"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Uma simples canção
















Apesar de serem, provavelmente, a banda mais consistente em termos de obra no novo século, não se pode considerar os The Shins os mais árduos trabalhadores deste mundo. Afinal de contas, desde que conquistaram os nossos corações, em 2001, têm apenas três álbuns, o últimos dos quais - Wincing The Night Away - já velho de cinco anos. Confesso que este longo hiato, associado ao conhecimento do feitio do mentor James Mercer, que alegadamente "despediu" todos os restantes membros de forma pouco amistosa, me fez suspeitar de um fim precoce e do começo de uma carreira a solo.

Mas o que é certo é que a banda prossegue, inclusive agora alargada a quinteto. Um dos novos membros é o amigo, e também autor de obra em nome próprio, Richard Swift, o outro é Joe Plummer, baterista dos também amigos Modest Mouse. Melhor notícia do que a continuidade é saber que o quarto álbum está eminente. Chama-se Port Of Morrow, chega lá para meados de Março, e leva selo da editora do próprio Mercer, portanto o primeiro fora da Sub Pop Records. Pelo primeiro tema avançado, somos levados a crer que segue mais próximo da linha límpida do último registo do que propriamente das aproximações ao psicadelismo dos primórdios, ligeiramente mais do meu agrado. De qualquer das formas, não deixa de ser uma p*** de uma canção. Ora oiçam:


"Simple Song" [Aural Apothecary, 2012]

segunda-feira, 20 de junho de 2011

10 anos é muito tempo #29








THE SHINS
Oh, Inverted World
[Sub Pop, 2001]




Com uma longa pré-história a marinar ideias, primeiro como Flake, depois como Flake Music, os The Shins emigraram do periférico Novo México para a "terra das oportunidades indie" de Portland já altamente versados na confecção de canções pop de alto quilate. Entrados numa nova década (e num novo século), demarcaram-se dos nomes de oitentas e noventas e perderam o pudor de olhar com reverência para um passado mais longínquo. Na circunstância, apontaram baterias para a era dourada da pop dos sixties, citando amiúde e sem preconceitos mestres como The Beach Boys, logo à cabeça, mas também The Beatles, The Kinks ou The Zombies. 

Por conseguinte, Oh, Inverted World, o álbum debute que os lançou para uma carreira rumo à primeira divisão indie norte-americana, é um autêntico tratado POP, assim mesmo, com maiúsculas. Todo o conjunto de onze temas parece vir de um tempo difícil de localizar no contínuo, aqui e ali investido de laivos de psicadelia reforçados pelos títulos "esquisitos" e as letras de difícil descodificação. James Mercer, o vocalista, compositor e produtor, não se coíbe de usar e abusar do falsetto, insuflando cada tema de um espírito de harmonia. Com efeito, desde o sublime "Caring Is Creepy, tema em tons sépia que evoca os Beach Boys, passando pelo arremedo rock à la Kinks de "Know Your Onion!", até à quietude pastoral do derradeiro "The Past And Pending", Oh, Inverted World é um todo de canções que se entrelaçam, como se só fizessem todo o sentido quando acompanhadas das restantes. Mais ou menos a meio do trajecto, invadidos por uma sensação agridoce e por uma regressão à inocência quase infantil, encontramos "New Slang", esse pedaço de perfeição contaminado de folk soalheira que, com toda a justiça, ficará recordado como o momento definitivo dos The Shins. O tal tema que, pela mão de Zach Braff, iria mudar as nossas vidas, mas também a da própria banda.

Com o mote dado por Oh, Inverted World, toda a década que se lhe seguiu acabaria por ficar marcada pela referência mais ou menos assumida de diferentes fontes. Contudo, a falta de ideias, de talento, ou sabe-se lá do que mais, cedo conduziu muitos dos protagonistas à referência da própria referência, fazendo dos noughties um dos mais penosos períodos da música popular. Sem rivais à altura, o disco da década foi encontrado logo no seu dealbar. Para tal feito, bastaram aos The Shins qualquer coisa como 32 minutos...


"New Slang"


"Caring Is Creepy"


"The Past And Pending"

domingo, 7 de setembro de 2008

Back to front

Amanhã de manhã, quando acordar, espera por mim o sempre problemático regresso ao trabalho, depois de 24 dias consecutivos de puro ócio. Para afastar a imagem de uma secretária atolada em serviço por realizar, e todo o negativismo que daí advém, nada melhor do que uma boa dúzia de audições ininterruptas de um tema, por norma, indutor de uma alegria radiante, e que gostaria de partilhar com o meu vasto auditório. Antes, porém, um aviso à navegação: todos vós a quem o dito não eleve a um estado muito próximo do nirvana deverão mostrar alguma preocupação relativamente à natureza do líquido que vos corre nas veias...

