"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

SINGLES BAR #15

ART BRUT
Emily Kane (Fierce Panda, 2005)

I was your boyfriend when we were 15
It's the happiest that I've ever been
Even though we didn't understand
How to do much more than just hold hands

Os dois singles anteriores ("Formed A Band" e "Modern Art") já tinham dado o mote. "Emily Kane" era a confirmação da verve afiada de Eddie Argos, uma espécie de Luke Haines para o novo século, menos dandy, mais punky.
Se nos temas antes citados os alvos deste humor cáustico tinham sido, respectivamente, as ambições mainstream de muitas contemporâneas e os mais recentes conceitos da Arte, "Emily Kane" era uma dedicatória ao primeiro amor (o tal que não outro igual). Num tom profundamente cockney, Mr. Argos, meio aparvalhado, meio ingénuo, discorria sobre aquela que, apesar da longa ausência (10 years, 9 months, 3 weeks, 4 days, 6 hours, 13 minutes, 5 seconds), continuava a ocupar um lugar muito especial no seu coração. Ficção? Realidade? Apenas ironia? A ambiguidade dominante não permite tirar conclusões.
Descendentes directos das bandas mais desempoeiradas do período post-punk (Wire, The Fall), com estes pequenos petardos que nunca ultrapassam os três minutos de duração, os Art Brut prometiam ser um dos mais interessantes projectos surgidos em Terras de Sua Majestade na década corrente. Os dois álbuns até à data cumprem a promessa.

4 comentários:

Anónimo disse...

Ai que saudades da rádio fantasma...

M.A. disse...

Podes crer! O meu 'radar' nunca mais captou nada igual... :)

Kraak/Peixinho disse...

Uma grande banda... infelizmente, sem grande reconhecimento... :Z

Joe disse...

É muito engraçada e faz todo o sentido, essa comparação entre o Argos e o Haines.Representam um bocado o lado negro de 2 gerações de Britpop, que estão um passo à frente da sátira social mais levezinha (à la Pulp ou Blur) e por vezes se tornam realmente amargos e antipáticos, nas letras e na atitude. Ainda não ouvi o novo dos art Brut, mas estou curioso. Por coincidência, nestes dias tenho andado a ouvir o Das capital, a magnífica revisão/compilação dos Auteurs, que andava emprestada há uns meses.