neulock disse...

bleagh editors?! e mesmo o principio do fim!
"a dela com a aparente lascívia que garante um lugar cativo nas pistas de dança dadas a modas passageiras
ah ah ah :PPppp

strange quark disse...

O considerar futurista as ditas sonoridades de há 30 anos foi não só um disparate de todo o tamanho, como a constatação que grande parte dos raporteurs musicais tem uma cultura musical abaixo de cão. Basta pegar numa ou 2 peças de Xenakis para se perceber onde anda o verdadeiro experimentalismo e que o futurismo é uma ilusão digna de um pote de ouro no fim do arco-iris.

Claro que a malta ouvia os Kraftwerk, mas daí até fazerem algo, já nem digo ao mesmo nível, mas próximo, vai uma grande distância. A começar talvez pelo despojamento da atitude punk de que vinham contamindaos, pois a aparente simplicidade dos Kraftwerk estava imbuída de uma forte cultura musical abaixo da fina camada sonora. Nem sequer souberam digerir e apreciar o vanguardismo do lado B de Low de Bowie e Eno, com a honrosa excepção de Gary Numan e os seus Tubeway Army.

Em tempos escrevi que a música electrónica dessa altura está para a ficção científica como os filmezecos série B de Space Invaders e afins dos anos 50 estão para o visionarismo do 2001 do Kubrick. É de plástico e é Made in China.

Um abraço

M.A. disse...

Meu caro Mário,

Tenho de dizer que concordo apenas parcialmente contigo, pois não considero que o interesse das electrónicas de finais de 70s e inícios de 80s se resuma ao Gary Numan. Antes da bandalheira synthpop, bandas como os Throbbing Gristle e os Cabaret Voltaire (na facção "dura"), ou os Human League dos primórdios e os Associates (num espectro mais pop) criaram trabalhos não só dignos de louvor, como pioneiros. De um período mais tardio, sinto algum apreço pela chamada EBM dos Nitzer Ebb e dos Front 242, embora me repugne o ideário a que este género de música é muitas vezes associado. Facto a que, obviamente, a maior parte das bandas é alheia.
Quanto aos Kraftwerk, particularmente os desta fase, tenho a dizer que os considero, se não sobrevalorizados, pelo menos ultra-datados. Não tão datados como um certo tema intitulado "Blue Monday", é certo, mas isso é outra história...

Abraço!

strange quark disse...

Apenas referi o Gary Numan como exemplo (uma excepção entre outras, mas poucas na realidade) fundamentalmente pelo facto de ser o que assume mais explicitamente essa raíz. Não tenho nada a contrapôr aos nomes que apresentas, apesar de os meus ouvidos serem incompatíveis com os Human League. De resto, deste mesmo lote de nomes só mesmo os HL é que tinham representatividade radiofónica, porque dos restantes era preciso um gajo vasculhar um bocado. Sabes bem que em outras ocasiões exprimi o meu apreço pelos Associates e pelo disco Sulk. Dos exemplos posteriores que apontas confesso a minha ignorância. No entanto, creio que será dedutível (não do IRS, note-se) das minhas palavras que me refiro à música e às bandas que mais tempo de antena gozavam nessa altura. Quer queiramos quer não, as actuais referências que olham para o passado de há 30 anos, é fundamentalmente para estas que estão a olhar.

Quanto aos Kraftwerk, creio que a tua opinião é discutível quanto o poderá ser a minha. No entanto, concedo que tendo entrado na banda através do Radioactivity as realizações subsequentes dos moços que deram à pala o Men Machine e Computer World pareceram-me a mim como um aproveitamento para cavalgar a onda synthpop da altura, mas hoje analiso essa realidade de forma diferente. De resto, sou da opinião que não há verdadeiramente música datada da mesma forma que não há música futurista. O que há são percursos musicais subsequentes que privilegiam certas ideias em detrimento de outras, as quais com o passar do tempo se tornam, ora actuais ora datadas, respectivamente.

Não há nada como uma boa discussão! :)

Um abraço

M.A. disse...

É sempre um prazer discutir com V. Exa.. :)

Volte sempre!