"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Duetos #30












Caso raro nos meandros indie-pop digno desse nome na América de noventas, os Velocity Girl devem o nome a uma velhinha canção da fase imberbe dos Primal Scream, o que diz bem da "orientação britânica" do quinteto do Maryland. As vocalizações eram tarefa quase exclusiva da belíssima Sarah Shannon, dona de um timbre deveras semelhante ao de outra musa ianque, de seu nome Tanya Donelly. Este é um dos poucos temas da banda em que essa função é repartida com o guitarrista Archie Moore. Resultado: uma das muitas pérolas pop cintilantes de uma década que, ao contrário do que possa parecer, nos deu algo mais, muito mais, do que a ruína radiofónica pós-grunge.

Velocity Girl _ "I Can't Stop Smiling" [Sub Pop, 1994]

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Discos pe(r)didos #34


BLACK TAMBOURINE
Complete Recordings
[Slumberland, 1999]

Em finais da década de 1980, o universo indie norte-americano estava praticamente confinado às expressões descendentes da rebelião hardcore que haveriam de evoluir para a explosão "alternativa" de inícios da década seguinte. As excepções mais conhecidas eram os Galaxie 500 com a sua pop sonhadora em tons sépia, e o contigente twee-pop divulgado por Calvin Johnson através da K Records (com os seus Beat Happening incluídos). Banda bem menos conhecida - até porque de carreira extremamente breve - a contrariar este estado de coisas foram os Black Tambourine, o que não deixa de ser tão mais surpreendente quando temos em conta que este quarteto era originário de Washington, D.C., um dos bastiões hardcore. No curto espaço de tempo que estiveram activos (entre 1989 e 1991), reza a história que os Black Tambourine deram apenas quatro concertos. No mesmo período, deixaram registada uma escassa dezena de temas, sete deles incluídos nos dois singles editados, e os restantes espalhados por compilações. É precisamente este curto acervo que constitui o alinhamento de Complete Recordings, oportunamente lançado pela Slumberland Records, mesmo a tempo de anteceder o súbito revivalismo indie de travo british que tem assolado o território dos Estados Unidos. Movimento no qual, diga-se, esta editora tem tido um papel preponderante ao lançar bandas como Crystal Stilts e The Pains of Being Pure at Heart, só para citar algumas.
Efectivamente, toda a filiação musical dos Black Tambourine provêm de solo britânico, com especial enfoque no fuzz/dream pop do seminal Psychocandy e da mítica cassete NME C86 que lhe sucedeu. Por esta altura já se terá percebido que os Black Tambourine idolatravam bandas como The Jesus and Mary Chain e Shop Assistants, mas também, mais moderadamente, 14 Iced Bears e The Pastels. Por conseguinte, Complete Recordings está pejado de melodias pop cintilantes afogadas em generosas doses de ruído. Isso se percebe logo no inaugural "For Ex-Lovers Only", anunciado por uma muralha de feedback à qual se juntam uma bateria cavalgante a ecoar na wall of sound e a voz angelical de Pam Berry. Paradigma da sonoridade do quarteto é, eventualmente, "Black Car", uma semi-balada imersa em reverberação na qual a vocalista parece soar como alguém que sonha acordada. A óbvia referência aos heróis, concretamente aos Pastels na pessoa de Annabel "Aggi" Wright, fica a cargo de "Throw Aggi Of The Bridge", tema da melhor bublegum-pop e que constitui o momento mais electrizante de todo o alinhamento.
Derivado da falta de experiência da banda, como é óbvio, nem todos os temas constituem gemas pop do mesmo quilate dos citados. Alguns, inclusive, soam como boas ideias ainda em tosco que poderiam ter vindo a indicar pistas para um futuro que não ocorreu. É o caso de "We Can't Be Friends", exemplo da jovialidade pop que metade dos quatro Black Tambourine viria a desenvolver nos deliciosos Velocity Girl, banda igualmente lançada pela Slumberland que viria a obter algum reconhecimento com os dois primeiros do trio de álbuns lançados pela Sub Pop.


"Black Car"


"Throw Aggi Of The Bridge"

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Às compras, na Slumberland...

Numa visita recente ao sítio da Slumberland Records, com o intuito de adquirir o álbum dos Crystal Stilts, não tive como resistir a outros tesouros à disposição do cliente. Como estes dois, por exemplo:

BLACK TAMBOURINE
Complete Recordings [1999]

Se a importância de uma banda se medisse pelo volume da obra gravada, então os Black Tambourine (BT) não chegariam sequer a ser uma nota de rodapé no Grande Livro da História do Indie Pop. No curto período de vida - em inícios da década passada - deixaram registadas apenas 10 canções, todas elas incluídas nesta compilação. Fortemente influenciados pelas produções de Phil Spector nos idos de sessenta, tal como muitos dos seus congéneres escoceses, o papel dos BT foi determinante na criação das bases para uma "cena" indie pop norte-americana, ao ponto de, ainda hoje, serem citados entre as referências de diversas bandas. Como as Vivian Girls, por exemplo.

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VELOCITY GIRL
6 Song EP [1993]

Com o fim prematuro dos Black Tambourine, alguns dos seus membros passaram a dedicar-se em pleno ao projecto em que se envolviam simultaneamente, e cujo nome foi retirado de uma das primeiras canções dos Primal Scream- os Velocity Girl (VG).
Antes de assinarem pela Sub Pop, os VG também fizeram parte do catálogo da Slumberland, para a qual gravaram apenas dois singles, cujos temas se encontram reunidos neste EP-compilação. Entre eles está "Forgotten Favorite", uma brilhante canção onde já se vislumbram todos os traços da sonoridade que faria a fama dos VG: uma mistura bem urdida de twee, dream e noise pop.
Após o contrato com a editora de Seattle, como muitos de vós sabereis, os VG tornar-se-iam uma das mais importantes bandas indie pop estado-unidenses com vocalistas femininas de meados de noventas, muitas vezes comparados aos Helium e aos Belly. Cessaram funções em 1997, data a partir da qual a carismática vocalista Sarah Shannon tem desenvolvido uma discreta carreira a solo.

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