"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

terça-feira, 27 de março de 2012

De peito aberto
















Os escassos contactos que tive no passado com a música dos The Men não me deixaram particularmente entusiasmado. Ao longo de dois álbuns, este jovem colectivo de Brooklyn alinhava por uma ortodoxia hardcore que, embora estivesse em contra-corrente com muito sub-produto daquelas paragens que tem sido inexplicavelmente elevado aos píncaros, não trazia nada de novo a um "género" que não prima propriamente pela introdução de novas ideias. Posto isto, não me senti especialmente tentado a acorrer à recente passagem do quarteto pela capital deste rectângulo.

Agora, ouvido com razoável insistência o novíssimo terceiro álbum, não poderia estar mais arrependido pela minha ausência nesta ocasião única. É que, não rompendo em definitivo com o passado recente da banda, Open Your Heart é do que de melhor se ouviu ultimamente no que ao rock mais abrasivo diz respeito. Fazendo jus ao título, é também o disco mais "humano" e acessível da carreira dos The Men. Não se confunda, porém, acessibilidade com concessão, pois as guitarras continuam a soar ríspidas e a adrenalina ainda é um factor importante na música do quarteto. Pode até parecer paradoxo, mas numa boa metade dos temas, instrumentais ou quase, há até um incremento da complexidade, tanto ao nível das estruturas como da duração dos temas, inclusive com algumas pinceladas de psicadelismo. Estabelecendo uma analogia, poderemos dizer que os The Men estão neste momento num estádio evolutivo semelhante ao de algumas bandas da histórica SST Records, quando renegaram o hardcore que disseminaram em favor de sonoridades mais abrangentes e ambiciosas, o que gerou ondas de choque nos acólitos avessos à mudança. Para estes, os The Men ainda debitam berraria para dar e vender, em particular nos temas mais curtos e directos. Mas até aqui, há um sentido de melodia, vagamente buzzcockiano, que é de saudar.


"Open Your Heart" [Sacred Bones, 2012]

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