"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Singles Bar #38



















ANOTHER SUNNY DAY
You Sould All Be Murdered
[Sarah, 1989]

"One day, when the world is set to rights
I'm going to murder all the people I don't like
The people who have left me down without reserve
The people who are cruel to those that don't deserve
The people who talk too much
The people who don't care
The people whose lives are going nowhere"

Em 1987, o fim súbito dos Smiths foi motivo de algumas convulsões junto dos jovens tímidos, letrados e sensíveis que tinham encontrado nas palavras de Morrissey expressão para a sua desilusão perante um mundo cruel e injusto. Neste clima de luto carregado, multiplicaram-se os projectos gerados pela devoção ao quarteto de Manchester, alguns com bastante graça, outros nem por isso. No primeira categoria temos que incluir os londrinos Another Sunny Day (ASD), mais do que uma banda, o veículo de expressão musical para Harvey Williams, figura que após a curta carreira deste projecto esteve ligado a várias outras bandas simbólicas do chamado twee pop (The Field, Mice, Trembling Blue Stars, Blueboy).
O legado dos ASD resume-se a pouco mais do que um punhado de singles, todos eles editados pela Sarah Records - casa intimamente ligada ao "género" twee - e posteriormente reunidos na compilação London Weekend (1992), recentemente reeditada pela louvável Cherry Red para gáudio deste que vos escreve. Do lote de temas de uma leveza triste e hiper-romântica registados por Williams, destaca-se "You Should All Be Murdered", no qual o pacifismo aparente da voz esconde o desejo de extermínio de todos aqueles que fazem do mundo um lugar cinzento. Se o tom vitriólico disfarçado de doçura, qual lobo na pele do cordeiro, é o mesmo que habitualmente associamos a Morrissey, então o que dizer do fade in inicial reminiscente de um tema intitulado "Some Girls Are Bigger Than Others", ou dos floreados da guitarra característicos de um indivíduo que ficou conhecido como Johnny Marr? A propósito de "... Murdered", alguma má-vontade poderá sugerir termos como "cópia", ou até o mais gravoso "plágio". Porém, perante melodia tão insidiosamente cativante, as reservas das pessoas de bom-gosto revelam-se rotundamente ineficazes.

3 comentários:

eduardo disse...

O último número da revista Magic inclui um artigo sobre a Sarah records e traz os Pains of being pure at heart na capa. O problema é ser em francês... algo que se encontra enferrugado por estes lados.

M.A. disse...

Francês falado também não é a minha especialidade, mas a ler até me desenrasco. Não sei onde é que a Magic se vende aqui em Lx, mas hei-de fazer uma prospecção.
Thanx!

Pedro Carvalho disse...

Gosto muito; de relance tudo parece muito naif mas a mensagem politica está lá; a minha preferida é, no entanto, Anorak City. Tb sou fã da sarah records.
abraço,