"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

10 anos é muito tempo #16



















DEATH IN VEGAS
The Contino Sessions
[Concrete, 1999]

Inicialmente e erroneamente arrumados na categoria do big beat, variante dançante que assolou o Reino Unido na segunda metade da década passada, os Death in Vegas desenvolveram ao segundo registo uma linguagem própria que desfez quaisquer equívocos. Em The Contino Sessions, quais Cabaret Voltaire de fim de milénio, Richard Fearless e Tim Holmes dirigem um ensemble de músicos e vozes convidadas para criar uma obra onde os ambientes densos e sufocados revelam uma notória atracção pelo lado mais negro da mente.
Se os temas instrumentais por si só criam uma espécie de minimalismo psicadélico gerador de calafrios, é na força das vozes e das palavras que o negrume se adensa. Logo a abrir, em "Dirge", a escocesa Dot Allison limite-se a soltar la-la-las esporádicos sobre uma muralha de guitarras elípticas. Apesar da simplicidade de processos, o efeito produzido aproxima-se do encanto trágico de uma Medusa. Sobre batidas arrastadas e narcóticas, um pouco à semelhança do trabalho anteriormente desenvolvido pelos seus Primal Scream, Bobby Gillespie discorre, qual insano, sobre estados alterados. Em "Aisha", um Iggy Pop em discurso directo assume o papel do psicopata que persegue a próxima vítima. A cavalgada das guitarras em despique com o Hammond e a explícita violência das palavras são o bastante para provocar um nó na garganta. Em "Aladdin's Story" o London Community Gospel Choir remete-nos para a redenção típica dos Spiritualized, com quem de resto já havia colaborado. Sobre distorções arrastadas, em "Broken Little Sister", um ocioso Jim Reid mostra-nos a face de uns Mary Chain próximos da letargia.
Três anos depois, em Scorpio Rising (referência directa ao filme homónimo de Kenneth Anger), com colaborações de Nicola Kuperus (Adult.), Hope Sandoval, Paul Weller, Noel Gallagher, e a reicidente Dot Allison , os Death in Vegas tentaram reproduzir a fórmula. Porém, a ausência de novidade e uma menor coesão entre temas, fazem deste um disco consideravelmente inferior ao antecessor.


"Dirge"


"Soul Auctioneer"


"Aisha"

5 comentários:

Poppe1 disse...

Como eu gosto deste disco!

du disse...

já não ouvia isto há uns tempos :D
grande post!

Shumway disse...

A obra-prima dos senhores.

Abraço

strange quark disse...

Conheci mal o disco e este teu texto fez-me ter vontade de o re-ouvir. É de facto muito bom.

O Puto disse...

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que ouvi "Dirge", n'O Mercedes, quando estava em jeito de saída. Fiquei hipnotizado mas não perguntei o que era. Quando fui ouvir "The Contino Sessions" numa loja, identifiquei imediatamente a faixa de abertura. A partir daí, ouvi incessamente um dos melhores discos daquele ano.
Também gosto muito do 1º disco, com o dub como sonoridade dominante, mas onde algumas destas linhas já se desenhavam.