"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mil imagens #34



Nirvana - Seattle, 1993
[Foto: Anton Corbijn]

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

R.I.P.


CAPTAIN BEEFHEART
1941-2010
[Foto: Anton Corbijn]

O seu nome oficial era Don Van Vliet, descendente de emigrantes holandeses nos Estados Unidos, mas foi como Captain Beefheart que deixou marca indelével na facção mais arrojada da música popular. Sob este alter-ego, à frente da volátil The Magic Band e entre 1965 e 1982, deixou gravada uma obra que compreende onze álbuns de originais, todos eles uma mescla incatalogável na qual os blues, o psicadelismo, e o free-jazz eram apenas alguns dos elementos mais proeminentes. Com Frank Zappa, outro génio libertário, partilhou experiências e protagonismo nas franjas mais aventureiras do rock de finais de sessentas. Foi fonte inesgotável de inspiração durante o período pós-punk: John Lydon presta-lhe reverência; para além da influência musical, Mark E. Smith copiou-lhe o estilo quase ditatorial à frente dos The Fall. Artista multidisciplinar, desenvolveu desde a infância um talento fora do vulgar nas áreas da pintura e da escultura, actividades que exerceu paralelamente à música. Há quase vinte anos, vivia afastado dos olhares do público, confinado a uma cadeira de rodas, possivelmente por via dos sintomas da esclerose múltipla. A causa oficial da sua morte, na passada sexta-feira, está relacionada com aquela doença.

"Some Yo Yo Stuff" [Realização: Anton Corbijn (BBC, 1994)]

terça-feira, 18 de maio de 2010

Singles Bar #45




JOY DIVISION
Atmosphere
[Factory, 1980]

Ian Curtis, rosto e alma dos Joy Division, morreu faz hoje precisamente 30 anos. É inegável que aquele gesto brusco de pôr termo à vida na madrugada de 18 de Maio de 1980 ajudou à criação do mito - o suicide chic, como lhe chamou um cáustico Steven Patrick Morrissey. Mas é também indiscutível que aquele acto foi a extensão lógica do profundo buraco negro sugerido pelas letras de Curtis, carregadas de um sentido poético invulgar em pleno período pós-punk.
Quatro meses mais tarde, Tony Wilson, patrão da Factory Records, e os membros sobrevivos dos Joy Division, entenderam por bem dedicar ao amigo desaparecido o epitáfio perfeito, lançando em formato single "Atmosphere", uma das últimas canções gravadas por Curtis uma das mais claras manifestações do seu estado de alma. Monolito esculpido em mármore negro, a canção é sustentada por um momento de pleno entrosamento entre os elementos da banda: a percussão em cadência minimalista de Stephen Morris, os sintetizadores em estado quase líquido de Bernard Sumner, o baixo circular de Peter Hook, e as vocalizações suspensas por tênues fios de Ian Curtis. O efeito provocado pela audição de "Atmosphere", o meu primeiro contacto com a música dos Joy Division e, ainda hoje, a minha canção preferida de toda a sua obra, é semelhante àquele provocado por um brisa gélida que se entranha nos ossos e nos petrifica irremediavelmente. Em 1988, por alturas do relançamento como single da colectânea Substance, Anton Corbijn, um espectador atento dos Joy Division desde alguns os primeiros passos, dedicou-lhe vídeo a condizer:

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Mil imagens #3

Elvis Costello - Amsterdam, 1977
[Foto: Anton Corbijn]

Ainda na Holanda natal, antes de ter rumado a Inglaterra onde ficou fascinado pelos Joy Division, Anton Corbijn era já um fotógrafo atraído pelas ebulições ocorridas nas franjas da música popular. Isto, muito antes do "estrelato" concretizado nas inúmeras fotos e nos videoclipes concebidos para nomes do calibre dos Depeche Mode, dos U2, dos R.E.M., ou dos Nirvana. Também muito antes da estreia na realização de longas metragens com o sofrível Control, eventual fecho de um ciclo novamente com a banda de Ian Curtis como pano de fundo. Este instantâneo data desse fase "juvenil" e capta Elvis Costello num quarto de hotel munido de uma guitarra eléctrica e um pequeno amplificador. Costello, recorde-se, era então uma das vozes mais contundentes do espectro post-punk/new-wave. Isto, muito antes do aburguesamento, das versões easy-listening para comédias românticas, dos discos chatinhos, e de uma tal de Diana Krall...