The Shins "Kissing The Lipless" [Sub Pop, 2003]

domingo, 27 de janeiro de 2008

ANTES D'O MUNDO INVERTIDO

















FLAKE MUSIC
When You Land Here, It's Time to Return

(Omnibus, 1997)

Com um período de vida que se prolongou por uma boa parte da década passada, não se pode dizer que os Flake Music (FM) tenham alguma vez chamado a atenção de um número significativo de pessoas. Para a posteridade deixaram apenas um álbum, de título genérico When You Land Here, It's Time to Return, interessante colecção de canções pop de recorte clássico na senda dos grandes mestres do género.
Toda esta história não teria hoje grande interesse se o vocalista/guitarrista James Mercer não tivesse a dada altura iniciado um projecto paralelo aos FM, para o qual recrutaria mais tarde outros elementos da banda. Para nome de baptismo desse projecto, Mercer escolheu o título de uma das faixas deste When You Land...: "The Shins".
Sem exibir ainda a exuberância e o refinamento que fazem de Oh, Inverted World um clássico instantâneo, esta obra solitária dos FM apontava já as primeiras pistas para aquilo que viria a ser um percurso singular. Só por isso já merece ser resgatado ao esquecimento.

Flake Music no MySpace

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A NOVA GÍRIA

"You gotta hear this one song. It'll change your life."
- Sam (Natalie Portman) in Garden State

The Shins "New Slang" (Sub Pop, 2001)

E já agora, um docinho para quem descobrir as capas de discos "encenadas" no vídeo.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

EM ESCUTA #2


THE SHINS
Wincing The Night Away (Sub Pop, 2007)

Retirar o plástico de um disco novo, de seguida pôr a rodela no leitor, e ouvir as primeiras notas, enquanto se folheia o booklet, é um ritual muito especial para qualquer melómano. Quando esse disco é Wincing The Night Away, o terceiro álbum dos Shins, esse ritual ganha para mim contornos de sagrado.
Lembram-se da cena do filme Garden State em que Sam (Natalie Portman) dizia a Andrew (Zach Braff) que os Shins iriam mudar a sua vida? Pois é, por essa altura já tinham mudado a minha! E depois de ouvir este novo disco em repeat um porradão de vezes, posso garantir que vão mudar a de muito mais gente.
A abrir temos "Sleeping Lessons": início com sintetizadores planantes e a voz de James Mercer naquele timbre que já conhecíamos de "Caring Is Creepy". Já depois dos dois minutos desaparecem os sintetizadores e entram as guitarras e bateria, criando um momento grandioso que nos acompanha até final da canção. A seguir temos "Australia", a faixa mais folk de todas. "Pam Berry" é apenas uma curta faixa daquele neo-psicadelismo-happy-sad em que os Shins são exímios e que serve de ponte para esse monumento pop que é "Phantom Limb" do qual já lhes falei aqui.
Por esta altura da escuta já se percebeu que, apesar de estarmos em terreno conhecido, o som dos Shins está "maior", mais grandisoso, mais límpido, tudo isto no bom sentido.
Mas a grande suspresa aparece em "Sea Legs", canção na qual, por cima de uma batida orgânica que vai beber ao hip hop, Mercer entoa uma daquelas suas letras ambíguas numa cadência que nos faz lembrar o Morrissey de outras eras. Séria candidata a canção do ano!
Até final, e apesar de não haver mais suspresas desde calibre, temos mais seis temas de puro encantamento, dos quais destacaria "Split Needles", feito da mesma matéria de "Phantom...", mas com a adição de uma secção de cordas, e "Turn On Me" que é aquilo que os Arcade Fire deveriam estar a fazer enquanto se ocupam com "intervenções" inconsequentes...
E como lhes dizia, ainda Janeiro não chegou ao fim, e duvido que algum disco a sair durante os próximos 11 meses possa bater Wincing... como disco do ano.
Além disso, e depois de outros dois discos irrepreensíveis, os Shins são, sem qualquer oposição, a banda mais consistente da década.
(Meu caro Stephen, é ao ouvir discos destes que os Pavement deixam de nos fazer tanta falta!)

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

AFINAL, FALTA UMA SEMANA...

Ao contrário daquilo que anunciei há algumas semanas atrás, Wincing The Night Away, o terceiro álbum do Shins, não sai hoje. Ou melhor, sai hoje nos Estados Unidos, e apenas no próximo dia 29 na Europa (leia-se Reino Unido). De qualquer das formas, a encomenda está feita... (Cartaz: © Tara McPherson)

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

ADIVINHA QUEM VOLTOU!

E é com enorme satisfação que dedico o meu primeiro post "a sério" para dar notícias de uma das mais geniais bandas deste início de século. Depois de dois discos fabulosos, os Shins preparam-se para lançar o seu terceiro longa-duração de título Wincing The Night Away, a editar pela Sub Pop no próximo dia 23. Em jeito de aperitivo, já por aí roda desde finais de Novembro o single de avanço Phantom Limb que, além do tema título, traz ainda incluídos os temas Nothing At All (também incluído no álbum) e Split Needles, numa versão diferente daquela que vem no álbum. Sobre o tema principal posso assegurar que será uma grande suspresa para muitos dos seguidores da banda, pois para além das habituais referências aos Beach Boys e aos Beatles (sobretudo na voz de James Mercer, melhor que nunca!), a parte instrumental remete-nos para os Jesus and Mary Chain da fase "Psychocandy/Darklands", com aquele fuzz nas guitarras tão característico. Este facto já tinha sido adiantado pelo penúltimo número da revista Magnet e vem agora confirmar-se, para grande satisfação minha. Em suma, e sem estar a exagerar, posso garantir que, se as restantes canções forem deste calibre, um dos melhores discos de 2007 sai logo em Janeiro!