"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ao vivo #24

THE GUTTER TWINS @ Santiago Alquimista, 08/09/2008

Depois do cancelamento em finais de Abril último, os senhores Greg Dulli e Mark Lanegan não faltaram ao prometido, e proporcionaram à falange de seguidores lusos a oportunidade de ver o que este novo projecto vale em palco. À semelhança da esmagadora maioria da massa humana que lotou a "fornalha" do Alquimista, este era um concerto que aguardava com expectativas elevadas. No final, ficou uma sensação agridoce, um estado de mixed emotions para o qual contribuíram diversos factores:

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  • À semelhança do que ocorrera em ocasiões anteriores, a sala revelou péssimas condições de acústica (sobretudo nos graves), o que, por vezes, chega a provocar algum desconforto;
  • Perante este cenário, o primeiro contacto com o barítono de Mark Lanegan - na inaugural "The Stations" - chegou a assustar-me;
  • São conhecidos os problemas do ex-vocalista dos Screaming Trees com certas substâncias. No entanto, isso não serve de justificação para a postura de completo alheamento, qual fantasma, a roçar o desrespeito pelo público. Talvez seja sempre assim, mas eu prefiro pensar que não estava nos seus dias;
  • Com pena minha, nos vários desvios que fizeram ao escasso repertório dos Twins, houve uma predilecção pelas composições do senhor supra-citado. Assim, dominaram os tons bluesy, em detrimento das investidas soul de Dulli com as quais sinto maior afinidade.

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  • Visivelmente mais anafado que nos tempos áureos dos Afghan Whigs, Greg Dulli foi, em termos de postura, a antítese do seu comparsa: afável, comunicativo, e com a felicidade estampada no rosto.
  • Para além de assumir as funções de mestre de cerimónias, Dulli chamou a si os momentos de rasgo da noite, nas interpretações apaixonadas de "God's Children" e "Front Street";
  • A voz deste, sem suscitar o fascínio gerado pela do companheiro, revela-se bem mais treinada e expressiva.
  • Os músicos que acompanham o duo, e que parecem resgatados ao passado grunge dos seus "chefes-de-fila", revelam-se uma máquina bem oleada. Nos momentos de maior grandiloquência exibem o virtuosismo bastante para satisfazer os "tecnocratas" mais exigentes.

3 comentários:

myself disse...

Não tive qualquer sensação agridoce acerca deste espectáculo, porque como sempre nunca coloco expectativas altas. É a melhor forma de nunca nos sentirmos defraudados, até no nosso dia a dia.
Mas se por um lado concordo contigo no factor da acústica da sala, que já todos os que lá assistiram a concertos, seja em que tom for, sabem que é mais que péssima, já quanto ao comportamento/postura do Lanegan não me espantou. Nunca conheci outra figura ao senhor, até mesmo quando o vi a 1ª vez ao vivo já faz uns anos valentes. Talvez seja das drogas talvez seja personalidade. A voz, essa tava lá e para mim é mais que suficiente.
Quanto ao Dulli, também preferia ouvir oldies dos Afghan mas sabia que tinha mais hipóteses de acertar no Euromilhões, é mais que sabido que o senhor Dulli não nutre qualquer ligação emocional com o seu passado musical.
Tirando isto, sem desrespeito pela tua opinião, o saldo para mim foi muito positivo.
Uma sala melhor e seria quase perfeito.
Abraços.

M.A. disse...

Note-se que a minha opinião peca por alguma imparcialidade, motivada pelas afinidades de que falo no texto.
No entanto, reconheço ao ML dotes vocais únicos, pelo menos em disco. Ao vivo, e já descontando os factores alheios ao próprio,a coisa pareceu-me um bocado "unidimensional", à falta de melhor termo.
Ainda sobre a questão das drogas, num artigo que li há tempos na Magnet, a esposa deste senhor garantia que ele agora estava "limpo". Mas também não escondia algum receio de uma possível recaída de cada vez que ele entrava em tournée.

Em suma, e ainda relativamente ao concerto, foi bom mas não me encheu as medidas.

Hasta!

M.A. disse...

Na primeira frase, leia-se "parcialidade", obviamente