"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 23 de setembro de 2008

O céu é o limite

Foto: Andrew Ebrite

Desolation Wilderness
é uma área de paisagem protegida na parte mais interior da Califórnia. Foi este o nome (apropriadamente) escolhido escolhido por Nicolaas Zwart para o projecto que lidera desde 2005, que é, sem qualquer ponta de exagero, a "minha" mais entusiasmante descoberta em tempos recentes.
Informação sobre os Desolation Wilderness (DW) é coisa que não abunda na "rede". No entanto, sabe-se que são originários de Olympia, cidade no estado de Washington com fortes tradições no meio indie-rock (Bikini Kill, Beat Happening, Sleater-Kinney...). Na mesma cidade encontra-se sediada a K Records, lendária editora liderada por Calvin Johnson, que se apresta para lançar White Light Strobing, o segundo álbum de originais do projecto com edição agendada para inícios de Novembro. Em antecipação, podem já escutar meia dezena de temas no MySpace, e constatar as afinidades dos DW com duas bandas muito caras a este escriba, nomeadamente os Galaxie 500 e os Low: a mesma simplicidade de meios, a mesma melancolia ao retardador, os mesmos ambientes soturnos, a mesma devoção pelos sons vintage... Soa tudo tão familiar, mas ao mesmo tempo tão fresco...
Para o mais avassalador dos temas já conhecidos, o realizador Weston Currie criou o suporte visual perfeito:

"Come Over In Your Silver Car" [K, 2008]

quinta-feira, 27 de março de 2008

E EIS QUE, VINDA DO NADA...

Cats and dogs are coming down
14th street is gonna drown
Everyone else rushing round
I've got "Blonde on Blonde"
On my portable stereo
It's a lullabye
From a giant golden radio


Como adepto confesso do melhor power pop, não tinha com os Nada Surf uma relação particularmente afectuosa. Ainda assim, sempre considerei a sua canção mais popular (precisamente "Popular", de 1996) um hino digno de constar entre o melhor da década passada. Como já terão reparado pelo pretérito imperfeito do verbo ter na primeira frase, entretanto o caso mudou de figura.
Depois de inúmeras referências elogiosas a estes nova-iorquinos em blogues amigos, decidi dar-lhes uma nova oportunidade. E eis que, durante uma das várias incursões pelo universo nada-surfiano, se dá aquele clique capaz de transformar a indiferença em devoção. Responsável por tal feito foi uma cançãozita muito simples, semi-balada, semi-acústica, que vem em Let Go (Barsuk, 2002), segundo os "especialistas" o seu melhor disco e, em breve, parte integrante da minha relação de bens. Além de muito bonita, é também uma humilde homenagem a um dos discos históricos de uma certa lenda viva, com o qual partilha o título. Ei-la:



Agora que já degustaram esta pequena pérola, sugiro-lhes ainda uma visita ao sítio oficial da banda, um dos mais bonitos e originais que vi em tempos recentes. Quem já tenho desfrutado dos prazeres da vida no campo, no Verão e à noite, ir-me-á entender perfeitamente.

segunda-feira, 24 de março de 2008

20 ANOS (OU QUASE) PELA GALÁXIA


I don't wanna stay at your party
I don't wanna talk with your friends
I don't wanna vote for your president
I just wanna be your tugboat captain

There's a place I'd like to be
There's a place I'd like to be
There's a place I'd like to be
There's a place I'd be happy

Se os meus cálculos estiverem certos, por estes dias, devem cumprir-se vinte anos desde o primeiro contacto com uma das bandas com maior responsabilidade na minha formação enquanto amante de música.
Em teoria, esta banda que foi buscar o nome a um velho modelo da Ford, tinha tudo para não dar certo: inexperiência, canções monocórdicas, um vocalista com voz nasalada, uma segunda vocalista de uma timidez gélida... Para cúmulo, nem sequer tinham instrumentos! Segundo reza a lenda, a bateria utilizada nos primeiros concertos foi emprestada por um colega da Universidade de Harvard, um tal de Conan O'Brien...
Embora não tenham sido propriamente um fenómeno de popularidade durante o (curto) período de vida, a sua influência num largo espectro da música dita independente é indesmentível.
O videozinho que se segue não é um primor técnico. As condições de conservação também não são as melhores. No entanto, a beleza de um momento de verdadeira epifania permanece intacta...

Galaxie 500 "Tugboat" (Aurora, 1988)

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

O COMEÇO...

Corria o ano de 1987 quando pela primeira vez ouvi esta música tocada por uma banda de rapazes com cabelos desalinhados provenientes de Glasgow. Foi nesse dia que o teenager que eu era na altura percebeu que havia algo mais interessante do que a música que habitualmente povoava os tops. Convencionou chamar-se a essa música indie pop, ou indie rock, conforme os casos. O seu período de ouro decorreu algures entre a segunda metade da década de oitenta e a primeira da década de noventa do século passado, tendo então produzido alguns dos melhores exemplares que a música popular conheceu nos últimos 20 anos. É certo que nem todas as bandas que lhe estão conotadas foram brilhantes, sobretudo na parte da execução técnica, mas a paixão e a emoção com que o faziam eram únicas... Por alturas dos fenómenos da dance music e da britpop o "género" perdeu algum do seu fulgor, e isso reflectiu-se numa perda de destaque nos media. E é isto que este blogue agora inaugurado pretende destacar: os heróis do passado e as revelações do presente. E, num momento em que o a cena neo-postpunk começa a tornar-se uma cena neo-neo-romântica (history repeating...), o novo indie parece ganhar nova vida, como as edições dos últimos meses o atestam.
Sejam então bem vindos todos os interessados... e um grande 2007!