"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

terça-feira, 7 de agosto de 2007

AO VIVO # 4

Festival Sudoeste 05/08/2007 (a parte que interessa)

Perdidas num cartaz que não lembraria ao Menino Jesus, com primazia aos nomes dedicados à malta do djambé, duas bandas foram responsáveis pela entrada deste escriba numa aventura rumo ao pó do Sudoeste: ida e volta no mesmo dia, e trabalho no dia seguinte... Apesar do cansaço esperado, valeu bem a pena. A crónica a seguir:
Guillemots
Deste combo multinacional com sede em Inglaterra, pouco mais conhecia do que os singles que não passam nas nossas rádios. Estava por isso à espera de um som pop mais ou menos convencional, o que não se verificou. Para além dos instrumentos canónicos, os Guillemots apresentam em palco uma parafernália onde constam o theremim, o piano eléctrico, o contrabaixo (a jovem que o manuseia, Aristazabal de sua graça, é de perder a respiração), sopros, e até megafone! Música emotiva, épica, sinfónica, swingante, a acusar alguma indefinição mas com potencial para crescer, foi aquilo a que se assistiu. Ponto negativo: o som: péssimo. Ponto positivo: os sons pouco usuais saídos da guitarra do brazuca MC Lord Magrão.

Of Montreal
Destes norte-americanos outrora ligados ao colectivo Elephant 6 (não, não é uma editora), conhecia umas quantas faixas mais antigas, feitas de uma pop luminosa de outras eras, na linha de uns Apples in Stereo, uma das mais notáveis bandas do referido colectivo. Ao que parece, o tão propalado Hissing Fauna, Are You The Destroyer? (2007) resulta em palco como uma versão esquizóide dos execráveis She Wants Revenge, perdida no meio de uma teatralidade non-sense, no pior sentido do termo. O último tema fez-me lembrar os Abba... e isso não é um elogio... Curiosamente, ao longo da noite foi esta a banda que dispôs de melhor som.



...And You Will Know Us by The Trail of Dead
Cabe a estes texanos metade da responsabilidade da minha ida ao Sudoeste. Com uma parte inicial marcada por alguns problemas de som, com especial incidência no microfone de Jason Reece no tema inaugural, os Trail of Dead agarraram o (pouco) público presente desde o primeiro instante. Sempre em crecendo, e ultrapassados os problemas técnicos, foram desfilando canções dos dois últimos registos, onde alternam momentos planantes com momentos de tensão ruidosa. Já na parte final do concerto, surgiria "Relative Ways", primeira incursão ao superlativo Source Tags & Codes e momento de verdadeira catarse para todos os presentes. Apesar de toda a angústia que a música dos Trail of Dead encerra, os mestres de cerimónias Conrad Keely e Jason Reece exibiram uma inesperada boa disposição sempre que se dirigiram ao público. Que voltem depressa para libertar-mos mais alguns litros de suor.



The National

E se os Trail of Dead tinham já sido uma justa recompensa pelo incómodo da deslocação, os The National seriam a cereja no topo do bolo. Com uma assistência bem composta, e que parecia estar lá apenas para os ver, o quinteto norte-americano mostrou-se até surpreendido com tão calorosa recepção. Com um alinhamento assente nos discos Alligator (2005) e Boxer (2007), a prestação dos The National foi apenas manchada pelos problemas técnicos já verificados com as bandas anteriores. A pequena tenda onde se encontra o palco Planeta Sudoeste acabou por ser o cenário ideal para as canções intimistas, muitas vezes sussurradas por aquela voz única de Matt Berninger. Num concerto a roçar a perfeição, destacar pontos altos pode ser desnecessário, ainda assim os temas de maior tensão ("Lit Up", "Mistaken For Strangers", "Abel" e "Mr. November") sobressairam dos demais. Por sua vez, "Daughters Of The Soho Riots" foi o momento mais bonito da noite. Só faltou mesmo "Karen" fazer a sua aparição... Quem sabe se da próxima...

NOTA: Nas apreciações telegráficas aos concertos do dia 5 publicadas na edição de hoje de um pasquim diário, o energúmeno de serviço dizia que o concerto dos The National tinha sido prejudicado pelo estado (ébrio, supõe-se) de Matt Berninger. Ao dito redactor deixo um conselho: puto, antes de lançares postas de pescada, curte a vida, vê uns concertos. Recomendava os The National, mas esses já passaram por cá há dois dias.

3 comentários:

extravaganza disse...

Foi há 2 dias e pela segunda vez! Li por aí a palavra "estreia" vezes demais para ser verdade!

PS: obrigado, estava aqui indecisa se aquilo em que o vocalista dos Guillemots tocou era um piano ou eram teclas. Afinal, é um híbrido... Sou uma nódoa em instrumentos! :)

Anónimo disse...

...e trabalho no dia seguinte.À tarde...menino!...and you will know us by the trail of gigs!! rock n´rooooooooooooooooooooll!!!


o faint

Kraak/Peixinho disse...

O Matt estava bem sóbrio nessa noite... Só quem não os conhece pode escrever algumas alarvidades como vi por aí. Mas, para além dos problemas técnicos que descreves, o Matt abusou em demasia de tamanha encenação. Isto foi um ponto negativo, na minha opinião... Houve momentos que não havia desculpas para os problemas sonoros... e de alguma forma, no fim do concerto, houve alguns reflexos negativos entre os membros da banda sobre a prestação de Matt Berninger.

Hugzz e Boas Férias!!